Mostrar mensagens com a etiqueta 2008. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 2008. Mostrar todas as mensagens
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Rostos do Liceu: Roberto Nóbrega

O Lyceu: Fala-nos do Roberto Nóbrega, do seu projecto de vida, dos seus sonhos, dos seus gostos…
Roberto Nóbrega: Sou um jovem “normal”. Neste momento, frequento o 11º ano, tendo como objectivo seguir Medicina. Ajudar o próximo é algo que sempre me deu satisfação, daí o sonho que tento concretizar.
Em paralelo com os estudos, pratico atletismo. Nos meus tempos livres - que são bem poucos – gosto de passear, experimentar outros desportos e, principalmente, dar uma boa gargalhada com os amigos. Sublinho o papel importante do humor na minha vida: sem ele, seria bem mais difícil ultrapassar certos “acidentes de percurso”.
O. L.: Como nasceu a tua apetência pelo Atletismo?
Roberto Nóbrega: Desde sempre que amo desporto. Comecei pelo Futebol, pratiquei Basquetebol, passei pelo Andebol, até que me rendi ao Atletismo.
No 8º ano, o meu professor de Educação Física era responsável pelo núcleo da modalidade lá na escola. Como se não bastasse, a minha curiosidade pelo mais completo dos desportos, vim a receber um convite para participar numa concentração. Aquando dessa participação, consegui uns resultados deveras “engraçados”… Passei o resto desse ano e o seguinte a ir a provas sem qualquer compromisso com clubes. No ano transacto, ingressei na Associação Desportiva e Recreativa de Água de Pena (ADRAP), onde comecei a treinar diariamente com grandes valores do atletismo regional, o que me fez evoluir rapidamente.
Neste momento, continuo a treinar junto de um grupo de trabalho bastante promissor que, tal como eu, tem objectivos elevados para um futuro próximo.
O. L.: Descreve o Atletismo enquanto actividade desportiva.
Roberto Nóbrega: Geralmente, as pessoas associam o Atletismo somente ao acto de correr longas distâncias, contudo, a modalidade tem muito mais para oferecer. Como já referi, esta actividade desportiva apresenta um sem-número de disciplinas que desenvolve e põe à prova as três capacidades físicas mais importantes no ser humano: correr, saltar e lançar. Por alguma razão, o Atletismo é a prova rainha dos Jogos Olímpicos!
Este desporto é como que uma filosofia de vida. O acto de ultrapassar uma barreira ou uma fasquia não é mais do que um treino para ultrapassar os obstáculos do quotidiano… A vontade de saltar mais longe e mais alto é equiparável à vontade de realizar sonhos, de tornar o difícil realidade. Há que ser persistente e dedicado para concretizar as metas impostas. Aquele que é incapaz de entender que sem trabalho não há resultados (de qualidade), jamais vingará no Atletismo ou em qualquer outro momento da sua existência.
O. L.: Ser um desportista de alta competição é um desafio? Até que ponto?
Roberto Nóbrega: Do ponto de vista técnico, ser desportista com estatuto de alta competição está à distância da – simples – realização de uma marca exigida. Na minha perspectiva, a alta competição significa enfrentar atletas que se dedicam a cem por cento à modalidade. São jovens que passam uma parte relativamente grande do seu tempo a “respirar” Atletismo.
O principal desafio é superar as nossas próprias capacidades. O mais leve é observar e comparar a superação do adversário. É esta acção que dita a diferença entre o 1º do 2º lugares, embora eu defenda que o verdadeiro vencedor é aquele que se excede por mais larga margem…
O. L.: Como consegues conciliar a alta competição, no que se refere às tuas participações em torneios internacionais, com a vida escolar?
Roberto Nóbrega: Esta é, indubitavelmente, a parte mais difícil. É muito desgastante treinar 13 horas semanais (sem contar com a competição aos fins-de-semana e com o tempo dispendido em deslocações) e, ainda assim, conseguir notas razoáveis. Participar em eventos internacionais é extremamente compensador, estes têm, porém, durações de uma semana, o que faz com que eu falte a imensas aulas. O segredo é manter-me concentrado e organizado para que as perdas sejam de menor dimensão. Contudo, o meu desempenho académico acaba sempre por ser limitado.
O.L.: Vale a pena ser um atleta de alta competição, quer em termos de pessoais quer em termos profissionais?
Roberto Nóbrega: Em termos pessoais, o desporto tem-me ensinado a lidar com grandes pressões e a dar a volta por cima de determinados problemas. Viajo regularmente e isso é óptimo, dado que tenho oportunidade de conhecer outros lugares, outras pessoas e as suas realidades.
Ao nível profissional, espero poder contar com o estatuto para a entrada na universidade. Afinal, todo o tempo dispensado na representação da Madeira e, futuramente de Portugal, deve ser recompensado.
O.L.: Certamente que já és considerado uma referência para os Madeirenses, tendo em conta o teu palmarés. Como lidas com essa “fama”? É fácil geri-la?
Roberto Nóbrega: Eu não diria “fama”, mas, sim, experiência. Convencionalmente, a fama faz com que um indivíduo esqueça a sua verdadeira identidade e se sobrevalorize. Pessoalmente, sei que não sou melhor do que os meus colegas; apenas posso ter alguma experiência que eles ainda não possuam. Contudo, tento transmitir e receber conhecimentos. Se eu tiver alguma fama, é certamente a de puxar pelo adversário.
O. L.: Que mensagem deixas aos teus colegas da Jaime Moniz e para os jovens em geral?
Roberto Nóbrega: Em primeiro lugar, gostaria de deixar um incentivo à prática do Atletismo e alertar a que não se pense que é necessário correr depressa ou ser atlético para poder competir. Basta ter vontade! Decerto que, entre tantas disciplinas dentro da modalidade, haverá uma que se adapte às capacidades de cada um. Além disso, existem por aí imensos desportistas, nomeadamente, futebolistas, que passam os dias a “aquecer o banco” quando têm capacidade para conseguir grandes resultados nesta actividade. Experimentar não custa nada!
Por fim, peço a todos que não desistam dos vossos sonhos e projectos de vida por mais longe que eles possam aparentar. Podemos nunca alcançá-los, mas nada nos tira o direito de olhar lá para o alto e apreciar a beleza de tais aspirações, acreditar nelas, seguir na sua direcção… e, efectivamente, realizá-las! O importante é continuar a lutar…
Roberto Nóbrega: Sou um jovem “normal”. Neste momento, frequento o 11º ano, tendo como objectivo seguir Medicina. Ajudar o próximo é algo que sempre me deu satisfação, daí o sonho que tento concretizar.
Em paralelo com os estudos, pratico atletismo. Nos meus tempos livres - que são bem poucos – gosto de passear, experimentar outros desportos e, principalmente, dar uma boa gargalhada com os amigos. Sublinho o papel importante do humor na minha vida: sem ele, seria bem mais difícil ultrapassar certos “acidentes de percurso”.
O. L.: Como nasceu a tua apetência pelo Atletismo?
Roberto Nóbrega: Desde sempre que amo desporto. Comecei pelo Futebol, pratiquei Basquetebol, passei pelo Andebol, até que me rendi ao Atletismo.
No 8º ano, o meu professor de Educação Física era responsável pelo núcleo da modalidade lá na escola. Como se não bastasse, a minha curiosidade pelo mais completo dos desportos, vim a receber um convite para participar numa concentração. Aquando dessa participação, consegui uns resultados deveras “engraçados”… Passei o resto desse ano e o seguinte a ir a provas sem qualquer compromisso com clubes. No ano transacto, ingressei na Associação Desportiva e Recreativa de Água de Pena (ADRAP), onde comecei a treinar diariamente com grandes valores do atletismo regional, o que me fez evoluir rapidamente.
Neste momento, continuo a treinar junto de um grupo de trabalho bastante promissor que, tal como eu, tem objectivos elevados para um futuro próximo.
O. L.: Descreve o Atletismo enquanto actividade desportiva.
Roberto Nóbrega: Geralmente, as pessoas associam o Atletismo somente ao acto de correr longas distâncias, contudo, a modalidade tem muito mais para oferecer. Como já referi, esta actividade desportiva apresenta um sem-número de disciplinas que desenvolve e põe à prova as três capacidades físicas mais importantes no ser humano: correr, saltar e lançar. Por alguma razão, o Atletismo é a prova rainha dos Jogos Olímpicos!
Este desporto é como que uma filosofia de vida. O acto de ultrapassar uma barreira ou uma fasquia não é mais do que um treino para ultrapassar os obstáculos do quotidiano… A vontade de saltar mais longe e mais alto é equiparável à vontade de realizar sonhos, de tornar o difícil realidade. Há que ser persistente e dedicado para concretizar as metas impostas. Aquele que é incapaz de entender que sem trabalho não há resultados (de qualidade), jamais vingará no Atletismo ou em qualquer outro momento da sua existência.
O. L.: Ser um desportista de alta competição é um desafio? Até que ponto?
Roberto Nóbrega: Do ponto de vista técnico, ser desportista com estatuto de alta competição está à distância da – simples – realização de uma marca exigida. Na minha perspectiva, a alta competição significa enfrentar atletas que se dedicam a cem por cento à modalidade. São jovens que passam uma parte relativamente grande do seu tempo a “respirar” Atletismo.
O principal desafio é superar as nossas próprias capacidades. O mais leve é observar e comparar a superação do adversário. É esta acção que dita a diferença entre o 1º do 2º lugares, embora eu defenda que o verdadeiro vencedor é aquele que se excede por mais larga margem…
O. L.: Como consegues conciliar a alta competição, no que se refere às tuas participações em torneios internacionais, com a vida escolar?
Roberto Nóbrega: Esta é, indubitavelmente, a parte mais difícil. É muito desgastante treinar 13 horas semanais (sem contar com a competição aos fins-de-semana e com o tempo dispendido em deslocações) e, ainda assim, conseguir notas razoáveis. Participar em eventos internacionais é extremamente compensador, estes têm, porém, durações de uma semana, o que faz com que eu falte a imensas aulas. O segredo é manter-me concentrado e organizado para que as perdas sejam de menor dimensão. Contudo, o meu desempenho académico acaba sempre por ser limitado.
O.L.: Vale a pena ser um atleta de alta competição, quer em termos de pessoais quer em termos profissionais?
Roberto Nóbrega: Em termos pessoais, o desporto tem-me ensinado a lidar com grandes pressões e a dar a volta por cima de determinados problemas. Viajo regularmente e isso é óptimo, dado que tenho oportunidade de conhecer outros lugares, outras pessoas e as suas realidades.
Ao nível profissional, espero poder contar com o estatuto para a entrada na universidade. Afinal, todo o tempo dispensado na representação da Madeira e, futuramente de Portugal, deve ser recompensado.
O.L.: Certamente que já és considerado uma referência para os Madeirenses, tendo em conta o teu palmarés. Como lidas com essa “fama”? É fácil geri-la?
Roberto Nóbrega: Eu não diria “fama”, mas, sim, experiência. Convencionalmente, a fama faz com que um indivíduo esqueça a sua verdadeira identidade e se sobrevalorize. Pessoalmente, sei que não sou melhor do que os meus colegas; apenas posso ter alguma experiência que eles ainda não possuam. Contudo, tento transmitir e receber conhecimentos. Se eu tiver alguma fama, é certamente a de puxar pelo adversário.
O. L.: Que mensagem deixas aos teus colegas da Jaime Moniz e para os jovens em geral?
Roberto Nóbrega: Em primeiro lugar, gostaria de deixar um incentivo à prática do Atletismo e alertar a que não se pense que é necessário correr depressa ou ser atlético para poder competir. Basta ter vontade! Decerto que, entre tantas disciplinas dentro da modalidade, haverá uma que se adapte às capacidades de cada um. Além disso, existem por aí imensos desportistas, nomeadamente, futebolistas, que passam os dias a “aquecer o banco” quando têm capacidade para conseguir grandes resultados nesta actividade. Experimentar não custa nada!
Por fim, peço a todos que não desistam dos vossos sonhos e projectos de vida por mais longe que eles possam aparentar. Podemos nunca alcançá-los, mas nada nos tira o direito de olhar lá para o alto e apreciar a beleza de tais aspirações, acreditar nelas, seguir na sua direcção… e, efectivamente, realizá-las! O importante é continuar a lutar…
Fonte da fotografia: Roberto Nóbrega.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Editorial

Há seis anos, mais concretamente em Março de 2003, foi lançada a primeira revista “O Lyceu”, tendo como objectivos imediatos, uma maior participação da comunidade escolar na escolha dos caminhos a trilhar para o cerzir do seu futuro, uma maior e melhor divulgação da nossa Escola, das suas boas práticas, das suas dificuldades e a assumpção de uma atitude dinâmica, de inconformismo, de crítica construtiva, que pudesse abrir caminhos e novos espaços ao diálogo, à tolerância, à inovação e às novas tecnologias.
Contudo o tempo que, hoje, passamos é um tempo de mudança provocada pelo avanço inexorável das novas tecnologias, pela crise económica e financeira que abala o mundo em que todos vivemos e que exige, de cada um de nós, novas formas de actuação.
Assim, a revista o “Lyceu”, continuando a sua linha editorial e contando com a participação de professores, alunos, funcionários e de encarregados de educação, passa a ser publicada em versão on line nos dois primeiros períodos, sendo a última, publicada no 3º período, em versão on line e, também, impressa.
Jorge Moreira
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Mosquito Aedes aegypti (Mosquito do Dengue) na Madeira

A ilha da Madeira é mundialmente conhecida pelo seu clima ameno, convidando a uma visita pelas suas belas paisagens e outras actividades ao ar livre, que, desde há muito, têm sido exploradas para fins turísticos. A temperatura e a humidade que se verificam ao longo de todo o ano propicia a muitos seres vivos, animais e plantas, condições ideais ao seu desenvolvimento.
Os ecossistemas, sofrem alterações constantes, sejam por acção humana ou por via natural, contudo, a introdução descontrolada ou acidental de uma nova espécie num habitat poderá provocar desequilíbrios, que, em ecossistemas limitados, como é o caso de uma ilha, originam efeitos devastadores a curto prazo.
De uma forma geral, uma espécie, ao ser introduzida num novo habitat que reúna características ideais à sua proliferação e na ausência de predadores naturais, poderá sofrer um crescimento desmesurado originando uma diminuição dos recursos disponíveis para outras espécies residentes ou mesmo constituir uma ameaça para estas. Em termos de importância Médica, o crescimento descontrolado de uma espécie, em situações extremas, poderá levantar questões de saúde pública, exemplo disto será um aumento na taxa de transmissões ou infecções por um dado organismo.
A ilha da Madeira, ao longo dos tempos, tem sido alvo de inúmeras introduções (desde plantas ornamentais, medicinais a animais exóticos). Em 2004, na sequência de algumas queixas por parte da população local, especificamente na localidade de Santa Luzia, relatos de dolorosas picadas de mosquito que originavam reacções inflamatórias exuberantes, uma equipa da Unidade de Entomologia Médica do Instituto de Higiene e Medicina Tropical identificou o Mosquito Aedes (Stegomyia) aegypti (Linnaeus, 1762) (Diptera, Culicidae) que, em colheitas anteriores, realizadas entre os anos de 1977-1979, não havia sido detectado. Em Portugal Continental, existem registos da espécie até 1956, não tendo este sido identificado desde então.
O Aedes aegypti é uma espécie endémica na grande maioria das regiões tropicais e subtropicais por todo o mundo, onde o vírus do dengue é considerado um grave problema de saúde pública. A abundância do mosquito está directamente relacionada com o aumento da temperatura e da precipitação uma vez que estes factores originam maior número de colecções de água que funcionam como criadouros, induzem um aumento da taxa de desenvolvimento, diminuindo o tempo do ciclo reprodutivo e estimulando a eclosão das formas imaturas.
Esta espécie é também conhecida por utilizar uma diversidade considerável de criadouros, muitos deles artificiais (produzidos pelo Homem) onde ocorre a ovoposição, sendo que os ovos do mosquito Aedes aegypti são especialmente resistentes à dissecação. As alterações climáticas, que, nos últimos tempos, têm sido alvo de algum mediatismo, podem também dar o seu contributo na dispersão do vector e do vírus, levando à expansão geográfica das áreas de distribuição dos mesmos.
Até à data, não foi identificado qualquer caso de dengue autóctone (transmitido na Madeira), o que sugere a ausência do vírus.
Segundo dados da Direcção-geral de Saúde, no último ano em Portugal Continental foram registados 15 casos importados de dengue. O volume de tráfego marítimo e aéreo entre a Madeira e Portugal Continental e outros países pode aumentar o risco de re-introdução do mosquito, particularmente no sul da Europa onde o clima é mais favorável ao seu desenvolvimento. Para além disto, Portugal mantém relações estreitas com países onde recentemente ocorreram surtos de dengue, como é o caso do Brasil, que, num dos piores cenários, poderão contribuir para a importação de novos casos e de uma possível transmissão na presença do vector.
O processo de Globalização, caracterizado, entre muitos outros factores, pelo rápido movimento de pessoas e mercadorias de um ponto do Globo para outro, por si só acarreta inúmeras facilidades na disseminação de agentes infecciosos. Exemplo disto é o facto de já em 1857 se ter verificado um surto de febre amarela em Lisboa, que causou milhares de mortos, e ainda a Globalização como a entendemos hoje, não se vislumbrava no horizonte.
Existe ainda um conjunto de normas internacionais para controlo de vectores em aeroportos, em particular para o Aedes aegypti, que passam pelo tratamento dos locais de criação nas imediações do aeroporto (num perímetro de 400 metros). É nossa opinião que estas medidas deveriam abarcar os portos marítimos (http://whqlibdoc.who.int/hq/pre-wholis/a43045_%28p97-p170%29.pdf ).
Aparentemente as autoridades regionais estão atentas ao problema, avançando com um plano que tem em vista a diminuição dos criadoros (vasos, pneus e recipientes de plástico) e a eliminação de formas imaturas e adultos recorrendo ao uso de insecticidas. No entanto, o mosquito Aedes aegypti continua a ser encontrado e a população a ser picada. A dificuldade em erradicar uma espécie de mosquito é conhecida ou mesmo quase impossível, à semelhança da realidade dos países Africanos, em que esforços realizados durante décadas não foram suficientes para eliminar as transmissões de malária, entre outras infecções transmitidas por estes vectores.
Como nota final, apelamos à continuidade das medidas preventivas já tomadas e à implementação de outras que, a curto prazo, podem contribuir para a diminuição daquele mosquito. Sugerimos às Autoridades Regionais a implementação de um plano de vigilância entomológica permanente, registando possíveis variações na abundância do vector, o que permitiria uma rápida identificação dos principais focos e uma acção eficaz no controlo vectorial. Outra medida seria o desenvolvimento de um plano de educação ambiental nas escolas e através dos meios de comunicação em geral, não com o intuito de alarmar a população, mas, sim, de informá-la, onde seriam abordadas as características do vector (por exemplo: picos diários de alimentação) e medidas de protecção, como sejam a utilização de repelentes e de redes mosquiteiras nas habitações e fomentar a redução de recipientes de água que poderão ser utilizados pelo mosquito no seu ciclo reprodutor. A prevenção será sempre a melhor escolha para o combate de possíveis transmissões vectoriais.
A ilha da Madeira, ao longo dos tempos, tem sido alvo de inúmeras introduções (desde plantas ornamentais, medicinais a animais exóticos). Em 2004, na sequência de algumas queixas por parte da população local, especificamente na localidade de Santa Luzia, relatos de dolorosas picadas de mosquito que originavam reacções inflamatórias exuberantes, uma equipa da Unidade de Entomologia Médica do Instituto de Higiene e Medicina Tropical identificou o Mosquito Aedes (Stegomyia) aegypti (Linnaeus, 1762) (Diptera, Culicidae) que, em colheitas anteriores, realizadas entre os anos de 1977-1979, não havia sido detectado. Em Portugal Continental, existem registos da espécie até 1956, não tendo este sido identificado desde então.
O Aedes aegypti é uma espécie endémica na grande maioria das regiões tropicais e subtropicais por todo o mundo, onde o vírus do dengue é considerado um grave problema de saúde pública. A abundância do mosquito está directamente relacionada com o aumento da temperatura e da precipitação uma vez que estes factores originam maior número de colecções de água que funcionam como criadouros, induzem um aumento da taxa de desenvolvimento, diminuindo o tempo do ciclo reprodutivo e estimulando a eclosão das formas imaturas.
Esta espécie é também conhecida por utilizar uma diversidade considerável de criadouros, muitos deles artificiais (produzidos pelo Homem) onde ocorre a ovoposição, sendo que os ovos do mosquito Aedes aegypti são especialmente resistentes à dissecação. As alterações climáticas, que, nos últimos tempos, têm sido alvo de algum mediatismo, podem também dar o seu contributo na dispersão do vector e do vírus, levando à expansão geográfica das áreas de distribuição dos mesmos.
Até à data, não foi identificado qualquer caso de dengue autóctone (transmitido na Madeira), o que sugere a ausência do vírus.
Segundo dados da Direcção-geral de Saúde, no último ano em Portugal Continental foram registados 15 casos importados de dengue. O volume de tráfego marítimo e aéreo entre a Madeira e Portugal Continental e outros países pode aumentar o risco de re-introdução do mosquito, particularmente no sul da Europa onde o clima é mais favorável ao seu desenvolvimento. Para além disto, Portugal mantém relações estreitas com países onde recentemente ocorreram surtos de dengue, como é o caso do Brasil, que, num dos piores cenários, poderão contribuir para a importação de novos casos e de uma possível transmissão na presença do vector.
O processo de Globalização, caracterizado, entre muitos outros factores, pelo rápido movimento de pessoas e mercadorias de um ponto do Globo para outro, por si só acarreta inúmeras facilidades na disseminação de agentes infecciosos. Exemplo disto é o facto de já em 1857 se ter verificado um surto de febre amarela em Lisboa, que causou milhares de mortos, e ainda a Globalização como a entendemos hoje, não se vislumbrava no horizonte.
Existe ainda um conjunto de normas internacionais para controlo de vectores em aeroportos, em particular para o Aedes aegypti, que passam pelo tratamento dos locais de criação nas imediações do aeroporto (num perímetro de 400 metros). É nossa opinião que estas medidas deveriam abarcar os portos marítimos (http://whqlibdoc.who.int/hq/pre-wholis/a43045_%28p97-p170%29.pdf ).
Aparentemente as autoridades regionais estão atentas ao problema, avançando com um plano que tem em vista a diminuição dos criadoros (vasos, pneus e recipientes de plástico) e a eliminação de formas imaturas e adultos recorrendo ao uso de insecticidas. No entanto, o mosquito Aedes aegypti continua a ser encontrado e a população a ser picada. A dificuldade em erradicar uma espécie de mosquito é conhecida ou mesmo quase impossível, à semelhança da realidade dos países Africanos, em que esforços realizados durante décadas não foram suficientes para eliminar as transmissões de malária, entre outras infecções transmitidas por estes vectores.
Como nota final, apelamos à continuidade das medidas preventivas já tomadas e à implementação de outras que, a curto prazo, podem contribuir para a diminuição daquele mosquito. Sugerimos às Autoridades Regionais a implementação de um plano de vigilância entomológica permanente, registando possíveis variações na abundância do vector, o que permitiria uma rápida identificação dos principais focos e uma acção eficaz no controlo vectorial. Outra medida seria o desenvolvimento de um plano de educação ambiental nas escolas e através dos meios de comunicação em geral, não com o intuito de alarmar a população, mas, sim, de informá-la, onde seriam abordadas as características do vector (por exemplo: picos diários de alimentação) e medidas de protecção, como sejam a utilização de repelentes e de redes mosquiteiras nas habitações e fomentar a redução de recipientes de água que poderão ser utilizados pelo mosquito no seu ciclo reprodutor. A prevenção será sempre a melhor escolha para o combate de possíveis transmissões vectoriais.
Ferdinando Freitas, Investigador no IHMT (Instituto de Higiene e Medicina Tropical)
Subscrever:
Mensagens (Atom)
