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quinta-feira, 29 de abril de 2010

Entrevista a antigos alunos: Maria Ana Serrado



Nome: Maria Ana Serrado
Idade: 22 Anos

Universidade: Faculdade de Ciências Médicas – Universidade Nova de Lisboa

1. Razões que estiveram na origem da escolha deste curso:

Escolhi este curso por três razões, sem qualquer ordem no processo de escolha. A medicina surgiu no meu caminho porque vejo-a como uma profissão gratificante, em termos pessoais e em termos solidários, ajudando quem precisa; tinha nota de entrada que me permitiu entrar no que pretendia e tem boas perspectivas de emprego.

2. Adaptação à vida universitária:

A vida universitária em nada tem a ver com a vida do secundário, é mais auto-dependente, ninguém nos diz quando e como estudar. O estudante universitário tem que aprender a gerir o tempo e, acima de tudo, o esforço porque a matéria é muito mais difícil e quantitativamente interminável.

a) Professores – Pela minha experiência, os professores da universidade são isso mesmo, e não orientadores de vida, como ocorre no Ensino Secundário.

b) Colegas – O período de vida universitário é o melhor em termos de amizade com colegas, digo de amizade, pois tive a sorte de criar grandes amizades com todos os meus colegas. Ao chegar na semana de praxes a timidez reina, mas as amizades começam a formar-se, quer seja apenas ao ajudar uma rapariga que torceu o pé ou a partilhar um táxi para casa, as pessoas com quem se faz isto serão aquelas que um dia nos estarão a explicar a matéria que nos escapou e são quem nos atura quando só queremos chorar e desistir.

d) Espaço – A cidade em que agora vivo, Lisboa, é grande e imensa, cheia de recantos e histórias, cheia de excentricidade e melancolia. Os recantos das pequenas ruas da Baixa e do Bairro Alto, tão diferentes do dia para a noite, as histórias que Belém tem para contar, a excentricidade de todos os dias ver alguém diferente de nós e de quem aprendemos a gostar e a melancolia dos fins-de-semana vazios e sozinhos, longe da família. Eu habituei-me a tudo isto e, na verdade, não podia gostar mais.

e) Episódio marcante?

Um dos episódios mais marcantes que vivi desde que entrei neste curso foi ao diagnosticar uma patologia que não tinha sido reconhecida por um médico porque senti que tinha a intuição médica de que muitos falam e que até antes nunca tinha sentido.

3. Como tem sido o seu desempenho enquanto estudante universitária?

O meu desempenho como estudante universitária tem sido regular, com tempos mais fáceis do que outros, mas sempre com muito proveito ao atingir um objectivo.

4. Quais os seus objectivos a curto e a longo prazo?

A curto prazo, tenciono fazer um semestre de estudo noutro país, através do Programa Erasmus e, a longo prazo, acabar o curso e ser o mais competente possível, em termos profissionais.

5. Que mensagem quer deixar aos jovens alunos da Escola Secundária Jaime Moniz?

Gostaria de deixar essencialmente um conselho.

Nunca esquecer que dependemos acima de tudo de nós.

À medida que crescemos depressa percebemos que o Mundo depende mais de nós do que nós dele, dando-nos cada vez menos uma rede de segurança, deixamos de ter os pais tão perto para nos proteger, deixamos de ter a cumplicidade dos amigos porque a distância e o tempo não a permitem, os professores deixam de ser orientadores para passar a serem meros veículos de informação e a disponibilidade para nos sentirmos bem connosco próprios são mais raras. Nunca esquecerei como começou um teste de biologia no 11º ano: “o importante não é dar o peixe, mas ensinar a pescar”. Posso considerar que foi nessa altura que aprendi a pescar. Ao chegar à faculdade percebi que o prazer de tudo, nomeadamente estudar, não está no peixe, está sim, na pesca, na maior parte das vezes uma pesca solitária.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Associação Protectora dos Pobres (APP)




1. Historial

A fundação da Associação Protectora dos Pobres (A.P.P) remonta ao século XIX, mais precisamente ao ano de 1889.
Em 1931, o Sr. Tenente Domingos Cardoso foi convidado pelo Sr. Governador Nosolini para dirigir esta instituição de apoio aos mais desfavorecidos. Durante a II Guerra Mundial, a distribuição de almoços ocorreu no Palácio da Junta, mudando, em 1938, as instalações para o frigorífico da Junta Agrícola.
Na última década do século XX (1993), implementou-se uma nova configuração de auxílio aos utentes: para além de “matar a fome” aos mais carenciados, a Associação Protectora dos Pobres apostou numa estratégia pedagógica e socializadora que visava a adaptação desses utentes a novos actos de vida social e/ou dar oportunidades a mantê-los.
O melhoramente do almoço e a introdução de novas refeições foi possível quatro anos depois, em 1997. A mudança para as instalações provisórias à Rua das Hortas, em 1999, permitiu o restauro do prédio existente, permitindo uma melhor resposta e maior diversidade de serviços disponibilizados — serviços essenciais. Por outro lado, o Apoio Social a nível de acompanhamento e aconselhamento da integração social e saúde dos utentes foi sendo cada vez mais aperfeiçoado. Neste ano, deu-se início às demolições na Sede, com o intuito de adaptar as instalações aos serviços necessários à realidade desse tempo, da população recorrente.
Em 2001, a abertura do Centro de Acolhimento Nocturno fez-se a título de experiência piloto. Paralelamente, inaugurou-se a restauração da Sede com a oferta de uma multiplicidade de valências: Fraldário, Balneários, gabinete de Apoio Social, Refeitório, Rouparia, Lavandaria e Sala de Convívio.
Desde 2002, a introdução de actividades capazes de estimular a inserção social destes grupos de risco (alcoólicos, toxicodependentes, doentes mentais, desempregados, etc…) a nível do Ensino Recorrente, da Ocupação dos Tempos Livres, de Sessões de Educação para a Saúde, de Reuniões Anti-Alcoólicas e de Aconselhamento, de Passeios terrestres e marítimos, de Visitas de estudo e de Acções de Formação diversas, permitiu uma oferta multifacetada e globalizante no atendimento e acompanhamento de cada um dos utentes.

2. Que objectivos norteiam a A.P.P?

Envolver nas diferentes actividades utentes com hábitos/rotinas prejudiciais à sua saúde, ao seu bem-estar e que geram exclusão social, proporcionar novos conhecimentos, motivar e educar para comportamentos saudáveis e socialmente aceites, introduzir aos utentes rotinas diárias saudáveis, facultar autonomia e espírito de iniciativa, deixando o utente livre a desenvolver ideias próprias, fomentar o espírito de companheirismo e de grupo, proporcionar aos utentes contactos com outras realidades, evitar que os utentes sejam expostos a pressões exteriores negativas por parte de antigos grupos e motivar os utentes para o cumprimento de objectivos são as metas desta instituição.


3. Quem pode recorrer à A.P.P.?

A APP pretende abranger aqueles que têm problemáticas a nível de alcoolismo, toxicodependência, ausência de apoio familiar, desemprego prolongado, exclusão social, baixas pensões sociais e de invalidez, deficiência física e/ou psíquica e/ou sem abrigo.
Há dois tipos de utentes inscritos na APP: o utente provisório e o utente efectivo.
O utente provisório é aquele que, após ser avaliada a sua situação de vida actual, pelos serviços competentes desta instituição, por encontrar-se em situação de marginalidade, pobreza ou exclusão social, pode frequentar os serviços prestados na mesma, segundo as suas necessidades prioritárias, num período máximo de três meses. Para aceder à credencial de utente provisório, é necessário apresentar a documentação comprovativa da sua situação exigida pela APP.
Durante o período de utilização destes serviços de apoio, o utente deverá cumprir, na íntegra, todas as regras expostas a nível do equipamento disponível, bem como respeitar os funcionários e restantes utentes não se envolvendo em agressões verbais e/ou físicas no interior e/ou no exterior da instituição, sob pena de ver cancelado o apoio social que recebe.
O utente efectivo é aquele que no termo dos três meses de boa utilização dos serviços, e após uma reavaliação da sua situação actual, (caso esta coincida com o propósito institucional), fica a usufruir de todos os serviços, até ter capacidade para refazer a sua vida sem necessitar do apoio da instituição, independentemente da sua integração social.
Qualquer utente que esteja por um período igual ou superior a seis meses, sem frequentar regularmente os serviços prestados pela Associação protectora dos Pobres, fica com a sua inscrição caducada, deixando de poder utilizar as instalações, salvo apresente documento justificativo do tempo em que não compareceu na instituição.


4. A A.P.P. na voz da Directora de Serviços

Segundo a Directora de Serviços, D. Luísa Pessanha, a Associação protectora dos Pobres tem funcionado ininterruptamente, desde o momento da sua fundação e apoia, indistintamente, portugueses ou estrangeiros, legais ou ilegais.
Com o passar do tempo, a Direcção tem apostado numa diversificação de actividades e de recursos humanos que possam rentabilizar um trabalho difícil de ajuda aos mais carenciados.
O apoio financeiro a esta instituição tem várias proveniências: um subsídio anual oriundo dos Estados Unidos, um subsídio mensal assegurado pelo Centro de Segurança Social da Madeira, o montante da verba relativa ao parque de estacionamento da Rua das Hortas (até Março 2009), algumas coimas do Tribunal da Justiça e alguns donativos de particulares.
Qualquer pessoa, empresa ou instituição pode apoiar a A.P.P, através da lei do mecenato. Efectivamente, alguns donativos têm sido assegurados, quer em géneros, quer monetariamente. Roupas e alimentos são os donativos mais comuns.
Os bens que mais escasseiam são calçado, roupa interior, lençóis e cobertores para fazer face à extrema pobreza dos utentes, maiores de dezoito anos. Porém, apesar de esta instituição apoiar apenas adultos, transversalmente acaba por apoiar o “ser social”. Assim, qualquer donativo, mesmo para crianças, é sempre bem recebido, dado que os casos de extrema pobreza acabam por afectar a relação social e a integração da pessoa humana, quer na sua própria família, quer na sociedade. Facultar um brinquedo ou uma peça de vestuário infantil a um adulto carenciado – que não pode comprar para oferecer a um familiar próximo – é uma forma de contribuir para o bem-estar emocional do utente em causa e dos que com ele convivem.
A gestão dos donativos é feita sempre na tentativa de poder utilizar materiais que possam ser recicláveis e adquiridos a um preço económico. A gestão da compra é determinada frequentemente em função das actividades que são realizadas e das épocas festivas celebradas na Região Autónoma da Madeira.

Todas as pessoas que trabalham na Associação protectora dos Pobres fazem-no a tempo inteiro: um Sociólogo, um professor de 1º Ciclo, destacado pela SREC, que assegura o Ensino Recorrente e o Animador Social da instituição, responsável pelas actividades ocupacionais de reabilitação das capacidades de trabalho, de socialização e de autonomia. Apenas a ocupação dos tempos livres permite a admissão de voluntários dinamizadores de diferentes actividades: trabalhos manuais, pintura, etc.

Como Directora de Serviços desta instituição, há já dezasseis anos, a D. Luísa Pessanha sente que o seu trabalho com os utentes é uma mais-valia: gosta de ajudar, orientar ou integrar os “mais pobres dos pobres”. A gratidão e o respeito destas pessoas é “a garantia maior” de que as lutas que trava no dia-a-dia são válidas.

Como Directora, reconhece que o nome da instituição possa ser “depreciativo”. Porém, o historial relevante da mesma determina que permaneça como “Associação Protectora dos Pobres” da Madeira.



A D. Luísa Pessanha gostaria também de sentir da parte da sociedade em geral uma maior consciencialização, não só ao nível do apoio financeiro que a A.P.P necessita mas, sobretudo, nas possibilidades de resposta de integração social. “Temos de saber aceitar”, lembra, com emoção. “De que serve um trabalho diário de apoio ao nível da satisfação das necessidades básicas, de desenvolvimento de auto-estima, de incentivo à esperança de uma vida melhor – com trabalho e autonomia – se a sociedade fecha as portas a essa integração?”

Aos jovens da Escola Secundária Jaime Moniz, a Directora de Serviços da Associação Protectora dos Pobres lembra:

“Tenham cuidado! Não procurem alternativas ao bem-estar, recorrendo às drogas! A maior parte dos jovens que frequentam a instituição devem a sua MISÉRIA ao ÁLCOOL e à DROGA!”

Fotos de alguns dos trabalhos desenvolvidos pelos utentes da APP nas actividades ocupacionais.
Foto Álbum

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Testemunhos do Liceu: David Pinto Correia




Espaço multicultural mas, sobretudo, testemunha do processo de socialização e de vida, a Escola assume um papel incontornável na vida de todos nós. Revivemo-lo nas conversas do quotidiano, actualizando episódios pitorescos, eternizando espaços, personagens e modos de aprender e ensinar…É da escola que temos cada vez mais saudade, passado o tempo do estudo e da alegre camaradagem, o que nos faz sentir, como o poeta, “raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!”O Liceu orgulha-se de ser esse espaço extraordinário de vivências e emoções de milhares de estudantes madeirenses. Quem são? Que recordam?

Nome: João David Pinto Correia
Idade: 68 Anos
Profissão: Professor Universitário (Universidade de Lisboa – Faculdade de Letras)
Área de formação: Letras / Humanidades


O Lyceu – Diz-se Liceu, vem a saudade. Que importância teve o Liceu na sua vida?
David Pinto Correia – Antes de mais, gostava de reconhecer que estas respostas foram elaboradas de modo muito espontâneo, como uma quase evocação imediata do que ainda ficou desses todos anos de Liceu (sete anos); são, portanto, breves notas que deveriam merecer mais reflexão… No entanto, devo acrescentar que quis desenvolver as duas primeiras questões, reservando-me o direito de ser muito sucinto em relação às duas últimas. Do facto peço perdão.
Transitando da Escola Primária (a minha foi a de S. Gonçalo, com professores excepcionais, principalmente o Prof. Mendes), o Liceu foi naturalmente outro mundo: aulas diferentes, com seis tempos lectivos diários, vários docentes, instalações muito boas. A princípio um pouco confuso com a mudança, logo me fui habituando e foi no Liceu de Jaime Moniz que passei esses sete anos lectivos.
Em primeiro lugar, creio que foi aí que tive pouco a pouco a aprendizagem da camaradagem e da amizade. Os colegas e amigos do Liceu ficaram, de facto, para toda a vida; claro que nos lembramos principalmente dos do sétimo ano, em que éramos finalistas e, ao tempo, quase todos seguiam para o Continente. Mas esses que chegavam ao fim dos estudos do secundário, com alguns mais que vinham de fora (de outros estabelecimentos de ensino ou mesmo de outras partes do território nacional) eram, e se não tinham perdido nalgum ano, quase os mesmos do 1º ano (das diferentes turmas). Deste modo, podemos lá de tempos a tempos juntar-nos ainda em convívio, mormente em jantares de Natal ou de comemoração de uma data importante (como no ano passado, a de 50 anos de fim do curso liceal).
Depois, penso nos meus professores, avalio-os após tantos anos: há aqueles que nos marcaram pelo saber e capacidade pedagógica, há também outros (é evidente que os anteriormente referidos podem estar incluídos neste grupo) que nos revelaram a grandeza humana e simpatia, há ainda todos aqueles a que faltavam capacidade pedagógica, mas tentavam cumprir uns com esforço, outros mais desajeitadamente, a sua tarefa de docentes. Lembro, como grandes mestres ou como docentes que muito me influenciaram, o Dr. Joaquim Lufinha, de Português (a quem devo muita da minha formação), meu professor durante cinco anos, e, já no 3º Ciclo, o Dr. Emanuel Paulo Ramos, meu grande tutor no estudo da Literatura Portuguesa, o Dr. Clementino de Sousa, de Ciências Naturais (homem difícil, mas pedagogicamente admirável), o Dr. Fonseca, a Dra. Judite e a Dra. Conceição, estes de Matemática, mas também a Dra. Maria Ângela, de Desenho e Trabalhos Manuais (disciplinas em que não tinha nenhuma dificuldade e sempre com notas bastante razoáveis), assim como, já mais no 2º ciclo, a Dra. Helena Pires de Lima, de Inglês, o Dr. Canedo, de Ciências, o Dr. Saraiva, que nos dava aulas bem práticas de Física e Química, e, já no 3º Ciclo, o Dr. Cardeal, que me formou muito rigorosamente em Latim e Grego (não esquecendo não as lições, mas a avaliação dos meus exames de sétimo ano, a Dra. Margarida Morna), o Dr. Figueiredo (e fico espantado por ele nos ter leccionado Filosofia e Organização Política e Administrativa da Nação, com um rigor extraordinário, o que, na última dessas disciplinas, me levou a tirar 19,8 no exame final do 7º), o Dr. Horácio Bento de Gouveia, em Geografia e em Filosofia (nesta disciplina, só durante um ano), ou a Dra. Eulália de Sousa, em Francês (no Preparatório), ou a Dra. Adelaide Saraiva, em Francês, no 3º Ciclo, e, por outras razões, bem vivas na minha memória, o Dr. Figueira César (eu era aluno do afamado 4º C).
Gostava também de mencionar professores que, não tendo missão considerada de co-nhecimentos fundamentais, me tornaram diferente e me orientaram no sentido de uma mais completa formação humana: são eles os professores de Religião e Moral, na altura o Padre Manuel Ferreira Cabral, mais tarde Arcebispo de Braga, e o Padre Mata, que teve profunda influência em muitos dos jovens dos anos 50, sobretudo através da Juventude Escolar Católica e das Conferências de S. Vicente de Paulo; de Canto Coral, entre eles o nosso “Capitão” e o Cónego Agostinho Gonçalves, que teve a iniciativa do Orfeão do Liceu (lembro-me da nossa récita no átrio-museu, com, entre outras composições, o «Va pensiero” de Verdi); e de Educação Física, com a ginástica e jogos, com o Dr. Santos Lã e, depois, o Prof. Ferreira. A todos eles devo muito, quase tudo em determinados aspectos…
Curiosamente, também poderia falar dos castiços funcionários que nos orientavam pelos corredores e pátios (o Sr. Plácido, por exemplo, com o seu famoso chaveiro em cima das nossas cabeças…).

O Lyceu – O que mais o marcou durante os anos de frequência do Liceu? (pessoas, espaços, ambientes, etc…)
David Pinto Correia – Serei o mais resumido possível. E obrigado por me ter sido suge-rido um quase plano.
Quanto a pessoas: muitas delas já ficaram enumeradas na resposta anterior. No entanto, gostaria de ressaltar algumas que tiveram uma grande importância na minha formação, não só em preferência da minha futura actividade científica e académica, mas também humanista. Na escolha da minha carreira, e principalmente para a minha profissão de professor universitário e, de certo modo, escritor, quero salientar não só os professores Dr. Lufinha e Dr. Paulo Ramos, mas também o acompanhamento sempre prestado pela esposa, Dra. Marília Ramos; no entanto, não esqueço as conversas, por vezes nos corredores, sobre estes assuntos das “Letras”, com os Drs. Horácio Bento de Gouveia, Carlos Lélis, Margarida Morna e Alfredo Nóbrega. Na sensibilidade à pedagogia, alguns destes agora citados, mas também, na condução das aulas, os Drs. Clementino de Sousa e Helena Pires de Lima. Noutro plano, há que reconhecer a influência profunda dos Padres (na altura) Ferreira Cabral e Mata.
Espaços: foram as salas de aula no rés-do-chão da ala oriental do Liceu, junto do pátio dos rapazes: todas aquelas salas de impecável aspecto (pelo menos na altura e creio que ainda o mantêm) e os agradáveis intervalos e mesmo os tempos livres (alguns devi-dos às compreensíveis faltas dos professores): tempo de jogos, brincadeiras, tropelias mesmo, importantes para os adolescentes que éramos. Mas também a sala de Ciências Naturais, nas aulas do Dr. Clementino, com os desenhos e esquemas que ele escrevia no quadro, o contacto com o esqueleto, a observação nos microscópios (e daí data o meu interesse por este grande campo, que vai dos animais às plantas; até a mineralogia me fascinava). No campo das Ciências, também as nossas aulas nos laboratórios de Física e Química, para acompanharmos as experiências (era já um ensino prático na medida do possível, com os instrumentos da altura, mas sempre gratificantes…).
As aulas de Português, com a leitura de alguns clássicos sempre me seduziram, desde os textos dos compêndios e antologias (então, eram os “aprovados como livros únicos”) e, depois, a descoberta de obras como O Bobo, Lendas e Narrativas, Auto da Alma e outros, mas sobretudo Os Lusíadas e a Lírica, de Camões. Quanto a Os Lusíadas, o docente, o já mencionado Dr. Lufinha, pôde com muita competência levar-nos a compreender o poema e motivar-nos para a sua leitura nas partes que teríamos de ler e convencer-nos de que uma tarefa que muitos criticam, como fastidiosa, a divisão de orações, foi maneira magnífica de vir a descobrir o sentido mais profundo da obra. Fiquei-lhe muito grato…Sobretudo pela forma como soube tornar a tarefa aceitável e mesmo fascinante.
Memórias há que posso registar como parte da minha experiência que, talvez para muitos hoje seja considerada como indisciplina, e só para discriminar algumas, penso em certas aulas em que havia infracções, que actualmente penso foram exageradas, no entanto importantes para a nossa / nossa afirmação. Cito as que se passavam na Turma 4º C, com grandes incorrecções, de carácter indisciplinado, e que nos ficaram como momentos centrais da nossa vivência. Hoje, com as experiências e situações outras que vejo estampadas em jornais e televisão, considero tais momentos como significativos: as brincadeiras que, por vezes, roçavam o desrespeito pelo professor constituíam situações negativas sem dúvida, por isso sancionadas, mas, por outro lado, humanas, até porque o docente em causa, de Inglês, embora protestando, as consentia e mesmo quase as provocava.
E que dizer, neste contexto, das nossas idas à mercearia do outro lado da rua, para beber uma laranjada ou munirmo-nos de feijões, arroz, grão, etc., para as «malandrices» de adolescentes com sangue na guelra, sobretudo quando, na transição para o pátio dos maiores, víamos o nosso estatuto melhorado, já como jovens mais crescidos.
Um aspecto gostaria de salientar: não podia haver no nosso código de conduta qualquer tolerância para as denúncias: aquele que as fazia era um “queixinhas”. Hoje, parece que a denúncia, a queixa se tornaram quase obrigatórias. A minha geração não as suportava, nem ainda as suporta (principalmente da parte dos “bufos”) e ai daquele que se atrevesse a fazê-las.
Até as actividades de canto, de exercícios físicos no estádio, nos campos de futebol ou de basquetebol, ficaram na saudade de um aluno como eu.
E, a propósito, lembro que fui um aluno médio, senão medíocre durante os primeiros anos: no entanto, no momento de reagir para aumentar o rendimento lá estava eu a tentar recuperar com coragem, estudo… Quase ia perdendo o 2º ano, quando me faltavam notas para completar a soma dos 19 valores globais nos três períodos; como exemplo, o Dr. Clementino deu-me em Ciências Naturais, 10 no 1º período, 7 no 2º, e trabalhei para o 12 do 3º. E verifiquei como um docente exigente como ele foi sério e íntegro. Pouco a pouco, fui melhorando; no entanto, tive dificuldades na Matemática no 2º ciclo. A docente, a Drª Conceição, deu-me negativas no 1º e 2º período, mas, com esforço, consegui ultrapassar a dificuldade. Tendo sido dispensado em Letras, com 16, tive da fazer provas orais nas Ciências, e o grande problema era Matemática; consegui e a professora, muito exigente e que não era para brincadeiras, foi mesmo, com algum receio meu, a minha examinadora na prova oral dessa disciplina; apertou-me quanto pôde e va-lorizou-me com um 16. Confessou-me ela no final das provas, já cá fora, e, visto que regressava a Lisboa, que o meu percurso seria uma das suas melhores recordações do Liceu. Muito grato lhe fiquei por esse sincero cumprimento.
No 3º ciclo, já foi tudo bem encaminhado: consegui das melhores notas, porque estudei muito (diziam que eu era mesmo um dos “marrões”), tendo conseguido a melhor classificação do 7º ano com a melhor média de 17,6 ou 17,7, o que me levou a ter o 1º prémio do Liceu e da Câmara Municipal do Funchal. Foi recompensa do trabalho, mas também a resposta ao excelente trabalho dos meus professores. Foi sobretudo um dos melhores convites a prosseguir no Superior.
Mais duas breves notas: a gratidão para com o casal dos excelentes professores Paulo Ramos (marido e mulher), que, sabendo que eu ia para Filologia Românica, puseram ao meu dispor a sua magnífica biblioteca, recebendo-me em sua casa e incentivando-me à pesquisa pessoal; e, recuando no tempo, também todo o meu reconhecimento pela Dra. Maria Augusta Drummond, a primeira mulher licenciada da Madeira em universidades portuguesas, embora em Farmácia, senhora admirável de saber e enorme pedagoga, minha vizinha no Ribeiro Seco, S. Gonçalo, que, com explicações em várias disciplinas, me possibilitou (a mim e a outros meus colegas) um melhoramento e sucesso contínuo em matérias que nos eram mais difíceis.

O Lyceu – Como vê a Educação hoje?
David Pinto Correia – Repetindo o lugar-comum, a Educação é o fundamento do Cidadão e do Homem. Creio que, nos meus tempos de Liceu, e não querendo dizer que na época é que estava tudo bem, houve programas, agentes e meios que, para a prática de conhecimento e de pedagogia então possíveis, confluíram numa acertada adequação para a formação dos jovens.
O que pode chocar-me hoje em dia é o contínuo experimentalismo que, neste campo, se verifica desde há anos: uma incrível preocupação com a tecnocracia, com tudo orientado por decretos-leis, com regulamentos e instruções, com tudo formatado por uma burocracia desumanizada. Não posso deixar de reconhecer que a Educação terá de exigir a colaboração da Escola, da Família e da Sociedade…

O Lyceu – Na sua opinião, de que modo as novas tecnologias são uma mais-valia para a aprendizagem do aluno?
David Pinto Correia – São, sem dúvida, uma mais-valia, como auxiliares da aprendizagem, mas, nesta questão, será necessário encontrar um equilíbrio: não só o computador, mas também a biblioteca; não só a calculadora, mas ainda a tabuada; não só o jogo ou o divertimento ao serviço do conhecimento, mas também o esforço e a exigência do trabalho intelectual.
Na minha opinião, a Educação deve conjugar instrução (com literacia inclusive) e civismo (cidadania inclusive), com liberdade e responsabilidade. As novas tecnologias têm de ser integradas nesta vasta concepção.

Testemunhos do Liceu: Mónica Teixeira


Espaço multicultural mas, sobretudo, testemunha do processo de socialização e de vida, a Escola assume um papel incontornável na vida de todos nós. Revivemo-lo nas conversas do quotidiano, actualizando episódios pitorescos, eternizando espaços, personagens e modos de aprender e ensinar…É da escola que temos cada vez mais saudade, passado o tempo do estudo e da alegre camaradagem, o que nos faz sentir, como o poeta, “raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!”O Liceu orgulha-se de ser esse espaço extraordinário de vivências e emoções de milhares de estudantes madeirenses. Quem são? Que recordam?

Nome: Mónica Teixeira
Idade: 60 Anos
Profissão: Docente e Investigadora do Arquivo Regional da Madeira (Secção de Espólios de Autores da Madeira).
Área de formação: Licenciatura em Filologia Românica; Mestrado em Literaturas Comparadas – Portuguesa e Francesa, com a tese: «Cabral do Nascimento, a Palavra da Confidência e a Herança do Simbolismo Francês», e Doutoramento em Literaturas Contemporâneas, com a tese: «As Tendências da Literatura na Ilha da Madeira – séculos XIX e XX».


O Lyceu – Diz-se Liceu, vem a saudade. Que importância teve o Liceu na sua vida?
Mónica Teixeira – O Liceu foi tudo na minha vida. Fiz aqui o exame de admissão da Escola Primária para o Ensino Secundário e ainda consigo ver-me, com o meu melhor vestido, os melhores sapatos que tinha e um laço na cabeça, pronta para fazer o meu primeiro exame. É que, naquela altura, fazer um exame era um evento grandioso para a Escola e para a família.
Sinto ainda muito carinho pela Dra. Margarida Morna, que me colocou questões de interpretação sobre um texto que referia as andorinhas. Ela pediu-me que lesse o texto e foi colocando as suas perguntas, sempre de forma agradável. Lembro-me de ela me ter perguntado o que eram para mim as andorinhas e que eu respondi que eram a Primavera. Ora, ela ficou deliciada com a minha resposta, como se tivesse sido um verdadeiro fenómeno, aquela menina a entrar pelos caminhos da simbologia.
Tive tanta pena de os meus pais não me terem deixado estudar no Liceu depois de ter passado no exame, mas este era um meio muito grande e eles temiam por mim.
Contudo, no meu 10º Ano, tive a oportunidade de vir para a escola na qual gostaria mesmo de estar.
Este foi um grande espaço. Mudou a minha vida e condicionou toda a minha formação social.
As saudades do Liceu são as da minha infância e da minha juventude, porque foi aqui que elas se formaram. Foi aqui que, além de todos os conhecimentos adquiridos, aprendi a respeitar e a amar as pessoas. E tive muitos dissabores como todos os jovens, mas aprendi a conhecer os sentimentos, o amor, a amizade e a desilusão.
Foi aqui também que aprendi que havia um espaço maior do que a Ilha, o Continente, de onde saiu a minha formação. Contudo, na ilha, está preso o meu espírito.

O Lyceu – O que mais o marcou durante os anos de frequência do Liceu? (pessoas, espaços, ambientes, etc…)

Mónica Teixeira – Pessoas… foram tantas as que passaram pela minha vida.
Já referi a Dra. Margarida Morna. Evoco ainda o Dr. Emanuel Paulo Ramos, que teve um papel fundamental na minha formação, visto ter descoberto em mim a vocação para a Literatura e que me obrigou a explorar essa vertente que, eu, na imaturidade da minha juventude, julgava que não tinha importância.
Foi ele que me ensinou a ler Os Lusíadas e os tornou aliciantes a ponto de eu gostar da retórica e da sintaxe latina, que marcaram a minha formação académica.
Penso que foi a pessoa que mais me marcou e que, sem querer, me conduziu ao rumo que eu tomei.
Prova da sua importância é o facto de eu ter tido 16 valores no exame de 7º Ano de Português, que foi a nota mais alta da Escola, na altura.
A esposa, a Dra. Marília, também contribuiu para esse meu gosto pela Literatura e o Dr. Louro, que estava ligado à dramatização e ia representando na própria sala de aula, lendo expressivamente os textos, de modo que, aos poucos, nos foi aproximando da leitura.
É por esse motivo, pela dedicação, pelo profissionalismo, pelo humanismo dessas pessoas, que muitos querem ser alunos do Liceu e muitos professores querem leccionar cá.
Há que ver também que esta instituição tem uma história escrita por muitas pessoas ligadas à Política, à Investigação, à Medicina, à Economia e às mais diversas áreas, na Ilha da Madeira e no Continente.

O Lyceu – Como vê a Educação hoje?
Mónica Teixeira – Vejo a Educação de hoje com muita preocupação, preocupação pelos alunos e pelos professores.
Não sei porque é que isto está a acontecer. Há psicólogos, sociólogos e uma panóplia de profissionais que se debruçam sobre estas questões, mas há que entender que a Escola não é tão complicada quanto as pessoas estão a representá-la.
Como defende o Professor Lobo Antunes, os professores são pessoas vocacionadas e não vêm para o Ensino sem vocação, porque esses, se realmente o fazem, acabam por sair desta área.
É necessário que se perceba que o professor é aquele que vai abrir as portas aos alunos para áreas diversas, fomentar em si “competências transversais” à disciplina que ele lecciona.
Por isso, não se pode encaixar os professores em padrões, esperar que estejam todos formatados para o mesmo. Há que haver orientações, é natural, contudo, é importante não cairmos num exagero.
Muito daquilo que a Escola é se deve ao professor, que transmite os conhecimentos e os valores, o empenho, o espírito de ajuda ao aluno. Quando este percebe que o professor não tem essa componete humana, além de uma boa formação científica, desinteressa-se.
Há que haver um entendimento entre ambas as partes, em conciliação com o Ministério. Os professores têm de mostrar que trabalham. As orientações rígidas do Ministério deixam de ter lugar. Assim, os professores menos competentes têm de prestar provas de melhoramento pedagógico-didáctico.
Em suma, há que encontrar o sistema educativo mais válido para os professores dos nossos dias.

O Lyceu – Na sua opinião, de que modo as novas tecnologias são uma mais valia para a aprendizagem do aluno?
Mónica Teixeira – Acho que é mesmo uma mais valia.
Na era em que vivemos, é impensável que a Escola não esteja ligada a essa área.
Hoje em dia, é impossível viver sem computador, por isso, acho que a Escola deveria tirar horas, dentro do horário do professor, para o formar nessa área.
O próprio Ministério de Educação deveria decidir que o horário dos docentes contemplasse um espaço para formação, que seria obrigatório, no âmbito das novas tecnologias, de modo a que todos aprendessem a utilizá-las e os que já soubessem pudessem actualizar-se.
E digo que esta deveria ser uma componente obrigatória porque há muitas pessoas, muitas colegas minhas, que são renitentes em relação às novas tecnologias, à Informática.
Hoje em dia, mesmo na vida prática, nas coisas mais banais, como pagar contas, fazer o IRS, a Internet e o computador são fundamentais.
Aceder às novas tecnologias é ter tudo em casa.

Tesmunhos do Liceu: Ana Margarida Falcão


Espaço multicultural mas, sobretudo, testemunha do processo de socialização e de vida, a Escola assume um papel incontornável na vida de todos nós. Revivemo-lo nas conversas do quotidiano, actualizando episódios pitorescos, eternizando espaços, personagens e modos de aprender e ensinar…É da escola que temos cada vez mais saudade, passado o tempo do estudo e da alegre camaradagem, o que nos faz sentir, como o poeta, “raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!”O Liceu orgulha-se de ser esse espaço extraordinário de vivências e emoções de milhares de estudantes madeirenses. Quem são? Que recordam?

Nome: Ana Margarida Falcão
Idade: 59 Anos
Profissão: Professora
Área de Formação: Letras



O Lyceu – Diz-se Liceu, vem a saudade. Que importância teve o Liceu na sua vida?

Ana Margarida Falcão – O Liceu foi a minha segunda família. Ali aprendi a equacionar as minhas experiências, os meus afectos e os meus pensamentos, não só em função de um alargamento do mundo vivencial mas também através de um reconhecimento mais lato da aprendizagem e de uma perspectivação amplificada dos outros.


O Lyceu – O que mais o marcou durante os anos de frequência do Liceu? (pessoas, espaços, ambientes, etc…)

Ana Margarida Falcão – Foi nas velhas salas, nos amplos corredores, nos aconchegantes pátios e nos quase secretos jardins do Liceu que desenvolvi aprendizagem de saberes mas também – e sobretudo – aprendizagem da descoberta do crescimento do corpo e de sentimentos novos e desconhecidos, como as amizades que ficam para sempre a atravessar-nos a vida ou o inesquecível primeiro amor.
Nessa época, os professores eram, na sua quase totalidade, admirados e respeitados pela sua competência e saber, mas seria injusto deixar de referir a Drª Elisabete Vieira da Luz, que me fez descobri Sebastião da Gama, a poesia, o diário literário e o gosto de escrever; ou ainda o Dr. Carlos Lélis, que tantas portas entreabertas deixou, nas suas aulas, para que os alunos mais tarde as pudessem abrir e explorar os caminhos a que levavam; ou ainda o Dr. Louro que connosco transformava o teatro numa realidade vivida tanto na aula como no palco do ginásio.


O Lyceu – Como vê a Educação hoje?

Ana Margarida Falcão – A solidariedade e a justiça eram parâmetros inquestionáveis que ofereciam aos alunos um sentido ético do comportamento. Por entre risos e zangas, gargalhadas e choros, ilusões e desilusões, egoismos e altruismos, sucessos e insucessos, essa verticalidade atravessava a nossa vida liceal e acompanhava-nos, indelével, pela vida fora. Também a dimensão cultural da arte era valorizada em actividades que não eram só receptivas mas também produtoras, ao contrário do que hoje frequentemente se julga acerca desse tempo. Sempre pensei e senti que estes parâmetros haviam sido o melhor legado educacional que recebi, por isso os desejo fervorosamente presentes nas directrizes educacionais de hoje.


O Lyceu – Na sua opinião, de que modo as novas tecnologias são uma mais-valia para a aprendizagem do aluno?

Ana Margarida Falcão – Li algures que o homem de hoje não constrói a modernidade: ele vive na, da e pela modernidade. As novas tecnologias fazem parte dessa natural e inevitável modernidade. O que importa é não admitir que se falhou a «revolução cultural» e continuar a lutar por ela. No seio de um povo que não tenha educação e cultura não pode sobreviver a democracia.

Testemunhos do Liceu: Alberto João Jardim


Espaço multicultural mas, sobretudo, testemunha do processo de socialização e de vida, a Escola assume um papel incontornável na vida de todos nós. Revivemo-lo nas conversas do quotidiano, actualizando episódios pitorescos, eternizando espaços, personagens e modos de aprender e ensinar…É da escola que temos cada vez mais saudade, passado o tempo do estudo e da alegre camaradagem, o que nos faz sentir, como o poeta, “raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!”O Liceu orgulha-se de ser esse espaço extraordinário de vivências e emoções de milhares de estudantes madeirenses. Quem são? Que recordam?

Nome: Alberto João Cardoso Gonçalves Jardim
Idade: 65 Anos
Profissão: Funcionário Público: Presidente do Governo Regional da Madeira
Área de formação: Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra


O Lyceu – Diz-se Liceu, vem a saudade. Que importância teve o Liceu na sua vida?

Albeto João Jardim – Contribuiu decisivamente para a formação nos Princípios e Valores que professo, bem como estruturou os alicerces da minha permanente construção cultural ao longo da vida. Foi berço das amizades perenes.


O Lyceu – O que mais o marcou durante os anos de frequência do Liceu? (pessoas, espaços, ambientes, etc…)

Albeto João Jardim – Tive o privilégio de ser aluno de grandes Mestres que me marcaram, não apenas no aspecto do Conhecimento, mas sobretudo nas grandes opções de vida. De resto, foram sete anos vividos com intensa Alegria, experiências inolvidáveis… e uma certa indisciplina q.b.


O Lyceu – Como vê a Educação hoje?

Albeto João Jardim – É a causa principal do actual impasse nacional. Não incentiva hábitos de trabalho, pouca exigência científica e cultural, falta de reconhecimento do Mérito, nada de Valores intrínsecos ao Povo Português, desconhecimento da Disciplina como valor democrático, inexistência de articulação com o mercado de Emprego. É pena, porque a Região Autónoma tem Professores capazes mas que a legislação colonial impede.


O Lyceu – Na sua opinião, de que modo as novas tecnologias são uma mais-valia para a aprendizagem do aluno?

Albeto João Jardim – São decisivas, mas têm que ser complementadas com um esforço de Formação ética, cívica e cultural dos Alunos. A próxima mudança de ciclo económico no arquipélago exigirá mais investimento privado, bem como uma posta prioritária nas Novas Tecnologias, no Turismo e nos Serviços. Considerando que, à partida, a Região Autónoma está penalizada pela exígua dimensão do mercado, pela dependência energética, pela absoluta dependência dos transportes externos, pela densidade populacional tripla dos Açores e do Continente, pela orografia que reduz a exploração das fracas potencialidades apenas a um terço do território insular e pela falta de poder legislativo adequado às circunstâncias, será preciso dar conteúdo profícuo e prático à palavra-chavão “Inovação”.

Testemunhos do Liceu: Raimundo Quintal


Espaço multicultural mas, sobretudo, testemunha do processo de socialização e de vida, a Escola assume um papel incontornável na vida de todos nós. Revivemo-lo nas conversas do quotidiano, actualizando episódios pitorescos, eternizando espaços, personagens e modos de aprender e ensinar…É da escola que temos cada vez mais saudade, passado o tempo do estudo e da alegre camaradagem, o que nos faz sentir, como o poeta, “raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!”O Liceu orgulha-se de ser esse espaço extraordinário de vivências e emoções de milhares de estudantes madeirenses. Quem são? Que recordam?


Nome: José Raimundo Gomes Quintal
Idade: 53 Anos
Profissão: Geógrafo e Investigador
Área de formação: Geografia


O Lyceu – Diz-se Liceu, vem a saudade. Que importância teve o Liceu na sua vida?

Raimundo Quintal – É evidente que o Liceu teve grande importância na minha vida, foi onde passei a minha adolescência, onde encontrei pessoas que foram marcantes na minha formação, como a Dr.ª Ângela de Matos, que foi minha professora durante quatro anos e foi decisiva na minha opção por esta área. Esta foi uma professora muito vanguardista, pois, na altura, já ensinava ecogeografia, antes mesmo de esse conceito exis-tir.
Aqui, nesta escola, muito mais importante do que os programas eram os professores, que nos ensinaram a encontrar um trilho para percorrermos. Foram alguns deles, a Dr.ª Ângela de Matos, já referida, a Drª. Eugénia Bonito e a Dr.ª Sara Cabral Fernandes.


O Lyceu – O que mais o marcou durante os anos de frequência do Liceu? (pessoas, espaços, ambientes, etc…)

Raimundo Quintal – O que mais me marcou, relativamente à época, foi o espírito de solidariedade, a cooperação que havia entre alunos, para superar as dificuldades da altura.
Quando queríamos, por exemplo, organizar um baile, não tínhamos acesso a subsídios. Nós éramos os responsáveis por rentabilizar os nossos próprios meios, por administrar os exíguos recursos financeiros. O que, de certa forma, nos dava uma noção mais clara da realidade.
Outro aspecto é o facto de as turmas, na altura, serem só masculinas ou femininas, o que não permitia o relacionamento homem – mulher, que é um factor importante na adolescência. Era como se houvesse duas escolas dentro da Escola.
Apesar das adversidades, se compararmos os dias de então com os de hoje, éramos muito solidários; agora, há uma forte concorrência pelas notas. Na altura, havia essa vantagem.


O Lyceu – Como vê a Educação hoje?

Raimundo Quintal – Vejo-a com optimismo moderado. A escola de hoje já não tem a função que tinha quando eu era aluno, a de fonte exclusiva de conhecimento. Com os meios de informação agora disponíveis, nomeadamente a T.V. e a Internet, à escola, fica reservado um papel diferente, o de ajudar a seleccionar a informação.


O Lyceu – Na sua opinião, de que modo as novas tecnologias são uma mais-valia para a aprendizagem do aluno?

Raimundo Quintal – Hoje, um aluno tem a possibilidade de recolher, com despesa reduzida, um manancial de informação que lhe permite compreender o Mundo, como a minha geração não conseguiu.
Contudo, há que olhar para as novas tecnologias não como um manancial para “copiar e colar”, mas como fonte de conhecimento e é necessário que sejamos críticos face à informação que elas difundem e que saibamos aproveitá-la e recriá-la.

Testemunhos do Liceu: Miguel Albuquerque


Espaço multicultural mas, sobretudo, testemunha do processo de socialização e de vida, a Escola assume um papel incontornável na vida de todos nós. Revivemo-lo nas conversas do quotidiano, actualizando episódios pitorescos, eternizando espaços, personagens e modos de aprender e ensinar…É da escola que temos cada vez mais saudade, passado o tempo do estudo e da alegre camaradagem, o que nos faz sentir, como o poeta, “raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!”O Liceu orgulha-se de ser esse espaço extraordinário de vivências e emoções de milhares de estudantes madeirenses. Quem são? Que recordam?

Nome: Miguel Filipe Machado de Albuquerque
Idade: 47 anos
Profissão: Advogado
Área de formação: Licenciado em Direito


O Lyceu – Diz-se Liceu, vem a saudade. Que importância teve o Liceu na sua vida?
Miguel Albuquerque – Uma grande importância. Sobretudo a nível dos valores da disciplina e da convivência, que enriquecem a nossa personalidade ao longo da vida.

O Lyceu – O que mais o marcou durante os anos de frequência do Liceu? (pessoas, espaços, ambientes, etc…)
Miguel Albuquerque –Indiscutivelmente as pessoas. Os colegas e os professores.

O Lyceu – Como vê a Educação hoje?
Miguel Albuquerque – Com algum cepticismo. Mas também com alguma esperança. A autoridade dos professores tem de ser rapidamente restabelecida. O mérito, o trabalho, a disciplina, o respeito pelos outros e o civismo são alicerces essenciais de um bom sistema de educação.

O Lyceu – Na sua opinião, de que modo as novas tecnologias são uma mais-valia para a aprendizagem do aluno?
Miguel Albuquerque – São uma mais valia. Mas não devem ser um instrumento de facilitismo ou de denegação da memória e do raciocínio.

Testemunhos do Liceu: Virgílio Pereira




Espaço multicultural mas, sobretudo, testemunha do processo de socialização e de vida, a Escola assume um papel incontornável na vida de todos nós. Revivemo-lo nas conversas do quotidiano, actualizando episódios pitorescos, eternizando espaços, personagens e modos de aprender e ensinar…É da escola que temos cada vez mais saudade, passado o tempo do estudo e da alegre camaradagem, o que nos faz sentir, como o poeta, “raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!”O Liceu orgulha-se de ser esse espaço extraordinário de vivências e emoções de milhares de estudantes madeirenses. Quem são? Que recordam?

Nome: Virgílio Higino Gonçalves Pereira
Idade: 67 Anos
Profissão: Professor Provisório do Ciclo Preparatório – actualmente aposentado da vida político-administrativa
Área de formação: Ciências


O Lyceu – Diz-se Liceu, vem a saudade. Que importância teve o Liceu na sua vida?
Virgílio Pereira – O Liceu foi o espaço preponderante onde se desenvolveu parte importante da minha infância e toda a minha adolescência. Além da família e da Sociedade, foi nele que talhei o esqueleto da minha personalidade, adquiri a base do meu conheci-mento e onde medraram as minhas capacidades e competências.

O Lyceu – O que mais o marcou durante os anos de frequência do Liceu? (pessoas, espaços, ambientes, etc…)
Virgílio Pereira – Durante a minha frequência do Liceu, marcou-me sobremaneira a descoberta da verdadeira amizade resultante da vivência em grupo e da convivência, valor que norteou toda a minha vida.

O Lyceu – Como vê a Educação hoje?
Virgílio Pereira – A Educação de hoje difere da que tive, em resultado da influência que vai sofrendo da modernidade. É potencialmente mais rica no campo da aquisição de conhecimento, mas é mais pobre no campo da defesa de valores, como a solidariedade e o respeito pelos que têm mais experiência de vida ou mais saber.

O Lyceu – Na sua opinião, de que modo as novas tecnologias são uma mais-valia para a aprendizagem do aluno?
Virgílio Pereira – As novas tecnologias proporcionam muito mais fontes de informação à Comunidade Escolar e a possibilidade de uma aprendizagem mais racional, ainda que tenham sido abusivamente usadas, em muitos casos, em desfavor de uma memorização equilibrada que, quanto a mim, continua a ser imprescindível na formação científica do Homem. Por outro lado, as novas tecnologias têm incentivado menores hábitos de leitura.

Testemunhos do Liceu: Sérgio Borges




Espaço multicultural mas, sobretudo, testemunha do processo de socialização e de vida, a Escola assume um papel incontornável na vida de todos nós. Revivemo-lo nas conversas do quotidiano, actualizando episódios pitorescos, eternizando espaços, personagens e modos de aprender e ensinar…É da escola que temos cada vez mais saudade, passado o tempo do estudo e da alegre camaradagem, o que nos faz sentir, como o poeta, “raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!”O Liceu orgulha-se de ser esse espaço extraordinário de vivências e emoções de milhares de estudantes madeirenses. Quem são? Que recordam?

Nome: Sérgio Borges
Idade: 64
Profissão: Cantor
Área de formação: Direito (12º Ano)


O Lyceu – Diz-se Liceu, vem a saudade. Que importância teve o Liceu na sua vida?

Sérgio Borges – “Mais uma vez se abrem as portas deste Liceu, para dar entrada a centenas de alunos que, em busca do Saber, acabam, para além disso, por criar uma vivência e um ciclo de Amizade que duram uma Vida”.
Fim de citação.

Mais palavra, menos palavra, este era o contexto, invariávelmente o mesmo, usado pelo então Reitor (décadas de 1950//1960), Ângelo Augusto da Silva, para saudar a abertura do novo ano lectivo e a entrada de novos alunos.
Quão verdadeiras se vieram a revelar as suas palavras!


O Lyceu – O que mais o marcou durante os anos de frequência do Liceu? (pessoas, espaços, ambientes, etc…)

Sérgio Borges – Então, agora e sempre – as pessoas.
08.30. Ano 1955. Outubro 7. Turma D. 1º ano. 1ª aula.
Prof. Figueiredo. C. Naturais. Austero. Alguém bate à porta. Era o nº 28, L. Manuel Olim, o único atrasado. Reprimenda.
Estávamos a iniciar o tal ciclo, de Amizades. Foi ele. Foi o António Almada Cardoso. Eram os gémeos Ameal, o Rui e o Nuno. O Bruno Brazão – indiscutível Chefe de turma.
Grandes Amigos que ainda o são!
Ao longo dos 8 anos de Liceu, três professores não irei esquecer nunca:

Margarida Morna – uma Senhora Professsora
Horácio Bento – Imprevisível. Brilhante.
Alfredo F. Nóbrega – Previsível. Altamente carismático.
Finalizando a resposta como comecei, as pessoas – Sempre!


O Lyceu – Como vê a Educação hoje?

Sérgio Borges – Diferente.
Nem é para mim relevante saber se melhor, se pior.
A Educação nunca pode ver passar ao lado os ventos da Mudança. Ela acontece.
E só não mudam as estátuas. Vejam bem o que os pombos lhes fazem!


O Lyceu – Na sua opinião, de que modo as novas tecnologias são uma mais-valia para a aprendizagem do aluno?

Sérgio Borges – Como diria La Palisse: “são uma mais valia”.
Os meus professoress atrás citados diziam que eu tinha um bom poder de síntese.
Provado está!

Testemunhos do Liceu: Paulo Santos


Espaço multicultural mas, sobretudo, testemunha do processo de socialização e de vida, a Escola assume um papel incontornável na vida de todos nós. Revivemo-lo nas conversas do quotidiano, actualizando episódios pitorescos, eternizando espaços, personagens e modos de aprender e ensinar…É da escola que temos cada vez mais saudade, passado o tempo do estudo e da alegre camaradagem, o que nos faz sentir, como o poeta, “raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!”O Liceu orgulha-se de ser esse espaço extraordinário de vivências e emoções de milhares de estudantes madeirenses. Quem são? Que recordam?


Nome: Paulo Sérgio Garanito Santos
Idade: 31 anos
Profissão: Jornalista
Área de formação: Licenciado em Biologia


O Lyceu – Diz-se Liceu, vem a saudade. Que importância teve o Liceu na sua vida?

Paulo Santos – O liceu surgiu na minha vida nos últimos três anos de escola, antes da entrada para a universidade. Foi o momento de transição da adolescência para idade adulta e sem dúvida uma oportunidade para contactar com um a escola cheia de tradição. Os valores, a história, a importância que a escola dá ao seu passado estiveram sempre patentes e são dados a conhecer aos alunos.
A existência dessas raízes e as ligações que criamos com os colegas e com a escola são fundamentais para o nosso futuro e para a nossa afirmação como adultos. Não deixa de ser um facto que, grande parte das personalidades de referência da Madeira das últimas décadas, foram estudantes ou professores do Liceu. Isso e as vivências estudantis são algo que nunca mais se esquece e que, por exemplo, têm o seu ponto alto na noite dos finalistas e na bênção das capas, que continua a ser a mais importantes de todas as escolas da Madeira.


O Lyceu – O que mais o marcou durante os anos de frequência do Liceu? (pessoas, espaços, ambientes, etc…)

Paulo Santos – Há dois lugares que sempre achei emblemáticos no Liceu, pela sua beleza e pela invocação que fazem da história escola. Um deles é o Largo do Museu, onde sempre me identifiquei com as peças mais antigas e curiosas e também porque foi um dos primeiros lugares que conheci, já que tive a minha primeira aula numa das salas dessa zona do edifício. O outro lugar é o pátio, onde no fundo conheci e contactei a maior parte dos meus colegas, onde namorei, onde eram combinadas as saídas com amigos.


O Lyceu – Como vê a Educação hoje?

Paulo Santos – A educação é um processo contínuo e por isso sempre a ser aperfeiçoado. Acho que as tecnologias e o acesso à informação tornam mais exigente o papel do professor e do estudante. O professor já não é o único veículo de conhecimento, ele é mais uma espécie de mentor de um processo de aprendizagem que deve pertencer ao estudante. No entanto parece-me que ao nível da formação académica os cursos de via ensino das faculdades deviam ter maior capacidade de adaptação a um mundo globalizado, porque penso ser aí que se pode intervir em todo o ciclo e processo educativo.


O Lyceu – Na sua opinião, de que modo as novas tecnologias são uma mais-valia para a aprendizagem do aluno?

Paulo Santos – As novas tecnologias são quase a linguagem universal da comunicação e aprendizagem. No entanto exigem que o aluno seja acompanhado por princípios e regras que o norteiem nesse acesso à informação, porque caso contrário o manancial de conhecimento pode ser tão grande que dificulta o processo de aprendizagem. Mas em suma creio que a tecnologia é imparável e por isso um parceiro privilegiado nas escolas.

Testemunhos do Liceu: Jorge Borges


Espaço multicultural mas, sobretudo, testemunha do processo de socialização e de vida, a Escola assume um papel incontornável na vida de todos nós. Revivemo-lo nas conversas do quotidiano, actualizando episódios pitorescos, eternizando espaços, personagens e modos de aprender e ensinar…É da escola que temos cada vez mais saudade, passado o tempo do estudo e da alegre camaradagem, o que nos faz sentir, como o poeta, “raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!”O Liceu orgulha-se de ser esse espaço extraordinário de vivências e emoções de milhares de estudantes madeirenses. Quem são? Que recordam?

Nome: Jorge António Camacho Borges
Idade: 56 Anos
Profissão: Professor do Ensino Secundário (Economia) e Músico
Área de formação: Licenciatura em Economia (ISE – Lisboa)


O Lyceu – Diz-se Liceu, vem a saudade. Que importância teve o Liceu na sua vida?
Jorge Borges – Frequentei o Liceu de Jaime Moniz durante sete anos a fio, de 1962/63 a 1968/69. No tempo do “Conjunto Académico de João Paulo”, dos “Beatles” e da guerra colonial. Dos dez aos dezassete anos. Todas as manhãs e algumas tardes. Assim, o Liceu foi, em anos absolutamente decisivos para a minha vida, a minha segunda casa. Aí consolidei hábitos de estudo, criei amizades duradouras e encontrei as primeiras namoradas. Aí vivi os melhores anos da minha juventude e me tornei o homem que sou. Aí abracei as grandes opções que emolduraram toda a minha existência: a formação em Ciências Económicas e a paixão pelo Piano e pela Música.

O Lyceu – O que mais o marcou durante os anos de frequência do Liceu? (pessoas, espaços, ambientes, etc…)
Jorge Borges – A esta distância de quatro décadas, retenho sobretudo, pela positiva, o convívio com os meus colegas e amigos, a minha iniciação musical e participação como pianista em duas récitas do antigo 7º ano com a banda de alunos “Caleidoscópio”, e a figura de uma grande Professora que teve a arte de me sensibilizar para a língua e lite-ratura portuguesas, a Dra. Margarida Morna. Pela negativa, alguns excessos de rigor disciplinar e a inadmissível separação entre alunos e alunas.

O Lyceu – Como vê a Educação hoje?
Jorge Borges – Com muita preocupação e indignação, face aos atentados à dignidade da classe docente, onde me incluo, perpetrados pelo Governo. O sucesso dos alunos ou o êxito de qualquer reforma passa inevitavelmente pela valorização do papel dos professores.

O Lyceu – Na sua opinião, de que modo as novas tecnologias são uma mais-valia para a aprendizagem do aluno?
Jorge Borges – Ninguém porá em causa a imensa importância das novas tecnologias na Educação, em particular como instrumentos de aprendizagem, de acesso à informação, de produção e partilha de informação, de comunicação. Errado será concluirmos daí que o papel do professor passa para plano secundário. Bem pelo contrário. A relação pedagógica e humana do professor com o aluno assume um papel ainda mais vital.

Testemunhos do Liceu: Bernardo Trindade


Espaço multicultural mas, sobretudo, testemunha do processo de socialização e de vida, a Escola assume um papel incontornável na vida de todos nós. Revivemo-lo nas conversas do quotidiano, actualizando episódios pitorescos, eternizando espaços, personagens e modos de aprender e ensinar…É da escola que temos cada vez mais saudade, passado o tempo do estudo e da alegre camaradagem, o que nos faz sentir, como o poeta, “raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!”O Liceu orgulha-se de ser esse espaço extraordinário de vivências e emoções de milhares de estudantes madeirenses. Quem são? Que recordam?

Nome: Bernardo Trindade
Idade: 38
Profissão: Economista
Exerce presentemente o cargo de Secretário de Estado do Turismo
Área de Formação: Economia

O Lyceu – Diz-se Liceu, vem a saudade. Que importância teve o Liceu na sua vida?

Bernardo Trindade – É de facto com saudade que recordo a frequência do Liceu Jaime Moniz. Representou o ingresso numa grande escola. Grande na verdadeira acepção da palavra. Edifício do Sec. XIX, onde, por norma, as divisões estavam pensadas para proporcionar qualidade de uso a quem as frequentava. Foi importante na minha formação cívica e humana. Uma infra-estrutura única para aprender, conviver, praticar desporto…namorar. Recordo que foi no Liceu que comecei a namorar a pessoa com quem estou casado há 16 anos. Tínhamos 16 anos – não sei se os alicerces do Liceu Jaime Moniz tiveram influência, mas a relação mantêm a intensidade dessa altura.



O Lyceu – O que mais o marcou durante os anos de frequência do Liceu? (pessoas, espaços, ambientes, etc…)

Bernardo Trindade – Recordo os professores: no 7º ano um professor de geografia cujo nome não recordo, que tinha como alcunha “o pantera”. Lembro-me de que nos obrigava literalmente a decorar definições como os pontos cardeais, a linha do horizonte, a la-titude, a longitude, etc.. A dificuldade não estava em compreender o conceito, mas em decorar palavra por palavra o que estava no caderno diário. Notas para professores por quem mantenho ainda hoje grande simpatia: Dr.ª Helena Rosa Gomes, Dr.ª Maria do Carmo Araújo, Prof. Miguel Pita, Dr.ª Violante Matos, Dr.ª Teresa Silva, Dr.ª Inês Costa Neves, entre outros.
Recordo a turma de 9º ano de Desporto – uma lição de vida! Para os alunos, uma animação – peripécias todos os dias; para os professores, uma aflição – a Dra. Águeda Lima teve uma paciência evangélica para suportar tanta insolência. Depois dessa experiência, lá se foram as boas notas (paulatinamente recuperadas...).
Quanto às instalações, ninguém fica indiferente ao enorme pátio com os arcos ao fundo, os tectos altíssimos e os ponteiros do relógio junto aos laboratórios e às instalações desportivas, do melhor que há. Sem dúvida, uma experiência marcante.


O Lyceu – Como vê a Educação hoje?

Bernardo Trindade – Vejo a Educação como um objectivo universal, uma educação que chegue a todos de modo inclusivo e democrático. Esta depara-se, hoje, com múltiplos desafios: responder a um mercado empregador cada vez mais exigente, responder às necessidades das famílias que confiam às escolas a formação e o futuro dos seus filhos e responder às ameaças do insucesso e do abandono.
Vejo a Educação de hoje como resultado e também como etapa de um processo contínuo, isto é, ela destina-se, de facto, a todos. Os níveis de escolarização actuais são incomparavelmente melhores do que há 20 ou 30 anos, mas o esforço no sentido de uma escola de qualidade continua a ser feito e estaremos, certamente, melhor dentro de 5 ou 10 anos.


O Lyceu – Na sua opinião, de que modo as novas tecnologias são uma mais-valia para a aprendizagem do aluno?

Bernardo Trindade – Para os jovens de hoje, as tecnologias já não são novas, fazem parte deles próprios, são indissociáveis. A utilização de tecnologias no sistema de Ensino é, assim, uma mais-valia em duas perspectivas:
1. Aproxima e motiva o estudante para a aprendizagem;
2. Permite e facilita a acessibilidade à informação, estabelecendo novas abordagens impensáveis pelos métodos tradicionais.
Neste sentido e na área que tutelo, temos feito uma aposta determinada na modernização das Escolas de Hotelaria e Turismo, reformulando currículos, reestruturando as escolas, disponibilizando recursos tecnológicos como computadores, acesso à Internet e instalação de quadros interactivos, aliás, como previsto no Plano Tecnológico da Educação, ao qual aderimos.

Testemunhos do Liceu: Emanuel Jardim Fernandes


Espaço multicultural mas, sobretudo, testemunha do processo de socialização e de vida, a Escola assume um papel incontornável na vida de todos nós. Revivemo-lo nas conversas do quotidiano, actualizando episódios pitorescos, eternizando espaços, personagens e modos de aprender e ensinar…É da escola que temos cada vez mais saudade, passado o tempo do estudo e da alegre camaradagem, o que nos faz sentir, como o poeta, “raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!”O Liceu orgulha-se de ser esse espaço extraordinário de vivências e emoções de milhares de estudantes madeirenses. Quem são? Que recordam?

Nome: Emanuel Jardim Fernandes
Idade: 64 anos
Profissão: Advogado e Deputado do Parlamento Europeu
Área de formação: Licenciatura em Direito

O Lyceu – Diz-se Liceu, vem a saudade. Que importância teve o Liceu na sua vida?

Emanuel Jardim Fernandes – O Liceu de Jaime Moniz foi foi um marco fundamental na minha vida e na minha formação. Recordo a satisfação da minha entrada no Liceu, em Outubro de 1954. Não no dia 1, como previra e desejava, mas no dia 15. A gripe asiática levara a que a abertura das aulas tivesse de ser adiada. Foi a minha primeira saída de casa. O ensino secundário só funcionava no Funchal. Penso hoje e fui formando essa ideia, já no Liceu, que a formação, no seu sentido amplo, resulta muito do que se recebeu e partilhou, na família, na escola, nos grupos de amigos, na vivência de situações concretas. A passagem pelo Liceu de Jaime Moniz foi muito rica e fundamental para a minha formação e para as fases seguintes, na universidade, no cumprimento do serviço militar e na minha vida profissional e política. Muitos dos amigos de Liceu, como alguns da instrução primária, no Seixal e, depois na universidade e na vida profissional e política, são os que ainda hoje guardo no meu coração e na minha memória. É no Liceu que faço a minha primeira saída da Madeira, às Canárias, numa viagem de finalistas. É no Liceu que sou sensibilizado para as questões sociais, no 4º ano, por participação em acções de apoio aos mais pobres, uma delas para resolver um problema de habitação, estimulado, como muitos amigos e muitos colegas, pelo Padre Mata, então professor de moral e dinamizador de movimentos de jovens estudantes e operários. Foi ainda no período de Liceu que conheci a Madeira no seu todo, nas suas belezas, mas também com suas dificuldades, já que tínhamos o hábito de, com frequência, dar passeios, em grande parte a pé, nas zonas povoadas da ilha, mas também nas serras da Madeira e Porto Santo.


O Lyceu – O que mais o marcou durante os anos de frequência do Liceu? (pessoas, espaços, ambientes, etc…)

Emanuel Jardim Fernandes – Os sete anos que passei no Liceu de Jaime Moniz são apenas um pouco menos de um décimo da minha vida, mas foram marcantes e, certamente, decisivos para o meu percurso e para a formação da minha personalidade. Os valores que procurei e ainda procuro seguir, o sentido de responsabilidade, a prática da tolerância, a disponibilidade para a solidariedade, o valor da amizade, a partilha, o respeito pelos outros, pela diferença, a procura de novos conhecimentos, o sentido que não somos nem sabemos tudo foram sendo consolidados nesse período que não pode ser esquecido. Pelo contrário, está vivo. É e será sempre motivo de recordação, saudade e gratificação. Era diferente a vida de um jovem do meu tempo e a de hoje. Nas disponibilidades, nos meios de transporte, na diversão, embora talvez com o mesmo espírito de vivência. Como esquecer a abertura de uma turma mista, no 4º e 5º ano de Liceu (1957-1958-1959), a única que juntava os excedentes das outras duas turmas, uma de rapazes e outra de raparigas, que funcionava numa sala de espera da Reitoria. Foi uma espécie de turma percursora do que veio, muito mais tarde, a ser prática normal, a participação sem distinção de sexos, na escola. Como esquecer as idas à neve, no Poiso e Pico do Arieiro, quando era possível lá chegar, que eram motivo de suspensão de aulas para gozarmos essa maravilha que uma terra temperada como a nossa só raras vezes propiciava. Não esqueço, ainda, momentos marcantes que acompanhei nesse tempo e que, contribuíram para o despertar da consciência politica, como o assalto do Santa-Maria, um verdadeiro terramoto na contestação ao regime ditatorial e a invasão pela Índia dos territórios portugueses de Goa, Damão e Índia, que suscitou a ordem de Salazar para resistir até ao último momento e originou, na Madeira (como noutros pontos do País), uma manifestação "espontaneamente" organizada a que os jovens foram "chamados" a participar. De tal forma que, quando em 1961 chego à faculdade participo na greve de estudantes, durante a crise académica de 61-62 e no movimento associativo estudantil.


O Lyceu – Como vê a Educação hoje?

Emanuel Jardim Fernandes – Falar do Liceu, dos nossos dias, e da educação em geral é falar de uma experiência diferente. São outros os meios, a conjuntura, o enquadramento dos alunos. A primeira e grande diferença no sector da Educação, quando observamos a prática actual e a da década de cinquenta, deriva do 25 de Abril, do fim da ditadura e da instauração da Democracia.
A democratização do ensino foi a primeira das consequências e o primeiro dos objectivos da Revolução dos Cravos.
Com a Democracia e com a constituição de 1976, vem a Autonomia que abre condições à descentralização do Ensino na Madeira. Alarga-se o número de escolas, no Funchal e nas zonas rurais. A população estudantil aumenta. O Liceu de Jaime Moniz continua, no entanto, a assumir a sua função, com responsabilidades acrescidas, mas não já com a predominância e exclusividade que tinha no meu tempo de Liceu. Estou certo de que continuará a assumir um papel de referência na formação da juventude madeirense, havendo motivo para preparar as suas Bodas de Diamante, em 2014.
A Educação está melhor, sobretudo, porque chega a mais jovens e prepara-os para saídas mais alargadas. A Educação e a formação, dos jovens e da população em geral continuam a ser o desafio mais estimulante e mais decisivo para o futuro desenvolvimento da nossa região, das nossas empresas, das cidadãs e dos cidadãos madeirenses em geral. A melhoria da qualificação deve ser a prioridade das prioridades para o futuro da Região Autónoma da Madeira, necessariamente integrada no País, na União Europeia e no Mundo.
A Educação exige uma permanente actualização. A avaliação do sucesso e eficácia do sistema educativo, a preparação e exercício das suas reformas, sempre que necessárias, como acontece hoje, exige a participação de todos os actores, alunos, famílias, professores, quadros envolvidos, mas, também, a ponderada e oportuna responsabilidade do Governo e das demais autoridades Pública, a todos os níveis, nacional, regional, local, mas também europeia.


O Lyceu – Na sua opinião, de que modo as novas tecnologias são uma mais-valia para a aprendizagem do aluno?

Emanuel Jardim Fernandes – Em meu entender, as novas tecnologias são fundamentais para o desenvolvimento da sociedade madeirense e da Região.
Os jovens têm de obter qualificação profissional e é responsabilidade das escolas, das universidades e dos demais parceiros sociais colaborarem para tal, utilizando, também, as novas tecnologias e promovendo a investigação e a inovação. É o que tenho defendido no Parlamento Europeu.
É evidente que este é um dos aspectos em que a Educação é diferente, mas tem de o ser, uma vez que a própria sociedade evolui, porque o Mundo também. Até porque as novas tecnologias trazem desenvolvimento.

Testemunhos do Liceu: Sérgio Marques


Espaço multicultural mas, sobretudo, testemunha do processo de socialização e de vida, a Escola assume um papel incontornável na vida de todos nós. Revivemo-lo nas conversas do quotidiano, actualizando episódios pitorescos, eternizando espaços, personagens e modos de aprender e ensinar…É da escola que temos cada vez mais saudade, passado o tempo do estudo e da alegre camaradagem, o que nos faz sentir, como o poeta, “raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!”O Liceu orgulha-se de ser esse espaço extraordinário de vivências e emoções de milhares de estudantes madeirenses. Quem são? Que recordam?

Nome: Sérgio Marques
Idade: 51 anos
Profissão: Deputado do Parlamento Europeu
Área de formação: Licenciatura em Direito

O Lyceu – Diz-se Liceu, vem a saudade. Que importância teve o Liceu na sua vida?

Sérgio Marques - Enorme importância! Porque o Liceu ajudou-me a crescer: crescimento físico, psicológico e emocional. Depois porque me formou, me preparou e me qualificou para a vida activa e para a cidadania. Muito do que sou hoje devo ao Liceu.


O Lyceu - O que mais o marcou durante os anos de frequência do Liceu? (pessoas, espaços, ambientes, etc…)

Sérgio Marques - A experiência de socialização e aprendizagem que vivi no Liceu foi única. Marcou-me a cultura da instituição assente em valores como os do trabalho, exigência, mérito, disciplina e iniciativa individual. Mas marcou-me também a excelente qualidade global da escola, desde as instalações ao corpo docente e trabalhadores au-xiliares.
Mas acima de tudo marcou-me os grandes professores que tive o privilégio de ter e as amizades que fiz, muitas que ainda perduram.


O Lyceu - Como vê a Educação hoje?

Sérgio Marques - Com preocupação. Porque estamos ainda muito longe de ter resolvido os problemas decorrentes da democratização do sistema tornada possível com a Revolução do 25 de Abril de 1974.
Há que fazer tudo para garantir a excelente qualidade de antes num contexto de acesso generalizado à Educação.


O Lyceu - Na sua opinião, de que modo as novas tecnologias são uma mais-valia para a aprendizagem do aluno?

Sérgio Marques - Constituem apenas um instrumento fácil de acesso por parte dos alunos à informação e ao conhecimento. São portanto uma mais valia para a aprendizagem do aluno. Mas não dispensam de forma nenhuma o papel crucial que a Escola desempenha no processo de aprendizagem dirigido para o saber ser, estar, fazer e inovar.

Testemunhos do Liceu: João Cunha e Silva



Espaço multicultural mas, sobretudo, testemunha do processo de socialização e de vida, a Escola assume um papel incontornável na vida de todos nós. Revivemo-lo nas conversas do quotidiano, actualizando episódios pitorescos, eternizando espaços, personagens e modos de aprender e ensinar…É da escola que temos cada vez mais saudade, passado o tempo do estudo e da alegre camaradagem, o que nos faz sentir, como o poeta, “raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!”O Liceu orgulha-se de ser esse espaço extraordinário de vivências e emoções de milhares de estudantes madeirenses. Quem são? Que recordam?


Nome: João Carlos Cunha e Silva
Idade: 50 anos
Profissão: Advogado, presentemente a exercer as funções de Vice-Presidente do Governo Regional da Madeira
Área de formação: Licenciatura em Direito

O Lyceu - Diz-se Liceu, vem a saudade. Que importância teve o Liceu na sua vida?

João Cunha e Silva - A palavra saudade surge associada ao Liceu, mas sobretudo também por trazer à memória os tempos passados de uma juventude fantástica, de uma geração que cresceu e se formou no Liceu em tempos historicamente conturbados.
Guardo do Liceu a memória das lições que nele recebi de um conjunto de professores notável, que em muito influenciaram positivamente a formação da personalidade de uma geração de jovens que a todos eles hoje muito devem.
E a experiência única de ter vivido por dentro a fase mais efervescente da história do Liceu do Funchal, em pleno período revolucionário que se sucedeu ao 25 de Abril de 1974.


O Lyceu - O que mais o marcou durante os anos de frequência do Liceu? (pessoas, espaços, ambientes, etc…)

João Cunha e Silva - Obviamente que o mais marcante dos anos de frequência do Liceu são as pessoas e toda uma convivência que ainda hoje recordo com particular saudade, sobretudo nos momentos de reencontro. Refiro-me a todos, desde os colegas a professores e funcionários, alguns destes imagino que ainda hoje continuam ao serviço do Liceu.


O Lyceu - Como vê a Educação hoje?

João Cunha e Silva - Como qualquer português, com preocupação. Creio que a nível regional estamos num patamar distinto, para melhor, daquilo que se faz e passa no país, mas não podemos fechar os olhos e ignorar a realidade nacional, assobiando para o lado e fingindo que não se conhece a realidade.
Para mim, como ex-aluno de um tempo diferente, é inadmissível que aconteçam episódios como os que ultimamente foram conhecidos, que são a constatação de uma inaceitável falta de respeito e de uma completa inversão de valores.
Algo vai mal quando chegamos a este ponto, que ilustra um bater no fundo do poço, e que diz muito do país em que vivemos…


O Lyceu - Na sua opinião, de que modo as novas tecnologias são uma mais-valia para a aprendizagem do aluno?

João Cunha e Silva - As novas tecnologias são cruciais não apenas para o processo de aprendizagem do aluno, mas também e sobretudo para o futuro da sociedade e da economia madeirense.
Como região ultraperiférica que somos, pequena, afastada dos grandes centros e ca-racterizada pela sua orografia difícil, temos de apostar em novos paradigmas que nos permitam mudar o modelo de desenvolvimento que temos vindo a desenvolver até agora.
Temos claramente de apostar na economia e sociedade do conhecimento, no imaterial, em tudo o que seja novas tecnologias geradoras de maior valor acrescentado. É isso que temos feito.
Passámos do discurso à prática, e isso vê-se desde logo nos bancos da escola: estamos claramente à frente da média nacional no rácio de computador por aluno, e vamos continuar a apostar na educação dos jovens como factor crítico de sucesso da Região.
Basicamente, o nosso objectivo e o que fixámos como meta a atingir é que os nossos alunos, quando atinjam o ensino universitário, possam, por esta via, distinguir-se dos demais pelo facto de serem portadores de uma mais-valia que é efectivamente um fa-ctor de diferenciação positivo.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Testemunhos do Liceu: Paula Figueira


Espaço multicultural mas, sobretudo, testemunha do processo de socialização e de vida, a Escola assume um papel incontornável na vida de todos nós. Revivemo-lo nas conversas do quotidiano, actualizando episódios pitorescos, eternizando espaços, personagens e modos de aprender e ensinar…É da escola que temos cada vez mais saudade, passado o tempo do estudo e da alegre camaradagem, o que nos faz sentir, como o poeta, “raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!”O Liceu orgulha-se de ser esse espaço extraordinário de vivências e emoções de milhares de estudantes madeirenses. Quem são? Que recordam?


Nome: Paula Marília Faria e Freitas Gomes Figueira
Idade: 40 anos
Profissão: Bióloga
Área de formação: Biologia (Ensino da Biologia)


O Lyceu – Diz-se Liceu, vem a saudade. Que importância teve o Liceu na sua vida?

Paula Figueira – Muita importância, foi aqui que frequentei os três anos do Secundário, aqui encontrei Docentes que me ensinaram muitas coisas que procuro transmitir, foi aqui que encontrei colegas que posteriormente foram colegas de curso e se tornaram amigos. Também foi no Liceu que leccionei pela primeira vez, aprendendo muito.

O Lyceu – O que mais o marcou durante os anos de frequência do Liceu? (pessoas, espaços, ambientes, etc…)

Paula Figueira – A boa organização, o bom ambiente entre Colegas e Professores, as pessoas, tal como já referi, e bons Docentes que me motivaram para ir mais além e oproporcionar aos alunos boas experiências.

O Lyceu – Como vê a Educação hoje?

Paula Figueira – É uma Educação que deve ir ao encontro das ideias dos Alunos, das suas preocupações e expectativas. É uma Educação de teve de se adaptar à evolução dos tempos, aos diferentes tipos de alunos que frequentam o Escola, sem esquecer o rigor, a disciplina, o respeito e a lealdade.

O Lyceu – Na sua opinião, de que modo as novas tecnologias são uma mais valia para a aprendizagem do aluno?

Paula Figueira – As novas tecnologias servem para transmitir mais rapidamente os co-nhecimentos, facilitam o ensino/aprendizagem num ritmo acelerado, devem aproximar o Docente aos Alunos e motivar os alunos para o estudo e a aprendizagem quando, por vezes, com métodos tradicionais não é conseguido.

Testemunhos do Liceu: Conceição Estudante


Espaço multicultural mas, sobretudo, testemunha do processo de socialização e de vida, a Escola assume um papel incontornável na vida de todos nós. Revivemo-lo nas conversas do quotidiano, actualizando episódios pitorescos, eternizando espaços, personagens e modos de aprender e ensinar…É da escola que temos cada vez mais saudade, passado o tempo do estudo e da alegre camaradagem, o que nos faz sentir, como o poeta, “raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!”O Liceu orgulha-se de ser esse espaço extraordinário de vivências e emoções de milhares de estudantes madeirenses. Quem são? Que recordam?



Nome: Conceição Almeida Estudante
Idade: 56 Anos
Profissão: Secretária do Governo da Madeira para o Turismo e Transporte
Área de formação: Licenciatura em Direito e pós-graduação em Administração Hospitalar



O Lyceu – Diz-se Liceu, vem a saudade. Que importância teve o Liceu na sua vida?

Conceição Estudante – «O Liceu foi uma passagem de dois breves anos que cumpriu a minha formação de base e garantiu o meu acesso ao ensino superior. Tendo sido um período curto foi muito marcante pois alterou uma postura de grande protecção, em termos de aprendizagem e estudo, proporcionado pelo ensino particular, donde eu provi-nha, para uma maior responsabilização individual motivada pela dimensão e desagregação de turmas e pelo inevitável afastamento e rotatividade de professores. O liceu foi assim a ponte adequada que me preparou para a brusca e agressiva mudança do ensino universitário e, por isso mesmo, teve um papel muito importante na minha vida.»

O Lyceu – O que mais o marcou durante os anos de frequência do Liceu? (pessoas, espaços, ambientes, etc…)

Conceição Estudante – «O Liceu era também para todos nós «o 7º ano» e toda a mística que então o rodeava. Envolvia a «bênção das capas», o «baile», a «festa da madri-nha», o «cortejo» para angariação de fundos, a «récita» e a «viagem». Grandes momentos de um ano em que a componente lúdica ocupava um grande espaço a par da actividade lectiva! Os brandos e rígidos hábitos sociais de então - sobretudo no que às meninas dizia respeito - sofriam algumas oscilações e perturbações ansiadas por todos nós... Esses aspectos, que constituíam altos riscos para o rendimento escolar, são parte indissociável do mosaico de memórias do liceu. Dos professores direi que havia figuras incontornáveis, que não nomearei para não ferir susceptibilidades, quer pela excelência da pedagogia e do conhecimento de alguns, quer pelas características ou excentricidades pessoais de outros e que iam do conservadorismo excessivo a algumas posturas e ideias progressistas ( para a época!) . Todos, a seu modo, contribuíram para a nossa formação e crescimento humano e social e são partes inesquecíveis desse período de vida.»

O Lyceu – Como vê a Educação hoje?

Conceição Estudante – «A Educação hoje como então é sempre um processo complexo, dinâmico e, acima de tudo, um desafio para toda a comunidade. Não começa nem acaba na escola mas na casa de cada um. Passa hoje por maior e mais alargado número e variedade de meios, nomeadamente pelos de comunicação social cuja influência deve ser tomada em consideração no processo educativo e de formação humana. A escola e os seus agentes nomeadamente os professores, têm por isso de estar capacitados para gerir todas as influências de um meio envolvente, hoje, muito mais aberto e exigente do que em épocas anteriores, o que, naturalmente, aumenta o número de variáveis e a complexidade da sua intervenção.»

O Lyceu – Na sua opinião, de que modo as novas tecnologias são uma mais-valia para a aprendizagem do aluno?

Conceição Estudante – «As novas tecnologias não podem ser ignoradas na vida de hoje e, como tal, os processos educativos têm de lhes dar a devida atenção, quer na vertente de instrumento de ensino tradicional, quer na sua utilização com ferramenta de descoberta e ligação ao mundo exterior As crianças e jovens deste tempo são especialmente sensíveis e dotadas para a utilização de computadores como instrumentos de lazer e de trabalho, pelo que essa apetência deve ser adequadamente instrumentalizada a seu favor e para obtenção de bons objectivos de formação e qualificação.»

Testemunhos do Liceu: Elsa Gomes


Espaço multicultural mas, sobretudo, testemunha do processo de socialização e de vida, a Escola assume um papel incontornável na vida de todos nós. Revivemo-lo nas conversas do quotidiano, actualizando episódios pitorescos, eternizando espaços, personagens e modos de aprender e ensinar…É da escola que temos cada vez mais saudade, passado o tempo do estudo e da alegre camaradagem, o que nos faz sentir, como o poeta, “raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!”O Liceu orgulha-se de ser esse espaço extraordinário de vivências e emoções de milhares de estudantes madeirenses. Quem são? Que recordam?

Nome: Elsa Gomes
Idade: 42 anos
Profissão: Quadro Técnico da Administração Pública
Área de formação: História, Ramo de Formação de Formação Educacional, da Faculdade de Letras de Lisboa, na Extensão da Madeira


O Lyceu – Diz-se Liceu, vem a saudade. Que importância teve o Liceu na sua vida?

Elsa Gomes – Herdeira do 25 de Abril e da democratização do ensino, orgulho-me de ter sido aluna da Escola Secundária Jaime Moniz. Aliás, designo-a sempre assim. Por teimosia e muita convicção. Não é tanto o belo edifício cor-de-rosa que me assoma à memória, quando desta minha escola se fala mas, antes, “O Girassol”. Surpreendentemente, descubro que recordo, afinal, o espaço, as salas, os momentos, os amigos, os meus professores, todos.Nesse tempo e nesse lugar, adolescente com pressa de crescer, descobri-me e fui descobrindo o mundo. Entre pares, defendi causas e revoltei-me com as injustiças do mundo. Fui, ali, aprendiz da vida, coisa que, ao que parece, não se deixa nunca de ser.

O Lyceu – O que mais o marcou durante os anos de frequência do Liceu? (pessoas, espaços, ambientes, etc…)

Elsa Gomes – Foram, sem dúvida, as pessoas, o que mais me marcou naquela “passagem”. Guardo, da turma, os momentos de convivência, os sonhos, os risos, as alegrias, as lembranças que os vinte e tantos anos que passaram não quiseram esmorecer. Guardo a segurança das confidências e as cumplicidades com as amigas, as que ainda hoje me tocam o coração nos encontros casuais e apressados do dia-a-dia.Guardo, dos professores, com gratidão, a memória daqueles que, pelo seu fascínio, pela sua doação, pela sua convicção e entusiasmo, pela sua competência, me guiaram e orientaram nas minhas escolhas e que me inspiram ainda hoje.

O Lyceu – Como vê a Educação hoje?

Elsa Gomes – A Educação é hoje um desafio, uma grande esperança e, talvez, mais do que nunca, o maior valor da sociedade.No actual cenário de globalização, a competitividade da economia é essencial, sobretudo, quando dela dependem a coesão social, a cooperação e a solidariedade. Assim, quando a Europa assume, politicamente, que o Conhecimento será a sua vantagem competitiva, e define os indicadores e as metas para atingir esse objectivo estratégico, está, incontestavelmente, a apostar em capital intelectual, está empenhada nas pessoas e na sua qualificação. Todas as grandes medidas de política educativa europeia, de que decorrem, necessaria-mente, as políticas nacionais e regionais, vão, pois, no sentido de uma melhor qualificação em matérias consideradas fundamentais para a competitividade e para a economia, mas procuram também o sucesso social, com equidade e melhor cidadania, para todos.É a própria sociedade que reconhece, finalmente, aos profissionais da educação, a competência e o potencial para operar essa mudança, com quem partilha, aliás, a respon-sabilidade e o compromisso.Participar pró-activamente neste desafio será mais do que uma manifestação de profissionalismo. Abraçar esta causa, humanista também, é aceitar desenvolver-se permanentemente, acreditar no seu próprio valor pessoal e colocá-lo ao serviço do bem comum, de cada um e de todos os nossos futuros cidadãos.

O Lyceu – Na sua opinião, de que modo as novas tecnologias são uma mais valiapara a aprendizagem do aluno?

Elsa Gomes – As TIC são uma mais valia para a aprendizagem do aluno, quando cons-tituem efectivas fontes de conhecimento, de informação e de comunicação, usadas com segurança e sentido crítico. As tecnologias da informação e comunicação são um dado adquirido no panorama actual e, serão, certamente, e a muito breve trecho, condição sine qua non da aprendizagem e da formação. As pessoas, uma vez mais, e neste caso os professores, farão a diferença, ao assumirem a grave responsabilidade de mentores e guias nessa aprendizagem veloz e sem fronteiras.