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sábado, 16 de abril de 2011

Configurar o acesso à conta fornecida pela SRE



Dados para configurar o acesso à conta fornecida pela SRE (xxxxxxxx@live.madeira-edu.pt) com um programa de correio eletrónico.

  • Definição de POP externo:
    Nome do servidor: amsprd0102.outlook.com

    Porta: 995
    Método de encriptação: SSL
  • Definição de IMAP externo:
    Nome do servidor: amsprd0102.outlook.com

    Porta: 993
    Método de encriptação: SSL
  • Definição de SMTP externo:
    Nome do servidor: amsprd0102.outlook.com

    Porta: 587
    Método de encriptação: SSL


  • Experimentei o POP e o SMTP e funcionaram bem.

    Alberto Ferreira
    500 Matemática

    quarta-feira, 16 de março de 2011

    Software Dinâmico ao Serviço da Matemática


    Actualmente os professores têm ao seu dispor muitos programas informáticos para tornar a exposição de conteúdos mais motivadora e de compreensão mais acessível.

    Na vasta variedade de software destacamos o Geogebra, pelo potencial que demonstra em duas áreas: Geometria e Álgebra.

    Este programa permite construir formas simples: pontos, figuras, segmentos, rectas, vectores, cónicas e também gráficos de funções. As quais podem ser modificadas dinamicamente com o rato. Uma das maiores vantagens deste software é trabalhar com expressões algébricas.

    O Geogebra oferece uma gama de comandos entre os quais cabe destacar a derivação e a integração, no entanto a sua maior vantagem é ser Freeware.
    Link para Download

    quarta-feira, 13 de outubro de 2010

    INFOLIVE arranca na Jaime Moniz


    Foi apresentado na Jaime Moniz, no passado dia 12, o novo projecto desenvolvido em parceria entre a Microsoft Portugal e a SREC, INFOLIVE, um sistema online de partilha e comunicação. De entre os serviços disponibilizados encontram-se o correio electrónico, armazenamento virtual, chat e ferramentas de produtividade Microsoft (word, excel e powerpoint).
    A Jaime Moniz encontra-se preparada para receber este serviço, foi o que referiu o seu director, Jorge Moreira. Sendo assim esta a primeira escola da Região a usufruir deste sistema online que tem como a partilha de conteúdos um dos seus pontos fortes.
    Outro ponto forte é a agregação de serviços, como explicou Gonçalo Nuno Araújo, director regional do Planeamento e Recursos Educativos, pois os utilizadores do 'Place' vão passar a efectuar o acesso a partir de uma plataforma única. Esta também será uma oportunidade para regularizar licenças para o Office nas escolas da Região.
    Adelaide Franco, directora da Microsoft Educação Portugal, chamou a atenção para o facto de este sistema possibilitar uma nova forma de trabalhar. Colaborar e comunicar torna-se mais fácil e agora passa a estar presente no secundário uma ferramenta até então apenas disponível nas Universidades.
    O director regional de Educação, Rui Anacleto, sublinhou que esta ferramenta existe para o sucesso dos nossos alunos, razão de existência das nossas escolas, na medida em que agiliza uma série de procedimentos.
    Mais informações sobre o INFOLIVE podem ser consultadas em http://infolive.madeira-edu.pt/.

    quarta-feira, 31 de março de 2010

    Níveis dos Utilizadores do WordPress



    De modo a ajudar alguns colegas, a seguir explico o que cada utilizador do wordpress é capaz de fazer.

    1. Administrador
    2. Editor
    3. Autor
    4. Contribuidor

    Administrador

    Um administrador WordPress tem acesso a todas as áreas do site. Por defeito o WordPress cria o perfil de administrador durante a instalação do blog.


    Editor

    Um editor WordPress tem o poder de moderar comentários, gerir categorias, gerir links, fazer upload de ficheiros, editar posts de outros utilizadores ou posts que já tenham sido publicados, editar páginas entre outros… Ideal quando queremos alguém que faça a moderação do Blog sem ser administrador.


    Autor

    Um autor tem as as funções de editar e publicar os artigos, fazer upload de ficheiros e editar o seu perfil.


    Contribuidor

    Um contribuidor apenas é capaz de escrever e editar os seus próprios artigos que terão de ser aprovados posteriormente.

    segunda-feira, 9 de março de 2009

    Construção de Materiais Didácticos com Recurso às TIC- HOTPOTATOES



    A acção de formação “Construção de Materiais Didácticos com Recurso às TIC- HOTPOTATOES” foi desenhada para abordar a temática das Tecnologias de Informação eComunicação em contexto escolar.
    O grupo de estágio de informática orientado pela Prof. Patrícia Dinis procura introduzir avertente de formação contínua permitindo criar novas condições de trabalho, maisconsentâneas com o mundo em que vivemos.
    É consensual a noção de que actualmente todo o sistema educativo se encontradireccionado para o aluno. Esta visão constitui uma mudança acentuada face a épocashistóricas precedentes, nomeadamente a que antecedeu o 25 de Abril de 1974 com o regimesalazarista. Neste sentido, a relação que se estabelece entre professores e estudantes (quenão é unidireccional) assume um cariz fulcral para o processo de aprendizagem e, por issomesmo, deve cada docente ter como principal objectivo procurar responder de forma isenta àsnecessidades específicas de cada aluno.
    Na RAM (Região Autónoma da Madeira) diversas instituições de ensino, públicas eprivadas, utilizam as TIC para disponibilizar conteúdos disciplinares e avaliações virtuais queauxiliam os alunos, perante a prática comum de uso de métodos tradicionais de ensino. Essasavaliações virtuais complementam as práticas de avaliação dos professores e permitem aosalunos terem acesso a informações sobre o seu processo de aprendizagem. Procura-se, dealgum modo, que os discentes se sintam mais atraídos e interessados a aprender os assuntosleccionados em cada disciplina.
    Um sistema de avaliação virtual é composto de uma interface com o aluno e um sistemade pesquisa e avaliação, onde o professor fica responsável por inserir o conhecimento sobreum determinado assunto. O aluno é, então, avaliado de acordo com a base de conhecimentosexistente e um retorno é enviado tanto ao aluno, como ao professor.
    Hot Potatoes é um conjunto de cinco ferramentas de autor, desenvolvidas pela equipa daUniversity of Victoria CALL Laboratory Research and Development, que possibilitam aelaboração de vários tipos básicos de exercícios interactivos utilizando páginas Web. O registodo programa é necessário para obter a “chave de registo” tornando-a assim a sua aplicaçãogratuita.

    Estes módulos possibilitam a criação de exercícios interactivos para a Web compatíveiscom todas as versões dos browers/navegadores Internet Explorer e Netscape e com asplataformas Windows ou Macintosh. Duas das ferramentas, JMath e JMix, produzem exercíciosque permitem clicar-arrastar-soltar, usando o rato, mas que funcionam apenas nas versõesmais recentes dos navegadores (IE 5.0 e Netscape 6 ou superiores). O programa aceita caracteres portugueses e pode ser completamente configurado para a nossa língua, assimcomo quase todos os aspectos da interface (cores, tipo de letra, etc.).
    A “potatoe”, que é novidade na versão 6 do programa, refere-se ao aplicativo TheMasher. Este aplicativo tem como funcionalidade criar e ligar grandes unidades de materiais com os exercícios construídos pelas outras “potatoes”.
    Para trabalhar com este programa, tudo o que precisamos saber é onde temos decolocar os dados (textos, questões, respostas, imagens, etc.), pois as ferramentas criarão,automaticamente, a respectiva página Web. Se pretender, o professor poderá enviar a páginaou páginas criadas para o servidor, de forma a serem utilizadas pelos alunos, via Internet.

    Iustração 1:



    Ferramenta Hot Potatoes (v6.2)Embora os exercícios sejam construídos usando Javascript, não é necessário nenhumconhecimento sobre esta linguagem de programação. Tudo o que se precisa saber é introduziros dados (textos, questões, respostas, etc.) e os programas criarão, automaticamente, arespectiva página web. Desta forma, basta enviar a página criada para o servidor e esta estaráapta a ser utilizada pelos alunos via internet. Os programas são feitos de forma a que, quasetodos os aspectos das páginas possam ser personalizados (na opção Configuração).

    Os exercícios podem ser configurados em vários itens, tais como: título, mensagem deauxílio para os alunos, conteúdo das mensagens exibidas após o aluno acertar ou errar algumaquestão, configurações de aparência da página, configuração da visualização das questões,temporizador para leitura do texto, entre outros. Para a criação de exercícios devem serseguidas três etapas:
    Entrada de Dados: O professor insere as questões, respostas e feedback dentreoutras informações específicas da questão.
    Ajuste da Configuração: Configuração de instruções para os alunos, títulos parabotões de navegação, etc.
    Criação da Página Web: Exportação do exercício para o formatoWeb.
    Nas configurações de saída do Hot Potatoes as funcionalidades do CGI permitem enviaro resultado por e-mail. Assim, quando o aluno aceder aos exercícios ele deve colocar a suaidentificação. Quando acabar os exercícios, a identificação do aluno, o título do exercício, oresultado e o tempo de início e fim será enviado através de um script CGI um e-mail contendoessas informações.
    A informação sobre a configuração é um conjunto de fragmentos de texto que inclui asinstruções para realizar o exercício, os textos dos botões de navegação e os vínculos (links) adeterminadas URLS e que não variam muito nos diferentes exercícios. Por exemplo, exercícioscriados no Hot Potatoes podem ser incluídos botões com o texto "Verificar" que servem paraque o(a) aluno(a) possa corrigir suas respostas. O texto "Verificar" não muda de um exercíciopara outro. Por isso é necessário salvá-lo com os dados. Além disso, pode ser que hajanecessidade de modificar tais textos (por exemplo, se forem criados questionários em outroidioma).
    Além do que já foi exposto, este software é compatível com as normas SCORM(Shareable Content Object Reference Model), ou seja, as actividades produzidas podem serintegradas em plataformas de formação (Moodle, Dokeos).
    Existem outras ferramentas de exercícios interactivos semelhantes ao Hot Potatoes a titulo deexemplo, deixamos aqui algumas sugestões:
    Site oficial do Hot Potatoes
    Site oficial do WebQuestion
    WebQuestion é um software gratuito para uso em instituições educacionais, versão final 2.0, é um programa que, à semelhança do Hot Potatoes, permite a concepção de exercícios interactivos. Não é tão popular, nem completo como o Hot Potatoes, mas tem algumas características que o recomendam: é extremamente simples de usar, dispõe de um assistente simples para a concepção do teste e permite a utilização de vários tipos de pergunta (escolha múltipla, resposta simples e verdadeiro/falso) no mesmo questionário. O programa foi desenvolvido pela Clever Software, empresa que, no presente, já não existe. Contudo, pode descarregá-lo a partir do Centro de Recursos Online (EduTeca) do Centro de Competência da Beira Interior. Também aí poderemos encontrar o ficheiro de tradução da interface.
    Site oficial do Ardora
    Ardora é um software livre que permite a criação e realização de actividades interactivas, mais precisamente na concepção de exercícios. Este programa foi criado por José Manuel Bouzán Matanza, sendo a sua aplicação gratuita desde que usado em contexto educativo ou, de uma forma pessoal e sem fins lucrativos. Podemos encontrar Ardora, actualmente, na versão 4.1. Este programa é formado por um conjunto de aplicações informáticas que servem para realizar diversos tipos de actividades educativas, tais como: quebra-cabeças, associações, exercícios com texto, sons e imagens, palavras cruzadas, entre muitas outras.
    Site oficial do Quiz
    FaberDisponível em: http://www.lucagalli.net/en/
    QuizFaber, de Galli, é um software do tipo freeware, excepto para uso comercial. Se desejar usar este software para finalidades comerciais necessita da autorização do autor deste software, Luca Galli. O programa QuizFaber actualmente na versão 2.10.1 permite criar, com facilidade e rapidez, exercícios interactivos num documento hipertexto (página HTML) com um «motor» escrito em Javascript. Toda esta funcionalidade é controlada de uma maneira automática. O utilizador não necessita de ter conhecimentos de HTML, ou de Javascript. Na escolha do browser ter em conta que o QuizFaber produz um conjunto de páginas de HTML unidas por hiperligações. Os exercícios interactivos podem ser visualizados em todos os browsers que suportam janelas (frames) e a linguagem JavaScript (por exemplo, Netscape Navigator, versão 2.0 e Microsoft Internet Explorer, versão 3.0). Além disso para colocações personalizadas de layouts no HTML é necessário um browser que suporte folhas de estilo CSS (por exemplo, Microsoft Internet Explorer, versão 4.0).

    segunda-feira, 30 de junho de 2008

    Sociedade de Informação e as TIC na Educação


    SugestõesO Decreto-Lei nº 6/2001 de 18 de Janeiro, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei nº 209/2002 de Outubro, aprovou a organização curricular do ensino básico, estabelecendo os princípios orientadores da organização e gestão curricular desse nível de ensino, neles incluindo a formação para a utilização das tecnologias de informação e comunicação.Este estudo, bem como os estudos já realizados a nível nacional, revela alguns constrangi-mentos referenciados pela comunidade educativa em geral, na implementação do currículo nacional do ensino básico. Nesses constrangimentos avultam as questões ligadas à ge-neralização do acesso e uso das novas tecnologias de informação e comunicação. Se tivermos em conta que a escolaridade obrigatória é até ao 9º ano de escolaridade, e que os alunos devem adquirir competências na utilização das TIC antes de concluírem a escolaridade obrigatória, é urgente que exista mais e melhor utilização das TIC de uma forma integrada e plena, de modo a dar uma maior eficácia na aplicação de programas de apoio aos alunos e uma maior igualdade de oportunidades aos mesmos. Desta forma, sugerimos que AP é a melhor disciplina para aprender e utilizar as TIC na educação, atendendo ao facto de AP ser uma área curricular não disciplinar e de ter uma função importante na “valo-rização da contextualização e da utilização do saber,...”.
    Recomendações relativas à integração das TICTendo em conta os resultados e conclusões do presente estudo, pareceu oportuno apresentar algumas recomendações relativas à integração das TIC no processo de ensino e no processo de aprendizagem.
    Os professores de AP, incluídos os do 8º ano, devem, possivelmente:- usar as TIC de uma forma sistemática e não pontual, devendo utilizar preferencialmente o turno de 90 minutos;- utilizar as TIC de uma forma contextualizada. Por exemplo, não aprender o Excel por aprender, mas usar o Excel para resolver um problema de cálculo concreto;- desenvolver projectos articulados com o Conselho de Turma, através de saberes de diversas áreas curriculares;- desenvolver projectos em torno de problemas ou temas de pesquisa ou de intervenção de acordo com as necessidades e os interesses dos alunos;- ter mais e melhor formação relacionada com a utilização das TIC na sala de aula. A falta de formação é geradora de grande insegurança;- informar, por escrito, os órgãos de gestão das escolas, directamente ou através dos co-ordenadores de departamento, das suas necessidades de formação;- “exigir” aos órgãos de gestão da escola a presença de um computador com ligação à Internet nos laboratórios e nas salas de aula.Os professores com cargos pedagógicos, coordenadores de departamento e delegados de disciplina devem, possivelmente:- Envolver e responsabilizar os elementos dos grupos disciplinares para a utilização das TIC em contexto de sala de aula, fazendo constar, das respectivas planificações, actividades baseadas ou apoiadas nas TIC, idealizadas por todos os professores em trabalho conjunto.A integração das TIC nas práticas lectivas não é compatível com a prática convencional, sendo necessário inovar as formas de concretizar os objectivos propostos.
    Os órgãos de gestão das escolas devem, possivelmente:- reduzir o número de alunos por turma;- reorganizar os espaços;- reorganizar os horários do modo de funcionamento das turmas, facilitando o acesso dos alunos aos computadores nas salas de aula, garantindo a existência de, pelo menos, um computador em todas as salas de aulas, com prioridade para os laboratórios de ciências e salas destinadas às áreas curriculares não disciplinares: estudo acompanhado, área de projecto;- elaborar planos de formação para os professores da escola, tendo em vista a utilização das TIC de uma forma integrada;- incluir as TIC no Projecto Educativo de Escola, de forma consistente e transversal, de modo a servir de referencial para todas as outras actividades e projectos;- Definir critérios de avaliação dos alunos no âmbito das TIC, a serem aplicados nas áreas curriculares disciplinares e não disciplinares;- investir na formação de professores orientadores de estágio, aptos na utilização das TIC no contexto de sala de aula;- Definir, em colaboração com as instituições de nível superior, responsáveis pela formação inicial de professores, critérios de avaliação dos professores estagiários relativamente à exploração das TIC no processo de ensino e no processo de aprendizagem;- Fazer diagnóstico das competências do seu corpo docente, com a participação dos principais interessados, de forma a identificar lacunas de formação na área das TIC e elaborar um plano de formação de escola;- Proporcionar ao seu corpo docente formação na área das TIC e apoio aos professores com mais dificuldade na sua utilização na sala de aula;- Incentivar a criação de uma comunidade virtual de aprendizagem. Inicialmente, poderá ser através dos grupos disciplinares, criando, por exemplo, a comunidade virtual dos professores de Biologia da escola “x”, onde os professores aproveitam o espaço para partilharem a sua experiência pedagógica com os outros colegas, através de fóruns apenas para professores. Nessa comunidade, também deveria haver fóruns onde os alunos pudessem comunicar com os vários professores de Biologia dessa escola, através da colocação de dúvidas, sugestões, entre outras coisas.
    Sugestões para futuras investigaçõesConsiderando que as limitações do presente estudo estão relacionadas com o facto de os resultados reflectirem práticas declaradas e não observadas, seria interessante a reali-zação de uma investigação que tivesse como método a recolha de dados para observação, com o objectivo de conhecer de que modo as TIC estão presentes no contexto da sala de aula.



    António Freitas - Grupo 520



    Inovar


    A inovação é quase sempre um fenómeno perturbador, na medida em que obriga ao confronto com novas ideias que alteram a forma como vemos o mundo e seguimos por ele. É como algo que, de alguma forma, nos surge no caminho e não podemos mover. Podemos contornar mas não ignorar, sendo provavelmente a melhor estratégia reflectir sobre como rentabilizá-la para o bem da comunidade. As Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) provocaram essa perturbação na vida de muitas pessoas e, em particular, no quotidiano de muitos professores. A citação com que abro esta introdução é demonstrativa disso mesmo. Podemos e devemos preparar-mo-nos para enfrentar as perturbações que a inovação acarreta, comprometendo todos os nossos pares nessa tarefa, pela partilha da informação, aprendendo juntos a solucionar os problemas e a rentabilizar o que de bom ela possa trazer ao nosso dia-a-dia. Esta aprendizagem, como qualquer outra, em especial se estamos a falar da escola, requer preparação prévia por parte dos professores. A única garantia que temos é a de que por mais bem preparados que estejamos isso não significa que os nossos alunos aprenderão. A aprendizagem é um processo no qual os professores têm um papel importante, mas não absoluto.Durante muitos anos, os modelos de formação de professores, sempre muito centrados nos processos, métodos e técnicas de ensinar, cimentaram a ideia de que o papel do professor era o de detentor do conhecimento. Ainda não há muitos anos, mesmo em espaços que não a escola, quando se discutiam questões relacionadas com o saber, se estava presente um professor, recorria-se a ele para dar a palavra final, mesmo que não tivesse vivências na matéria. O reconhecimento público do professor como detentor do saber funda-se nos modelos clássicos de ensino da antiguidade, quando o conhecimento, publicamente aceite numa determinada área, era passível de ser quase todo dominado por uma pessoa, e se acreditava que este só poderia ser construído por uma “cabeça iluminada”, fugindo ao domínio do cidadão comum. Segundo Marguerite Altet (2001), a formação de professores abraçou, ao longo dos tempos, vários modelos: do modelo “magister” ao “profissional ou reflexivo”, passando por modelos que já deveriam estar abandonados, mas que por motivos que se prendem com a tradição se mantêm muito presentes nas nossas escolas, como o modelo “técnico” e o “engenheiro ou tecnológico”. É comum ouvir dos professores, quando confrontados com a possibilidade de utilização de novos meios, os mesmos receios manifestados pelo professor Joe: perda de controlo na aprendizagem, por incapacidade de acompanhar os seus alunos na aquisição de competências no uso dos computadores. Os modelos de formação inicial destes professores foram ainda muito centrados no ensino e menos na aprendizagem. A permanência destes modelos deve-se, fundamentalmente, à crença de que a profissão docente é uma profissão técnica e de que o domínio de todo o conhecimento é fundamental, pois garante segurança nos processos de transmissão. O alerta de Paulo Freire contra a “educação bancária”, que tem como objectivo depositar nos alunos o conhecimento para que possam devolvê- -lo quando necessário, onde nem se prevê nenhum acréscimo de juros, continua a estar presente no nosso sistema. “Ensinar é fazer aprender e, sem a sua finalidade de aprendizagem, o ensino não existe. Porém, este “fazer aprender” dá-se pela comunicação e pela aplicação, o professor é um profissional da aprendizagem, da gestão de condições de aprendizagem interativa em sala de aula.” (Altet, 2001: 26) A formação de professores, num primeiro momento, deve mudar a ênfase do “ensinar” para o “aprender”. É necessário, muitas vezes, sermos o professor Joe da história que nos conta Papert, e percebermos que temos que nos despir de preconceitos, correr o risco de não saber tudo e estarmos disponíveis para aprender colaborativamente com os nossos alunos.Cada dia se torna mais claro que o papel do professor não é ser um banco de saber, mas sim um representante do mesmo, que informa sobre a sua localização e o seu uso mais adequado. No ensino presencial, movimentamo-nos na crença de que apenas o contacto visual entre o professor e o aluno proporciona uma comunicação didáctica mais directa e humana, do que através de qualquer sistema de comunicações. Nem o ensino presencial pressupõe comunicação efectiva e apoio ao aluno, nem o ensino à distância deixa inteiramente o processo de aprendizagem nas suas mãos. Se nos centrarmos no processo de ensino-aprendizagem, devemos observar como ensinam os professores, mais do que os conteúdos que explicam, e perceber que as deficiências didácticas e metodológicas que apresentam têm origem na sua formação pedagógica inicial. Uma das características da sociedade de informação é a construção de novos perfis pessoais e, sobretudo, profissionais, capazes de se adaptarem a esta necessidade de profissionais com qualidades, experiência e capacidade de mudança dia-a-dia. Os conhecimentos adquiridos durante a formação inicial dos professores convertem-se, rapidamente, em obsoletos, se este deixar de se preocupar em continuar a aprender. A aprendizagem e a formação deverão ser um desafio constante. Os professores necessitam, cada vez mais, de ter conhecimentos adequados sobre o uso dos novos meios tecnológicos, audiovisuais e informáticos. É impres-cindível a literacia informática dos professores, para que a introduzam no seu saber docente e, com a mesma naturalidade quotidiana com que agora usam os manuais, possam usar qualquer software ou CD-Rom educativo nas suas aulas. Ainda que algumas pessoas gostem de andar de burro, e achem mais interessante do que andar de autocarro, para galgar grandes distâncias este não será certamente o meio mais adequado. No entanto, às vezes, parece que utilizamos o “burro pedagógico” com muita frequência nas escolas, ignorando e depreciando a existência das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação, e alegremente lá vamos...Estamos convencidos da necessidade de implementar a tecnologia como modelo para o trabalho do professor. É urgente capacitar os professores nestes domínios da comunicação, através duma pedagogia da imagem e do uso racional e crítico dos recursos tecno-lógicos na sua aplicação à educação. Daí que um dos desafios que hoje se coloca, de uma forma mais premente às escolas seja a capacitação dos professores no domínio das TIC’s adaptadas aos seus contextos de intervenção.A escola ao longo dos tempos tem assumido várias funções, que passam pela formação dos indivíduos nas suas várias vertentes, formando-os em todas as dimensões da pessoa humana. À escola é reconhecida, fundamentalmente, uma missão: a de ensinar. Esta dimensão, centrada na instituição, tem ignorado, muitas vezes, a importância do aprender.A educação serve a sociedade, e por isso tem de se adequar às mudanças que a sociedade vive. Ela passa pelas mesmas transformações que outras instituições sociais também passam. As TIC podem contribuir de modo decisivo para mudar a escola e o seu papel na sociedade. A escola pode passar a ser um lugar da exploração de culturas, de realização de projectos, de investigação e debate. O professor poderá ser um elemento determinante nestas actividades. Isso não acontecerá por ensinar novos conteúdos de literacia informática, muito menos como administrador de pacotes de EAC, e menos ainda como instrutor de Microsof Word ou de Mozilla Firefox. Acontecerá porque ele se envolve na aprendizagem com o aluno, com os colegas e com outras pessoas da sociedade em geral, deixando de ser aquele que apenas ensina, para passar a ser, sobretudo, aquele que (co)aprende e promove a aprendizagem.As novas tecnologias deverão assumir um duplo papel na escola. Primeiro deverão ser uma ferramenta para permitir a comunicação de profissionais da escola, consultores e investigadores exteriores à escola. Segundo poderão ser usadas para apoiar a realização de uma pedagogia que possibilite a formação dos alunos, possibilitando o desenvolvimento de habilidades que serão fundamentais na sociedade do conhecimento. É importante deixar claro que somente a inclusão da informática na escola não representa mudança. O facto de proporcionarmos ao aluno o uso do computador para realização de tarefas não é indicativo que ele compreende o que faz. A qualidade da interacção criança-objecto, de que nos fala Piaget é, particularmente pertinente no caso do uso da informática e de diferentes softwares.

    Mestre Fernando Correia - UMa

    Tecnologias e relação pedagógica: um caso de sucesso


    O verdadeiro sucesso escolar é sempre um sucesso de todos os envolvidos, concretamente dos professores e alunos. Ao oferecer outras técnicas, métodos e estratégias, oferecemos, no fundo, alternativas mais motivadoras, cognitivamente mais adequadas, despertadoras de curiosidade, promotoras de competência e, assim, respeitadoras do aluno.E, então, os alunos podem mais facilmente aprender, não só pelas tecnologias novas e inovadoras, mas porque alguém olhou para eles e pensou neles. Para que as tecnologias funcionem é preciso que haja um investimento emocional e uma disponibilidade para a relação pedagógica.Só assim a escola pode deixar de ser um lugar aonde se tem de ir para ser um lugar aonde se quer ir.


    Maria João Beja - UMa

    Ensinar Informática à Geração Nitendo


    A informática é tradicionalmente leccionada ao nível do ensino secundário, e mesmo superior para cursos não tecnológicos, numa lógica utilitária, em particular através das ferramentas de automação de escritório (vulgo "office"). Se esta lógica fazia sentido num período em que o acesso às tecnologias de informação e comunicação era escasso, hoje em dia torna-se irrelevante ensinar a geração Nintendo a utilizar ferramentas que estes consideram banais.

    Prof. Dr. Nuno Jardim Nunes

    Multimédia na Educação: Inovação e Tendências


    As aplicações multimédia têm sido amplamente utilizadas em diversos domínios, nomeadamente na medicina, na educação, no entretenimento, no governo, etc. O termo multimédia é utilizado para indicar que as informações/dados relacionados à aplicação são compostos por diversos tipos de média (áudio, vídeo, texto, etc.) que podem ser integrados de alguma forma. Em particular, a multimédia quando aplicada à educação representa uma tendência promissora, uma vez que a utilização do áudio, vídeo, animação, etc. pode motivar os alunos e promover o aprendizado.

    Prof. Dr. Paulo Nazareno Maia Sampaio

    A Utilização de uma Plataforma de E-Learning para apoio ao Ensino Presencial


    Uma plataforma de E-learning é um sistema de gestão de ensino (Learning Management System) que automatiza o planeamento e o suporte da leccionação de disciplinas de qualquer curso. Existem várias plataformas destas, disponíveis em freesoftware que são fáceis de utilizar por docentes que conheçam o Office e o utilizem para escrever documentos na sua actividade lectiva,.Está provado que o seu uso potencia o aumento de eficácia do ensino.
    A UE espera que no final deste quadro comunitário, o domínio destas ferramentas, na Europa, cubra todos os profissionais de ensino. Por isso, é importante que os actuais e potenciais utilizadores, nesta área, se organizem com o fim de possibilitar que os professores, nomeadamente os do ensino do secundário adquiram essas competências.Na Universidade da Madeira, o departamento de Matemática e Engenharia utiliza uma dessas plataformas – o Moodle. Os alunos da via ensino saem da Universidade a saber utilizar estes instrumentos. São pois um bom ponto de apoio para as escolas que os recebem como estagiários, promoverem a utilização de uma dessas plataformas.Com o Moodle qualquer professor pode armazenar e disponibilizar aos seus alunos, o material de suporte ao ensino. Pode ainda fazer os testes e obter a correcção automática dos mesmos. E pode passar a utilizar na sua comunicação não presencial o suporte que os actuais alunos tão bem conhecem, e usam diariamente nas suas actividades de lazer.Como utilizadora do Moodle nos últimos três anos, reconheço as enormes vantagens que disso tenho retirado, para mim e para os meus alunos no apoio às disciplinas que lecciono presencialmente.

    Ana Isabel Portugal - professora Auxiliar do DME da UMa.

    Moodle


    A plataforma Moodle (http://moodle.org/) é, de forma simples, um sistema que permite a gestão de cursos e conteúdos educativos. É um software livre, o que permite que a plataforma possa ser usada sem grandes restrições, por qualquer pessoa ou organização. As funcionalidades estão definidas de forma a sustentar uma abordagem pedagógica especifica, o construtivismo, cujo ponto de vista “sustenta que as pessoas constroem novos conhecimentos activamente, na medida em que interagem com o seu ambiente” [1]. De seguida apresento os principais elementos para a instalação e administração. Concluo com comentários à utilização e evolução do Moodle.O Moodle pode ser instalado em muitos ambientes, desde simples computadores onde a plataforma serve uma pessoa apenas, até servidores com centenas de milhares de utilizadores. Os requisitos técnicos são pequenos e qualquer pessoa, desde que tenha alguma facilidade no uso do computador (por exemplo compreender a instalação de programas), poderá instalar o Moodle.O seu funcionamento necessitará ainda de algum software adicional: servidor de páginas, base de dados e o suporte à linguagem de programação do Moodle. Um exemplo de um programa que realiza toda a instalação necessária, em ambiente Microsoft Windows, para o suporte ao Moodle é o projecto WAMP[2]. Após a instalação destes programas o processo de instalação do Moodle passará apenas por definir alguns parâmetros, como o acesso à base de dados, as directorias para os ficheiros e os dados do administrador; e por alguma personalização geral da plataforma, como a descrição breve e título do sistema. O processo em detalhe pode ser consultado no sítio da plataforma [3].A administração do Moodle envolve muitos componentes, mas dois destacam-se pela sua importância no contexto da aprendizagem: os utilizadores e as disciplinas. Além destes componentes, outros existem que permitem modificar aspectos relacionados com a funcionalidade, a segurança, o desempenho, a fiabilidade e a aparência.Para os utilizadores deve ser definida uma política de acesso e aí a plataforma é muito flexível. Esta permite desde a inscrição voluntária de quem quiser aceder até a ligação a outros sistemas já existentes numa organização. Além do administrador, super-utilizador com direitos completos sobre a plataforma, existem outros perfis de utilizadores: Professor, Professor Não Editor, Aluno e Visitante, com direitos específicos ao seu papel. Os professores criam os cursos e acompanham, os professores não editores acompanham os cursos podendo participar na avaliação e interacção com os alunos; os alunos acompanham e efectuam as actividades definidas pelos professores e os visitantes, se autori-zados, serão alunos não identificados. Podem ainda ser criados outros perfis com restrições e direitos completamente diferentes.As disciplinas, ou cursos, podem ser organizadas em categorias, sem limites hierárquicos. A cada disciplina serão associados os alunos e os professores (ou utilizadores de outros perfis que tenham sido definidos). A associação dos professores é feita apenas pelo admi-nistrador. A associação dos alunos já é mais flexível e dependente das definições gerais. Em casos mais limitados será apenas o administrador a realizar a inscrição de um aluno numa disciplina, mas também é permitido aos alunos, se tal for definido pelo administrador e professores, a escolha das disciplinas a que querem assistir (ou desistir).A organização e funcionamento da disciplina é da responsabilidade do professor (ou professores). O Moodle permite ao professor inserir recursos (como páginas de textos, documentos digitais e ligações para conteúdos na web) e definir actividades (como fóruns, glossários e testes, entre outros). Este pode acompanhar os alunos interagindo por intermédio de fóruns e mensagens individuais, e avaliar o trabalho realizado com comentários e com uma classificação, que poderá ser qualitativa ou quantitativa.O uso do Moodle por uma pessoa ou grupo restrito de pessoas não necessita, normalmente, de configurações adicionais, mas o uso por um grupo alargado de utilizadores e em ambiente aberto já necessita de cuidados adicionais de forma a garantir um bom funcionamento e com segurança.A plataforma Moodle teve a sua primeira versão estável em 2001 e desde essa data que a comunidade que a usa, mantém e desenvolve, tem crescido de forma apreciável. Um exemplo é o registo actual de mais de 40.000 sítios [4], sendo mais de 1700 apenas em Portugal [5], entre eles muitas escolas do ensino secundário. No sítio da plataforma existem os mais variados fóruns que esclarecem muitas dúvidas e ajudam a resolver muitos dos problemas que possam surgir. A comunidade é muito activa, o que dá muita confiança sobre a validação e acompanhamento que é feito à plataforma.A minha experiência tem mostrado que, pelo lado dos estudantes, a utilização e adopção da plataforma tem sido simples desde que haja um conhecimento básico de ferramentas para a Internet (navegador e cliente de correio electrónico). Para os professores, os requisitos para a utilização do Moodle são semelhantes, mas para estes o principal esforço é na reorganização dos conteúdos e na redefinição das estratégias de aprendizagem.As actividades privilegiam e facilitam a interacção professor/alunos e aluno/aluno, e a liberdade na construção do conhecimento, isto através da flexibilidade e da variedade de possibilidades oferecidas ao professor na definição de cada actividade. Os glossários e wiki podem ser criados e comentados por todos, os fóruns permitem que muitas discussões possam ser abertas, os trabalhos podem ser feitos e refeitos, e tudo é sempre passível de ser classificado, fazendo depois o Moodle a agregação final das várias avaliações por fórmulas ou por médias.O Moodle, pela sua evolução, tem respondido ao desafio dos educadores adaptando-se às suas necessidades, dando sempre valor às funcionalidades que privilegiam o ensino e não a aspectos técnicos avançados cujo uso é de pouco interesse num contexto educativo. Apesar da uniformidade, que sempre existirá no uso de uma qualquer plataforma, o Moodle é bastante flexível e permitirá a qualquer professor enquadrar o seu estilo de ensino da forma que achar mais conveniente às necessidades da turma sob a sua responsabili-dade.

    Eduardo Marques - DME da UMa e Administrador da plataforma Moodle

    sexta-feira, 4 de abril de 2008

    Sociedade de Informação e as TIC na Educação


    Nesta revista, como ficou prometido no número anterior, apresentam-se os resultados obtidos através do questionário aplicado a alunos que estão a frequentar o 9º ano de escolaridade nas escolas da Região Autónoma da Madeira no ano lectivo 2005/2006. De modo a facilitar a interpretação dos resultados, estes são apresentados numa sequência que coincide com a ordem pela qual as questões surgem nos respectivos questionários. Assim, a secção foi dividida em diversos pontos onde serão descritos os resultados relativos: à caracterização da amostra; equipamentos existentes na casa do aluno; utilização das TIC pelo aluno; equipamentos existentes para utilização das TIC em AP; utilização das TIC na AP. Os resultados obtidos em cada questão são analisados, sempre que possível, em articulação com a bibliografia e com os dados recolhidos noutras questões deste mesmo estudo.Atendendo ao facto de não se terem realizado os outros dois trabalhos previstos, não foi possível fazer alguns cruzamentos de informação considerados inicialmente.

    1 - Caracterização da amostra. Esta secção do questionário é constituída por 5 perguntas, onde se pretende saber os dados dos alunos, da turma e da família no que diz respeito à profissão e utilização do computador.Escolas participantes.Na Região Autónoma da Madeira, no ano lectivo de 2005/06 existiam 30 escolas do 3º ciclo com 9º ano de escolaridade. Em 3 das escolas não foi possível aplicar o inquérito aos alunos pelo facto de a Direcção das mesmas não ter autorizado.Alunos inquiridos:Foram inquiridos 959 alunos do 9º ano de escolaridade de 27 escolas da Região Autónoma da Madeira, de um universo de 2639 alunos, dos quais 1206 eram do sexo masculino e 1433 do sexo feminino, o que corresponde a uma amostragem aproximada de 36%. Como utilizámos uma amostragem por conveniência, escolhida pela direcção da escolas, estas escolheram turmas que melhor representavam a realidade das mesmas. Pretendia-se que, pelo menos, 20% dos alunos respondessem ao inquérito. De modo a não excluir alunos pertencentes à mesma turma, foram aceites os questionários de todos os alunos, originando um valor final de 36%.

    2 - Conclusões e implicações do estudoApesar das limitações que se reconhecem existir neste estudo, pareceu possível, da análise dos dados, retirar algumas indicações capazes de apresentar um conjunto de reflexões sobre as questões iniciais, respondendo também a algumas das mesmas.Foram inquiridos 959 alunos do 9º ano de escolaridade de 27 escolas da Região Autónoma da Madeira, de um universo de 2639 alunos, 1206 alunos e 1433 alunas, o que corresponde a uma amostragem aproximada de 36%.

    2.1 - Resultados obtidos:Os resultados obtidos neste estudo podem ser consultados no anexo 10.

    2.2 - Resposta às questões de investigação.
    De forma a facilitar a compreensão das conclusões apresentadas, serão relembradas as questões da investigação e sempre que necessário os objectivos definidos para as alcançar. Relativamente às conclusões apresentadas para cada questão de investigação serão referidas, sempre que possível, aspectos positivos e negativos encontrados no trabalho.

    2.2.1 - Quais a TIC disponíveis em casa?A maioria dos alunos afirma ter computador em casa, 72,3%. Alguns alunos não responderam, 13,6%, possivelmente por não haver a opção de resposta entre os 2 e 3 anos.

    2.2.1.1 - Profissão do pai, versus existência do computador em casa.Quase todos os alunos afirmam ter computador em casa, 86,44%. Os alunos que têm computador há mais de 5 anos são filhos dos pais de classes mais elevadas, 19,3%.

    2.2.2 - Qual a formação dos pais na utilização das TIC?A grande parte das mães e dos pais não sabem usar, 52,6% das mães e 46,6% dos pais. Poucos navegam na Internet e utilizam o e-mail; apenas 23% o fazem.

    2.2.3 - Que “Formação” têm os alunos em TIC e como a obtiveram?Os alunos aprenderam a utilizar as TIC de uma forma informal e formal. Num processo informal, com os irmãos, 25,4%; ou com os amigos, 10%. A nível formal, na disciplina de TIC, 9,9%; curso de computadores, 3,3% e na disciplina de AP, 1,8%.Grande parte dos alunos não respondeu (45,8%).

    2.2.4-Onde utilizam os alunos os computadores?A maioria dos alunos afirmam utilizar os computadores em casa quase todos os dias (66,8% dos rapazes e 59,5% das raparigas).Os alunos afirmam utilizar os computadores na escola quase todas as semanas (48,3% dos rapazes e 53,2% das raparigas).

    2.2.5- Quais as ferramentas utilizadas pelos alunos fora da escola, em casa?Os alunos afirmam utilizar quase todos os dias o processador de texto (66,8% dos rapazes e 59,5% das raparigas). Possivelmente para a realização de trabalhos de casa. Posteriormente, os alunos dizem jogar (40,6% dos rapazes e 32,5% das raparigas); e-mail (32% dos rapazes e 38,4% das raparigas) e IRC (30,31% dos rapazes e 30,59% das raparigas). Quase todas as semanas, os alunos utilizam a pesquisa e consulta de informação na Internet (37,1% dos rapazes e 34,5% das raparigas).

    2.2.6 - Onde utilizam os alunos as TIC na Escola, fora da disciplina de AP?A maioria dos alunos, 55,2%, afirma que há espaços disponíveis para a utilização das TIC. Esses espaços são: A biblioteca (39,8% dos rapazes e 54,8% das raparigas); Sala de TIC quando está livre (16,3% dos rapazes e 24,8% das raparigas); Oficina de Aprendizagem (17,1% dos rapazes e 11% das raparigas).

    2.2.7 - Quais as ferramentas utilizadas pelos alunos, na escola, fora da disciplina de AP?Alguns alunos afirmam utilizar quase todos os meses as apresentações electrónicas (22,3% dos rapazes e 24% das raparigas); processador de texto (18,9% dos rapazes e 24,6% das raparigas); pesquisa e consulta de informação na Internet (16% dos rapazes e 21,1% das raparigas.Poucos alunos consideram as escolas bem equipadas.

    2.2.8 - Como se trabalha em AP?2.2.8.1 - Quem escolhe os temas?A maioria dos alunos, 70,8%, afirma que os temas são propostos e escolhidos pelos alunos e/ou professores.

    2.2.8.2 - Que temas?Quase metade dos alunos, 46%, afirma que os temas são desligados da realidade/vivência dos alunos. Alguns discentes, 19,1%, afirmam que os temas não visam a resolução de situações problemáticas e conflitos.
    É intrigante o modo como se trabalha em AP, por um lado parece haver uma negociação dos temas, por outro, esses temas não vão ao encontro das necessidades dos alunos nem visam a resolução de situações problemáticas.

    2.2.8.3 - Quais as disciplinas que colaboram?Ao contrário do que seria de esperar, os alunos afirmam que as disciplinas que colaboram são: a disciplina de TIC. 38,5%, a disciplina de Ciências da Natureza, 25,5% e Educação Visual, 25,4%.

    2.2.8.4 - Como é feito a avaliação do trabalho realizado?Verifica-se que nem sempre o processo é avaliado, o que é afirmado por 38% dos alunos. Poucos alunos consideram a avaliação boa ou muito boa, 38,1%.Nota-se que há falta de colaboração, por parte dos alunos, e de satisfação com a avaliação do trabalho realizado.

    2.2.9 - Quais as ferramentas utilizadas pelos alunos, na escola em AP?Alguns alunos afirmam que utilizam quase todas as semanas o processador de texto (34,4% dos rapazes e 35,9% das raparigas) e pesquisa e consulta de informação na Internet (28,3% dos rapazes e 26,4% das raparigas). As apresentações electrónicas são utilizadas quase todos os meses, afirmação feita por 28,3% dos rapazes e 27,9% das raparigas.É notório que muitas das ferramentas informáticas não são exploradas, como, por exemplo, as ferramentas de produção.

    2.2.10 - De que modo, do ponto de vista dos alunos, o professor incentiva as TIC na sala de aula?A maioria dos alunos afirma que os professores incentivam a utilização das TIC na sala de aula, através de apresentações electrónicas (56,9% dos rapazes e 68,6% das raparigas); processador de texto (48,5% dos rapazes e 58,2% das raparigas); pesquisa e consulta de informação na Internet (43,7% dos rapazes e 60,3%d as raparigas).Verifica-se que há um grande desconhecimento ou falta de incentivo à utilização das TIC por parte dos professores de AP.

    2.2.11 - Obstáculos à utilização das TIC em AP?Verifica-se que há tendência para atribuir relevância à falta de equipamento ou equipamento inadequado e inacessível; falta de tempo lectivo; falta de interesse/motivação dos alunos e dificuldade de integração das TIC; falta de fontes de informação adequada.Os obstáculos são uma consequência/confirmação dos resultados obtidos nas perguntas anteriores.

    2.2.12 - Vantagens da utilização das TIC em AP?Há tendência para atribuir relevância ao aumentar a motivação e participação dos alunos; desenvolver competências nas áreas da comunicação, aprendizagem, acesso à informação, entre outras; contactar com novas tecnologias e novas fontes; abordagem de forma diferente aos conteúdos e pelo facto de permitir troca de ideias com colegas de locais diferentes.Curiosamente, ao contrário do que se passa na sala de aula, os alunos têm perspectivas diferenciadas e interessantes, que vão ao encontro das orientações do Ministério e dos estudos feitos. Perguntamos: será que os alunos leram os documentos da reorganização curricular e a literatura da disciplina de AP antes de responderem ao inquérito? Será que os professores desconhecem as fundamentações em causa e tratam a AP como mais uma disciplina?

    2.2.13 - Mais valia da disciplina de TIC para AP?A maioria dos alunos considera que sim, 61,7%. As explicações são muito generalistas, possivelmente devido a ser a resposta a uma pergunta aberta. As explicações são do tipo: Útil porque “aprendi muita coisa”; não é útil porque “Já sabia o que aprendi”.

    2.3 - Conclusões gerais.Perante os resultados obtidos, podemos concluir que os alunos têm acesso às TIC em casa. Utilizam-nas de forma mais diversificada, processador de texto e lúdica, e mais frequente do que na escola. Têm noções concretas sobre a mais valia das TIC em AP. No entanto, a utilização das TIC em AP é feita ainda de uma forma muito incipiente. Apesar dos grandes esforços realizados nos últimos anos, no sentido de equipar as escolas, a realidade é que estas continuam a apresentar grandes défices de equipamento disponível para uso de alunos e professores em contexto educativo, relacionado quer com as áreas disciplinares, quer nas áreas curriculares não disciplinares. Verifica-se que o equipamento não está instalado nos locais considerados espaços privilegiados para a integração curricular das TIC, em todas as escolas, nomeadamente, na sala de aula, nos laboratórios de ciências, nas salas de estudo acompanhado e de projecto. Este facto terá implicações, obrigatoriamente, na não utilização sistemática das TIC, em contexto de sala de aula.A análise dos resultados do presente trabalho mostra-nos que os usos efectivos das TIC estão aquém das suas potencialidades, ou seja, passa-se o conteúdo de uma tecnologia para outra sem ter em consideração pela aparência, facilidade de utilização ou as potencialidades da segunda tecnologia – Schovelware - Anexo 9. Reforça ainda a convicção de que é necessário desenvolver diversos estudos que possibilitem pensar a introdução das TIC na Escola numa vertente pedagógica, de forma a criar oportunidades e experiências de aprendizagem que favoreçam a construção do conhecimento, dotando o aluno de meios que lhe permitam tirar partido das novas tecnologias, não só na escola mas também ao longo da vida.De facto, parece-nos que num país como o nosso, onde se verificam lacunas de vária ordem no sistema de ensino, é natural que os professores manifestem algumas resistências e desconfianças relativamente aos novos meios e não se sintam vocacionados para investir na sua formação nesta área, considerando prioritário alicerçar o sistema, atacando velhos problemas que teimam em constituir um entrave ao sucesso. Sendo assim, perante a omnipresença das novas tecnologias da informação e comunicação, a atitude da escola tem vindo a ser serena e racional, evitando endeusar as tecnologias, ao ponto de pensar resolver os problemas pelo simples enxerto tecnológico.Paralelamente, não pode ser ignorado ou subestimado o papel relevante das instituições escolares enquanto mediadoras entre o sujeito e o conhecimento. É esta relação que, mais do que incentivada pela disponibilização de artefactos tecnológicos, tem de ser estudada, fundamentalmente no que diz respeito aos processos cognitivos envolvidos. Este investimento, intangível, é decisivo e, embora menos visível, deve imperar sobre o investimento físico. O trabalho que agora apresentamos confirma a existência de um claro afastamento entre as expectativas depositadas nas novas tecnologias, em particular no computador, e os usos concretos que dele fazem os nossos alunos, numa situação específica. Este salto qualitativo implica uma mudança de atitude por parte dos professores, que, mais do que esperar receitas milagrosas que resolvam os problemas, devem desenvolver projectos de investigação que lhes permitam questionar as suas práticas, colocar problemas e propor soluções. Estas nossas propostas devem inserir-se em programas de formação que contemplem a figura do professor como um profissional crítico, reflexivo e criativo. A formação referida, assente num processo contínuo de valorização teórica e prática da actividade docente, deve ter como objectivo fundamental o desenvolvimento de estratégias que permitam a integração do computador na escola, na sua vertente didáctica e pedagógica.

    3 - Limitações do estudo:Uma primeira limitação, que decorre da técnica de recolha de dados utilizada, está relacionada com o facto das conclusões resultantes reflectirem perspectivas acerca das práticas pedagógicas declaradas e não observadas. Este facto pode constituir um elemento desviante da realidade, uma vez que podem ter sido desvalorizados aspectos com grande significado para a descrição da situação real; esta desvalorização pode ter ocorrido durante as fases de recolha e análise de dados, sem que tenham havido possibilidades de confirmar ou esclarecer no terreno algumas respostas.O tipo de amostra utilizado, amostragem por conveniência, tem desvantagem no facto de os resultados e as conclusões, em rigor, só se aplicarem à amostra, não havendo garantia que a amostra seja razoavelmente representativa do Universo. O questionário foi apenas aplicado aos alunos. Não houve cruzamento com os resultados inicialmente previstos, dos professores e órgãos de gestão, nem houve tratamento estatístico inferencial dos dados recolhidos.Relativamente ao momento escolhido para proceder à recolha de dados, no final do ano, este pode não ter sido o mais oportuno por coincidir com o momento da avaliação das disciplinas, realização dos exames nacionais e encerramento do ano lectivo. Também ocorreu a mudança dos órgãos de gestão das escolas, nalguns casos continuaram os mesmos, noutros casos não.Na próxima revista vou apresentar algumas sugestões de modo a melhorar a situação.


    António Freitas - Grupo 520

    sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

    Sociedade de Informação e as TIC na Educação


    A Sociedade da Informação, entendida como o âmbito de um conjunto de preocupações que atravessam transversalmente a nossa sociedade, quer pela discussão pública e politica de acções que envolvem o seu desenvolvimento, quer pelas consequências sociais e económicas que implicam, torna o assunto recorrente desde, principalmente, os anos 90 até à data.A crescente omnipresença das Tecnologias da Informação e Comunicação é causa directa de profundas alterações no nosso modo de viver, aprender e divertir, conduzindo a novas formas de estar e fazer parte de actores sociais e comerciais. As transformações ocorridas no desenvolvimento da Sociedade da Informação têm conduzido à, ainda que parcial, redefinição dos meios e finalidades do acto de ensinar e aprender, conduzindo a um novo paradigma do ensino baseado cada vez mais em princípios de deslocalização, interactividade e flexibilidade. Impõe-se, então, a reflexão da aula, do aluno, da turma e até da própria escola numa sociedade caracterizada pela massificação das Tecnologias de Informação e Comunicação (Gouveia, 2004).As crianças que hoje chegam à escola básica, que cresceram neste caldo informacional, não pensam do mesmo modo nem sabem o mesmo que as crianças de há vinte anos atrás. As crianças já aprenderam muitas coisas pela TV ou pelas redes de computadores. Aprendem a desenvolver capacidades e modos de aprendizagem, porventura diferentes daqueles que eram típicos de uma sociedade pouco informada, em que a televisão não estava tão massificada nem era o veículo de comunicação da imensidade e da qualidade de informação que é hoje. Aprende-se muito fora da escola. O que se aprendia na escola é, em termos gerais, o que se continua a aprender, e o modo de o fazermos é semelhante. Não haverá “rotas de colisão” entre estas diferentes aprendizagens e estes diferentes modos de ensinar e de aprender? Como lida a escola com as aprendizagens ditas “informais”? (Azevedo, 1998).O Surgimento de novos desafios à escola levou à criação de áreas transversais e à integração das TIC, como a Área de Projecto, Estudo Acompanhado, a disciplina de TIC e projectos a nível nacional e internacional.Apesar de haver e de ter havido projectos a nível nacional para a integração das TIC na educação, desde formação de professores ao equipamento das salas, a utilização das TIC em sala de aula é muito incipiente. Em termos curriculares, apesar de existirem recomendações no sentido da utilização das TIC, quer no ensino básico que no ensino secundário, as tecnologias ainda continuam arredadas de muitas disciplinas em que tal é já quase inconcebível, sobretudo por resistência dos docentes que sentem dificuldades em gerir os programas com a inclusão dessas tecnologias, o que aponta claramente para a necessidade de formação no sentido da gestão flexível de programas e para a compreensão de que a estabilidade curricular é efémera. Devem ser objecto de reflexão as situações em que se utilizam estratégias adaptativas das tecnologias aos programas vigentes, o que se pode tornar bastante inadequado pois o uso das TIC não deve substituir-se a outros meios, mas complementá-los, e, no caso de os substituir, deve constituir uma evidente mais valia. Importa acentuar que as formas como se incluem as TIC podem ou não potenciar a construção de sentidos de aprendizagem dos estudantes a partir da complexidade. Uma educação digital não pode ser vista como tendo apenas uma dimensão tecnológica, mas num sentido mais holístico, pois contém dimensões organizativas, estéticas, cognitivas, relacionadas com axiológicas muito relevantes. A Escola tem que reorganizar fisicamente a função destas concepções por forma a que a acessibilidade à utilização de meios e ao acompanhamento desse uso sejam efectivos (Gouveia, 2004).Os desafios a que atrás aludimos têm suscitado o aparecimento de várias iniciativas no âmbito da integração das TIC em contexto educativo e de estudos em que se procura fazer o levantamento e o estudo do impacto dessas mesmas iniciativas, que desenvolveremos mais em detalhe no capítulo seguinte. No país, em 2002 e 2003, foram publicados estudos que visaram conhecer como usam os professores e alunos das escolas portuguesas as TIC. Estes estudos levaram à realização de trabalhos mais localizados, tanto geograficamente como em termos disciplinares/disciplinas. Paiva (2002), fez um estudo sobre a utilização pelos professores, das tecnologias de informação e comunicação. No seu estudo chegou às seguintes conclusões: no Ensino pré-escolar utiliza-se muito pouco as TIC em contexto educativo podendo tal facto dever-se à limitação do parque informático; nos 2º e 3º ciclos e ensino secundário era desejável que o uso do computador, em contexto educativo, fosse mais frequente; os professores que se iniciaram na informática por auto-formação, tipicamente mais jovens, utilizam o computador com mais frequência e qualidade; embora os professores usem, com alguma frequência, os computadores e, em particular a Internet, é muito fraco o uso de e-mail com alunos.Moreira (2003), fez um estudo sobre a integração das TIC na educação, numa perspectiva de contexto da reorganização curricular do ensino básico e verificou que: o rácio de alunos por computador era de 18,6 e que o equipamento não estava instalado nos locais considerados privilegiados para a integração curricular das TIC; a maioria dos professores não tinha formação suficiente na área das TIC, para concretizar a integração curricular das TIC; os Órgãos de Gestão e os professores começam a compreender que a integração das TIC nas práticas lectivas não é compatível com a prática convencional; um grande número de professores utiliza as TIC a nível pessoal e reconhece a necessidade de formação e apoio no desenvolvimento de competências que lhes permitam a exploração das TIC em contexto educativo.Viseu, (2003), fez o estudo sobre os alunos, a Internet e a escola. De acordo com os dados obtidos foi possível concluir que um pequeno número de alunos utiliza a Internet em relação ao global dos alunos da escola (o valor não atingiu os 10%). Acresce-se ainda que, desse reduzido número de alunos, uma pequena percentagem utiliza a Internet com fins escolares.Matos, (2004), fez o estudo sobre as tecnologias de informação e comunicação e a formação inicial de professores em Portugal: radiografia da situação em 2003, reconhece que a qualidade da formação inicial dos professores constitui um dos pontos basilares de progressão do sistema educativo em Portugal, nomeadamente no que se refere às TIC e à sua integração nas actividades curriculares ao nível do ensino básico e secundário, torna-se necessário aprofundar o conhecimento acerca dos modos como a formação é realizada e do seu impacto nas práticas dos professores recém diplomados. É urgente investigar com mais pormenor os modos como as instituições de formação inicial integram as TIC nos seus planos curriculares.As TIC são parte integrante do nosso quotidiano, desde o multibanco até à Internet. Os computadores fazem parte da nossa vida individual e colectiva e a Internet e o multimédia estão a tornar-se omnipresentes. A sociedade de informação introduz uma nova dimensão no modelo das sociedades modernas. Estes modelos de sociedade têm implicações na área da educação e da formação que exigem, por parte de todos os intervenientes, um debate sério e aprofundado (Moreira, 2003, p. 14).As tecnologias de informação e comunicação são um instrumento que propicia representar e comunicar o pensamento, actualizá-lo continuamente, resolver problemas e desenvolver projectos. Favorece a articulação entre as diversas áreas do conhecimento, proporcionando um aprofundamento de alguns conteúdos específicos e levando à produção de novos conhecimentos. A Área de Projecto é um espaço privilegiado, em que a partir de um projecto/problema/tema se pode desenrolar todo um conjunto de actividades, envolvendo uma ou mais ferramentas TIC.A Internet e os seus serviços com as suas potencialidades ao nível da pesquisa de informação, comunicação e partilha de conhecimento, o processador de texto, ferramenta básica no que se refere à produção de documentos escritos, a folha de cálculo, nomeadamente a nível do tratamento de dados e sua representação gráfica, a base de dados, como dispositivo de organização e gestão de informação, a recolha e tratamento de imagem digital, a apresentação electrónica da informação, a edição electrónica e mesmo a produção/edição de vídeo digital, constituem veículos de construção de conhecimento, de partilha e de comunicação indispensáveis na sociedade actual.Segundo Rangel, (1998), enumeramos a seguir alguns aspectos que caracterizam as sociedades actuais e que parecem ter maiores implicações em termos de currículos: o mundo transformado numa “aldeia global”, globalização da economia e internacionalização dos mercados, transferência e mobilidade de actividades e pessoas, circulação ultra-rápida da informação, uniformização dos padrões culturais, redução das barreiras tradicionais do tempo e da distância, formação de blocos (económicos e políticos) multinacionais; acentuado desequilíbrio entre países (países altamente industrializados/países subdesenvolvidos); controlo da ciência e tecnologia pelos países mais industrializados; forte emergência de movimentos nacionalistas e regionalistas e de conflitos étnicos e raciais; alteração profunda na natureza e organização do trabalho e do emprego; alteração na distribuição dos sectores produtivos: intensa terciarização; mudança significativa no tipo e conteúdo das profissões; “encefalização” das nossas sociedades, ou seja, a inteligência tornou-se uma das “mercadorias” mais procuradas; aumento da oferta de trabalho (longevidade, saúde, trabalho feminino); escassez de postos de trabalho — desemprego como problema permanente e crónico; aumento das assimetrias sociais, da pobreza, das bolsas de marginalidade e de exclusão , dos conflitos e da violência em todos os países (ricos e pobres); alteração da composição étnica numa grande parte dos países (fruto da mobilidade, migrações e conflitos generalizados, em certas zonas do planeta); deslocação massiva das populações para os grandes centros urbanos; aumento desenfreado do consumismo nos países mais desenvolvidos; aumento da instabilidade familiar e das taxas de divórcio; diminuição da convivência familiar e social; acentuado individualismo crise acentuada dos valores e dos sistemas ideológicos; perda de confiança nos “grandes modelos” - políticos, sociais e económicos; problemas graves de desequilíbrio ecológico e de degradação do ambiente.Segundo Grilo (2002), temos vindo a assistir a um conjunto de mudanças estruturais nas áreas financeira, económica, tecnológica e política cujas sequências se fazem sentir em praticamente todos os sectores da sociedade. As áreas da educação e da formação são talvez aquelas em que o desafio ganha maior dimensão, dado que a qualidade dos recursos humanos a formar no futuro e a requalificação dos recursos existentes constitui, seguramente, factores decisivos para a consolidação do modelo ou modelos onde se inserem as referidas mudanças estruturais. É importante sublinhar o papel que representa hoje, nas nossas sociedades, o seguinte conjunto de factores e áreas de evolução: as tecnologias da informação que, com a ligação dos computadores às telecomunicações, proporcionam o acesso instantâneo à informação e o contacto permanente entre pessoas e organizações; o uso generalizado do computador como equipamento que significa e optimiza os procedimentos, ao mesmo tempo que reduz os tempos de operação; a implicação de novos processos tecnológicos que reduzem custos mas, simultaneamente, que aumentam a qualidade dos produtos; a introdução de novos processos de administração e gestão; o aparecimento de grupos financeiros e económicos de grande dimensão, resultante de uma politica de fusões entre empresas e grupos, com o objectivo de, em certos sectores, se poderem obter altos níveis de competitividade e produtividade; a criação na Europa de um quadro institucional em que se vai continuar a aprofundar e a consolidar um projecto supranacional - com salvaguarda das identidades culturais e linguísticas de cada um dos países que vieram a integrar o projecto.Conforme refere Marques (1998), a idade, o sexo ou o nível sócio-económico não devem ser limites ou obstáculos no acesso e no usufruto da Sociedade de Informação, pelo que, desde a sua geração, devam estar previstos mecanismos que contrariem esse perigo real. Esses mecanismos devem ter como espaços de intervenção prioritários: a escola e a família, onde se formam adequadamente os cidadãos do futuro; as empresas e centros de formação, onde se requalificam os cidadãos do presente.Para Marques (1998), os desafios associados à revolução que a Sociedade de Infor-mação provocará nos planos educativo, social e cultural, podem ser definidos em três linhas principais: A Sociedade de Informação, se construída como prioridade da dimensão humana, não pode gerar novas exclusões sociais ou acentuar as já existentes. A Escola pode e deve ser o principal espaço de afirmação deste paradigma; a Sociedade de Informa-ção não deve permitir a criação, ou o reforço, de predominâncias culturais, ideológicas ou económicas de alguns protagonistas, defendendo, ao invés, a diversidade e a interdependência entre as comunidades. Como espaço de liberdade, deverá estimular o diálogo na diversidade, a partilha de recursos culturais e a afirmação de cada pessoa, povo ou cultura; os primeiros passos da Sociedade de Informação, ainda em fase de afirmação, deve acentuar o carácter democrático e solidário da sua essência, sendo útil que os projectos mais relevantes se afirmem de utilidade evidente e universal, bem como de fácil acesso.No Livro Verde para a Sociedade da Informação em Portugal, a formação ao longo da vida sustenta-se em torno de quatro aprendizagens fundamentais, que se interligam e que constituem para cada indivíduo, os pilares do conhecimento: aprender a conhecer, isto é, adquirir os instrumentos da compreensão, combinando uma cultura geral, suficientemente vasta, com a possibilidade de trabalhar em profundidade um pequeno número de matérias, o que também significa, aprender a aprender, para beneficiar das oportunidades oferecidas pela educação ao longo da vida; aprender a fazer, para poder agir sobre o meio envolvente, a fim de adquirir não somente uma qualificação profissional mas também competências que tornem a pessoa apta a enfrentar as mais diversas situações e a trabalhar em equipa; aprender a viver em comum, a fim de participar e cooperar com os outros, no respeito pelos valores do pluralismo, da compreensão mútua e da paz; aprender a ser, via essencial que integra as três precedentes e que permite a cada um desenvolver melhor a sua personalidade, ganhar capacidade de autonomia, discernimento e responsabilidade.A educação articula-se com a sociedade de informação, uma vez que se baseia na aquisição, actualização e utilização dos conhecimentos. Nesta sociedade emergente multiplicam-se as possibilidades de acesso a dados e a factos. Assim, a educação deve facultar a todos a possibilidade de terem ao seu dispor, recolherem, seleccionarem, ordenarem, gerirem e utilizarem essa mesma informação. A escola pode contribuir de um modo fundamental para a garantia do princípio de democraticidade no acesso às novas TIC e pode tirar partido da revolução profunda no mundo da comunicação operada pela digitalização da informação, pelo aparecimento do multimédia e pela difusão das redes telemáticas. A sociedade de informação corresponde, assim, a um duplo desafio para a democracia e para a educação. Cabe ao sistema educativo fornecer, a todos, meios para dominar a proliferação de informações, de as seleccionar e hierarquizar, com espírito crítico, preparando-os para lidarem com uma quantidade enorme de informação que poderá ser efémera e instantânea. As TIC oferecem potencialidades imprescindíveis à educação e formação, permitindo um enriquecimento contínuo dos saberes, o que leva a que o sistema educativo e a formação ao longo da vida sejam reequacionados à luz do desenvolvimento destas tecnologias.Neste mesmo sentido, refere o Livro de Graciela Selaimen e Paulo Henrique Lima (2004), Cúpula Mundial Sobre a Sociedade de Informação, alguns objectivos indicativos baseados em metas de desenvolvimento acordadas internacionalmente - incluídas as que figuram na Declaração do Milénio, as quais se baseiam na cooperação internacional, que podem servir de referência mundial para melhorar a conectividade e o acesso às TICs a fim de promover os objectivos do Plano de Acção - que devem ser alcançados antes de 2015. Estes objectivos podem ser considerados no estabelecimento de metas nacionais, em função das circunstâncias de cada país: conectar aldeias com as TICs e criar pontos de acesso comunitário; conectar com as TICs universidades, escolas superiores, escolas secundárias e escolas primárias; conectar com as TICs centros científicos e de pesquisa; conectar com as TICs bibliotecas públicas, centros culturais, museus, agências de correios e arquivos públicos; conectar com as TICs centros de saúde e hospitais; conectar todos os departamentos de governo locais e centrais e criar sítios web e endereços de correio electrónico; adaptar todos os currículos das escolas primárias e secundárias para que se adaptem ao cumprimento dos objectivos da sociedade da informação, levando em conta as circunstâncias de cada país; assegurar que todos os habitantes do mundo tenham acesso a serviços de televisão e rádio; fomentar o desenvolvimento de conteúdos e implantar condições técnicas que facilitem a presença e a utilização de todos os idiomas do mundo na Internet; assegurar que o acesso às TICs esteja ao alcance de mais de metade dos habitantes do planeta.Uma sociedade em constante mudança coloca um permanente desafio ao sistema educativo. As TIC são um dos factores mais salientes dessa mudança acelerada, a que este sistema educativo tem de ser capaz de responder rapidamente, antecipar e mesmo promover.Segundo a Acção Nacional TIC para a Educação, a vigorar ao longo de 2001-2006, o futuro perspectivado de uma sociedade de informação e do conhecimento depende significativamente do que hoje ocorre nas escolas. As características e a qualidade da acção educativa que aí decorrem, as aprendizagens realizadas, as competências e os saberes adquiridos são factores condicionantes do percurso social a realizar. Uma educação básica capacitadora de uma cidadania plena para todos pressupõe a existência de referenciais de conhecimento e de desempenho de acesso universal. Estes, consubstanciados num perfil de competências gerais, não podem deixar de ter em conta as implicações específicas e transversais que as TIC comportam.A escolaridade obrigatória assume, com crescente implicação, todas as consequências que decorrem desta realidade. Pretende garantir que, ao finalizar o nono ano, todos os alunos sejam capazes de utilizar as TIC, nomeadamente para seleccionar, recolher e organizar informação, para esclarecimento de situações e resolução de problemas.A exigência de uma tal competência terminal pressupõe o desenvolvimento de diversos saberes e competências ao longo de todo o ensino básico. Trata-se de garantir que as escolas assegurem no currículo dos alunos a possibilidade destes adquirirem uma capacidade significativa na utilização dos computadores e da Internet.Não basta que os alunos sejam capazes de realizar alguns procedimentos elementares no uso das TIC. O desempenho básico neste domínio pressupõe que desenvolvam, de forma flexível e faseada, processos de aprendizagem transdisciplinar, com um tempo signi-ficativo de prática que lhes garanta a transferibilidade das aprendizagens e a autonomia no uso das TIC.Isso pressupõe o inequívoco empenho das escolas e dos professores e o estímulo a aprendizagens autónomas e cooperativas dos alunos. Implica que o uso das TIC esteja presente em várias áreas curriculares para que seja assegurado um percurso coerente de formação e a aquisição de um conjunto de competências claramente referenciado.Neste sentido, o ensino básico, para além da certificação global que propicia no final do 3º ciclo, deve dispor de uma certificação básica em TIC com identidade própria, capaz de balizar as aprendizagens a realizar nestas tecnologias ao longo da escolaridade obrigatória e de certificar a sua aquisição pelos alunos.Este “Certificado de Competências Básicas em Tecnologias de Informação e Comunicação” deve corresponder ao reconhecimento de que o aluno adquiriu ao longo do ensino básico as competências relativas a: aquisição de uma atitude experimental, ética e solidária no uso das TIC; capacidade de utilização consistente do computador; desempe-nho suficiente no manuseamento do software utilitário essencial; capacidade de recolha e tratamento de informação, designadamente com recurso à Internet, e desenvolvimento de interesse e capacidade de auto-aprendizagem e trabalho cooperativo com as TIC.Um professor com competências básicas em TIC terá conhecimentos e competências em cinco vertentes: atitudes positivas, numa perspectiva de abertura à mudança, receptividade e aceitação das potencialidades das TIC, capacidade de adaptação ao novo papel do professor como mediador e orientador do conhecimento face aos alunos, estimulando o trabalho em grupo; promoção de valores fundamentais no uso das TIC, incluindo a atenção às questões de segurança/vigilância sobre a informação na Internet, as questões de direitos de autor e éticas relativas à utilização das TIC, etc.; competências de ensino genéricas sobre quando utilizar e como integrar as TIC nas diferentes fases do processo de ensino, partindo do planeamento até à avaliação e modo de usar as TIC para estimular as dinâmicas da escola; competências para o ensino da disciplina/área curricular, incluindo o modo como integrar as TIC no curriculum, conhecer e avaliar software educacional, como explorar os recursos existentes na escola, estar familiarizado com o equipamento, estar atento às questões de segurança/vigilância sobre a informação na Internet, às questões de direitos de autor e éticas relativas à utilização das TIC, a questões relativas às condições de acessibilidade da Internet para públicos com necessidades especiais; capacidades de manuseamento das ferramentas, incluindo software utilitário e de gestão pedagógica, em contexto educativo.Em Portugal Continental e na Região Autónoma da Madeira, os decisores políticos têm desenvolvido iniciativas tendentes a dar às novas gerações a possibilidade de acesso às médias digitais. Estas iniciativas têm visado fundamentalmente o apetrechamento das escolas em meios informáticos, a ligação das escolas à Internet e a formação de docentes (Projecto Minerva; Projecto REI; Programa Prof2000; Projecto Uma Família Um Computador; Projecto Madeira Digital). Tais iniciativas têm registado alguns resultados po-sitivos, embora limitados a uma pequena percentagem da comunidade escolar da Região Autónoma da Madeira. A maioria destes projectos não funciona em todas as escolas, depende da realização da candidatura da escola aos projectos e da sua aceitação por parte do Júri dos mesmos. Adicionalmente, cada escola integrada num projecto não abrange todos os seus alunos; normalmente desenvolve actividades no âmbito de um clube, apenas com os alunos que se inscrevem nele.Neste momento, em Portugal, parece existir vontade política consagrada no Decreto-Lei nº6/2001. O diploma estabelece a educação para a cidadania, o domínio da língua portuguesa e a valorização da dimensão humana do trabalho, bem como a utilização das TIC como formações transdisciplinares, no âmbito do ensino básico, abordando de forma integrada a diversificação das ofertas educativas, tomando em consideração as necessidades dos alunos, definindo um quadro flexível para o desenvolvimento de actividades de enriquecimento do currículo. O programa de Tecnologias de Informação e Comunicação (9º e 10º Ano) refere que se pretende que seja uma disciplina essencialmente prática e experi-mental, orientada para formação de utilizadores competentes nestas tecnologias. Para atingir esta meta, o ensino de TIC deverá ser feito em articulação e interacção com as demais disciplinas, por forma a que os alunos sejam confrontados com a utilização das aplicações informáticas mais comuns em contextos concretos e significativos.O despacho nº 16 149/2007 vem potenciar o uso das TIC, no 8º ano, áreas curriculares não disciplinares, preferencialmente na Área de Projecto para uma maior eficácia na aplicação de programas de apoio aos alunos com dificuldades de aprendizagem. Desta forma, um tempo lectivo de 90 minutos deverá ser destinado à utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação para atingir os objectivos destas áreas não curriculares.No próximo número, abordaremos as respostas dos alunos da Área Projecto do 9º Ano, de todas as Escolas da Região, a um inquérito sobre a utilização das TIC na Educação.


    Bilbiografia:
    Decreto-Lei nº 6/2001Despacho nº 16 149/2007
    Azevedo, Joaquim (1998). Sessão de Abertura. In Marques R. and all (Ed.). Na Sociedade de informação: O Que Aprender na Escola?, 81-96. Porto. Edições ASA.
    Gouveia, Luís Borges and Gaio, Sofia ( 2004). Sociedade da Informação. Balanço e Implicações. Porto. Edições Universidade Fernando Pessoa.
    Grilo, Marçal (2002). Desafios da Educação. Lisboa. Oficina do Livro.
    Matos, Filipe de Lacerda (2004). As Tecnologias de Informação e Comunicação e a Formação Inicial de Professores em Potugal: radiografia da situação em 2003. Centro de Competência Nónio Século XXI ad Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Lisboa.
    Moreira, Ana Paula Génio (2003). Integração das TIC na Educação: Perspectivas no Contexto da Reorganização Curricular do Ensino Básico. Universidade do Minho. Instituto de Educação e Psicologia.
    Rangel, M (1998). Reordenar o Currículo do Ensino Básico Fáce à Sociedade de Informação. In Marques R. and all (Ed.). Na Sociedade de informação: O Que Aprender na Escola?, 81-96. Porto. Edições ASA.Viseu, Sofia (2003). Os Alunos, a Internet e a Escola. Ministério da Eucação – Departamento da Educação Básica.

    António Freitas - Grupo 520