quarta-feira, 13 de maio de 2009

Impacto ou impacte














Apesar de






Em qual direcção vai o autocarro?

Esta mesma questão foi colocada num jardim de infancia a um grupo de criancinhas...
90 % delas responderam :
-esquerda!

E perante a estupefacção de todos os adultos, eles responderam:
-É esquerda o sentido em que vai o autocarro, porque não estamos a ver a porta!'

Amor é fogo que arde sem se ver...



Questão : Interpretar o seguinte trecho de poema de Camões:

'Amor é fogo que arde sem se ver,

é ferida que dói e não se sente,

é um contentamento descontente,

dor que desatina sem doer'.


Uma aluna deu a sua interpretação:

'Ah Camões, se vivesses hoje em dia,
tomarias uns antipiréticos,

uns quantos analgésicos e Prozac para a depressão.

Comprarias um computador,

consultarias a Internet e descobririas que essas dores que sentias,

esses calores que te abrasavam,

essas mudanças de humor repentinas,
esses desatinos sem nexo,

não eram feridas de amor,

mas somente falta de sexo!'

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Rostos do Liceu: Emanuel Gonçalves



O Lyceu: Fala-nos de Emanuel Gonçalves do seu projecto de vida, dos seus sonhos, dos seus gostos…

Emanuel Gonçalves: Eu sou o Emanuel Luís Abreu Gonçalves, tenho 19 anos e sou atleta nadador. Estudo desporto, porque futuramente quero seguir algo dentro da minha área, a Natação. Quanto aos meus sonhos, eu sou muito ambicioso. Tenho como grande objectivo os Jogos Paralímpicos de Londres de 2012, mas, antes disso, já conto com muitas outras internacionalizações, nomeadamente o Campeonato Europeu na Islândia, em Outubro deste ano, prova para a qual já estou qualificado.


O. L.: Como nasceu a tua apetência pela Natação?


Emanuel Gonçalves: Aos meus 6 anos de idade, tive um vírus que me afectou o sistema nervoso e levou-me a ficar paralisado por breves meses. Por aconselhamento médico, entrei para a Natação, que só me veio beneficiar tanto ao nível de saúde como também veio a abrir as portas a minha carreira desportiva ao mais alto nível. Contudo, o apoio de todos aqueles que desde sempre me acompanharam, pais, treinadores, colegas, é indispensável.

O. L.: Descreve a Natação enquanto actividade desportiva.

Emanuel Gonçalves: Enquanto actividade desportiva, a natação é muito produtiva, porque não só é o desporto mais completo de todos, sendo aquele que faz trabalhar todos os músculos do nosso corpo, como também é uma actividade que proporciona convívio com outros praticantes e o bem-estar físico de todos.

O. L.: Ser um desportista de alta competição é um desafio? Até que ponto?

Emanuel Gonçalves: Sem dúvida alguma que sim. Ser atleta de alta competição é um estatuto que se adquire por estar entre os melhores do nosso País e, não só lutamos imenso para o conseguir, como também lutamos para o manter durante cada época desportiva… O facto de levarmos uma bandeira ao peito cada vez que competimos, a responsabilidade de que nada pode falhar e a garra de ganhar mais e mais são desafios feitos a nós mesmos e sem eles provavelmente nunca evoluiríamos…

O. L.: Como consegues conciliar a alta competição, no que se refere às tuas participações em torneios internacionais, com a vida escolar?

Emanuel Gonçalves: A escola é indispensável para o futuro de cada um de nós, ela é a preparação da minha vida profissional, por isso um atleta de alta competição não se dedica exclusivamente à modalidade, mas também à escola. Uma das nossas vantagens é que, quando competimos ao nível internacional, temos direito a uma data de coisas que visam compensar as aulas perdidas, nomeadamente, o acesso às matérias.


O.L.: Vale a pena ser um atleta de alta competição, quer em termos de pessoais quer em termos profissionais?

Emanuel Gonçalves: Sim. Gostar daquilo que fazemos é a base do nosso sucesso. Um atleta motiva-se dentro daquilo que consegue alcançar, sendo a motivação o factor com maior responsabilidade por que consiga atingir os seus objectivos. Esta é, sem dúvida, importante em todos os aspectos da vida.

O.L.: Certamente que já és considerado uma referência para os Madeirenses, tendo em conta o teu palmarés. Como lidas com essa “fama”? É fácil geri-la?

Emanuel Gonçalves: Infelizmente, aqui na Madeira, a Natação é inserida num conjunto de outras modalidades às quais apelidam de “amadoras”, dado que as pessoas têm mais interesse num jogador de futebol, que recebe os seus ordenados estrondosos, anda com luxos extravagantes, é capa de revistas e, muito provavelmente, não é tão aplicado como nós. Esta é uma coisa que me perturba imenso… e não me refiro só a mim, mas a muitos outros grandes atletas de alta competição da nossa região, que deveriam ser mais apoiados.


O. L.: Que mensagem deixas aos teus colegas da Jaime Moniz e para os jovens em geral?

Emanuel Gonçalves: Aos meus colegas da Jaime Moniz e para os jovens em geral, deixo esta mensagem: façam, do vosso sonho, realidade e nunca deixem de acreditar que tudo é possível. O esforço é sempre recompensado!
Fonte da foto: Emanuel Gonçalves.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Quem me dera


Quem me dera que soubesses quanta falta me fazes, meu amor. Quem me dera que entendesses este bater acelerado do meu coração na tua presença. Assim nada neste mundo teria fim, assim podias compreender exactamente este meu desejo de te ter a meu lado a toda a hora, e ainda este mais forte desejo da minha mente de não se desapegar de ti nem por um minuto.

Uma grande parte de mim quase que morre só de pensar que te perdi no meio da imensa eternidade e o que sobrou não chega para calar o coração, que teima em amar-te. O que sobrou não chega para afastar do pensamento as recordações que teimam em permanecer. Recordações essas de um outro tempo, as quais nunca poderei esquecer. Ainda que por vezes me assalte o desejo de ficar sem memória - na tentativa que o sofrimento seja menor - para poder apagar todas essas recordações do meu pensamento. Mas logo me apercebo que seria a pior coisa que me poderia acontecer, uma vez que todos os nossos momentos juntos iriam dissipar-se no meio do nada, nunca mais me lembraria deles e, isso iria quebrar-me completamente.

Parece que ainda ontem estávamos enroscados debaixo dos lençóis fazendo juras de amor, no entanto, já se passou uma imensa quantidade de dias, quase uma eternidade.

Podia jurar que me amavas de corpo e alma, como eu a ti. Mas quem sou eu para dizer que me amas? Quem sou eu para dizer que precisas de mim? Eu não sei absolutamente nada, eu não percebo. Deixaste-me aqui desamparada, acompanhada pelo vazio. Foi apenas isso que sobrou após a tua partida, vazio, dor e réstias de um grande amor.

Oh, como eu gostava que voltasses a sentir a simplicidade de um beijo doce e apaixonado, intenso e arrebatador, ou de uma carícia suave sobre a pele nua, ou ainda um abraço apertado, aconchegado, repleto de carinho e transbordando em amor! Amor doce e verdadeiro, amor esse que um dia foi meu e teu, nosso, e que agora deambula no meio do esquecimento, no meio do nada.


Mariana Nunes, 10º42

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Editorial



Rostos do Liceu: Roberto Nóbrega




O Lyceu: Fala-nos do Roberto Nóbrega, do seu projecto de vida, dos seus sonhos, dos seus gostos…

Roberto Nóbrega: Sou um jovem “normal”. Neste momento, frequento o 11º ano, tendo como objectivo seguir Medicina. Ajudar o próximo é algo que sempre me deu satisfação, daí o sonho que tento concretizar.
Em paralelo com os estudos, pratico atletismo. Nos meus tempos livres - que são bem poucos – gosto de passear, experimentar outros desportos e, principalmente, dar uma boa gargalhada com os amigos. Sublinho o papel importante do humor na minha vida: sem ele, seria bem mais difícil ultrapassar certos “acidentes de percurso”.


O. L.: Como nasceu a tua apetência pelo Atletismo?


Roberto Nóbrega: Desde sempre que amo desporto. Comecei pelo Futebol, pratiquei Basquetebol, passei pelo Andebol, até que me rendi ao Atletismo.
No 8º ano, o meu professor de Educação Física era responsável pelo núcleo da modalidade lá na escola. Como se não bastasse, a minha curiosidade pelo mais completo dos desportos, vim a receber um convite para participar numa concentração. Aquando dessa participação, consegui uns resultados deveras “engraçados”… Passei o resto desse ano e o seguinte a ir a provas sem qualquer compromisso com clubes. No ano transacto, ingressei na Associação Desportiva e Recreativa de Água de Pena (ADRAP), onde comecei a treinar diariamente com grandes valores do atletismo regional, o que me fez evoluir rapidamente.
Neste momento, continuo a treinar junto de um grupo de trabalho bastante promissor que, tal como eu, tem objectivos elevados para um futuro próximo.

O. L.: Descreve o Atletismo enquanto actividade desportiva.

Roberto Nóbrega: Geralmente, as pessoas associam o Atletismo somente ao acto de correr longas distâncias, contudo, a modalidade tem muito mais para oferecer. Como já referi, esta actividade desportiva apresenta um sem-número de disciplinas que desenvolve e põe à prova as três capacidades físicas mais importantes no ser humano: correr, saltar e lançar. Por alguma razão, o Atletismo é a prova rainha dos Jogos Olímpicos!
Este desporto é como que uma filosofia de vida. O acto de ultrapassar uma barreira ou uma fasquia não é mais do que um treino para ultrapassar os obstáculos do quotidiano… A vontade de saltar mais longe e mais alto é equiparável à vontade de realizar sonhos, de tornar o difícil realidade. Há que ser persistente e dedicado para concretizar as metas impostas. Aquele que é incapaz de entender que sem trabalho não há resultados (de qualidade), jamais vingará no Atletismo ou em qualquer outro momento da sua existência.

O. L.: Ser um desportista de alta competição é um desafio? Até que ponto?

Roberto Nóbrega: Do ponto de vista técnico, ser desportista com estatuto de alta competição está à distância da – simples – realização de uma marca exigida. Na minha perspectiva, a alta competição significa enfrentar atletas que se dedicam a cem por cento à modalidade. São jovens que passam uma parte relativamente grande do seu tempo a “respirar” Atletismo.
O principal desafio é superar as nossas próprias capacidades. O mais leve é observar e comparar a superação do adversário. É esta acção que dita a diferença entre o 1º do 2º lugares, embora eu defenda que o verdadeiro vencedor é aquele que se excede por mais larga margem…

O. L.: Como consegues conciliar a alta competição, no que se refere às tuas participações em torneios internacionais, com a vida escolar?

Roberto Nóbrega: Esta é, indubitavelmente, a parte mais difícil. É muito desgastante treinar 13 horas semanais (sem contar com a competição aos fins-de-semana e com o tempo dispendido em deslocações) e, ainda assim, conseguir notas razoáveis. Participar em eventos internacionais é extremamente compensador, estes têm, porém, durações de uma semana, o que faz com que eu falte a imensas aulas. O segredo é manter-me concentrado e organizado para que as perdas sejam de menor dimensão. Contudo, o meu desempenho académico acaba sempre por ser limitado.


O.L.: Vale a pena ser um atleta de alta competição, quer em termos de pessoais quer em termos profissionais?

Roberto Nóbrega: Em termos pessoais, o desporto tem-me ensinado a lidar com grandes pressões e a dar a volta por cima de determinados problemas. Viajo regularmente e isso é óptimo, dado que tenho oportunidade de conhecer outros lugares, outras pessoas e as suas realidades.
Ao nível profissional, espero poder contar com o estatuto para a entrada na universidade. Afinal, todo o tempo dispensado na representação da Madeira e, futuramente de Portugal, deve ser recompensado.

O.L.: Certamente que já és considerado uma referência para os Madeirenses, tendo em conta o teu palmarés. Como lidas com essa “fama”? É fácil geri-la?

Roberto Nóbrega: Eu não diria “fama”, mas, sim, experiência. Convencionalmente, a fama faz com que um indivíduo esqueça a sua verdadeira identidade e se sobrevalorize. Pessoalmente, sei que não sou melhor do que os meus colegas; apenas posso ter alguma experiência que eles ainda não possuam. Contudo, tento transmitir e receber conhecimentos. Se eu tiver alguma fama, é certamente a de puxar pelo adversário.

O. L.: Que mensagem deixas aos teus colegas da Jaime Moniz e para os jovens em geral?

Roberto Nóbrega: Em primeiro lugar, gostaria de deixar um incentivo à prática do Atletismo e alertar a que não se pense que é necessário correr depressa ou ser atlético para poder competir. Basta ter vontade! Decerto que, entre tantas disciplinas dentro da modalidade, haverá uma que se adapte às capacidades de cada um. Além disso, existem por aí imensos desportistas, nomeadamente, futebolistas, que passam os dias a “aquecer o banco” quando têm capacidade para conseguir grandes resultados nesta actividade. Experimentar não custa nada!
Por fim, peço a todos que não desistam dos vossos sonhos e projectos de vida por mais longe que eles possam aparentar. Podemos nunca alcançá-los, mas nada nos tira o direito de olhar lá para o alto e apreciar a beleza de tais aspirações, acreditar nelas, seguir na sua direcção… e, efectivamente, realizá-las! O importante é continuar a lutar…


Fonte da fotografia: Roberto Nóbrega.

terça-feira, 28 de abril de 2009

A sogra



O GNR manda o sujeito parar o carro:
- Os seus documentos, por favor. O senhor circulava a 130 km/h e a velocidade máxima nesta estrada é 100.
- Não, senhor guarda, eu ia a 100, de certeza.

A sogra, no banco de trás, corrige:
- Ah, João André, que é isso? Tu ias a 130 ou até mais!

O sujeito olha para a sogra com o rosto enrubescido.
- E o seu farol direito não funciona, diz o guarda.
- O farol? Nem sabia disso. Deve ter pifado aqui na estrada.

A sogra insiste:
- Ah, João André, que mentira! Há semanas que andas a dizer que precisas consertar o farol!

O sujeito fulo, faz sinal à sogra para ficar calada.
- O senhor está sem o cinto de segurança, diz o guarda
- Mas, senhor guarda, eu estava com ele. Só o tirei para lhe mostrar os documentos!
- Ah, João André, deixa-te disso! Tu nunca usas o cinto!

O sujeito não se contém e grita para a sogra:
- CALA A BOCA!

O guarda inclina-se e pergunta à senhora:
- Ele costuma gritar assim com a senhora?
- Não, senhor guarda; só quando bebe...

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Da doce quimera à amarga realidade

”O deputado do PSD pela Emigração, Carlos Gonçalves, defendeu esta segunda-feira que a questão da exploração de trabalhadores portugueses na Holanda é «uma gota de água no oceano», por considerar que existem situações piores noutros países.
«A questão da Holanda é uma gota de água no oceano, que só ganha visibilidade porque aparece na televisão», disse o deputado eleito pela Europa à Agência Lusa.
Carlos Gonçalves diz estar «mais preocupado com a situação no Reino Unido, onde o número de portugueses numa situação próxima da miséria é muito superior do que na Holanda».
O deputado falava depois de ter surgido mais uma denúncia de portugueses vítimas de exploração laboral na Holanda, com alguns a afirmarem que estavam sem dinheiro e sem comida.
Referindo-se à alegada falta de apoio da embaixada e do consulado aos portugueses vítimas de exploração na Holanda, o deputado afirma que essas estruturas «não têm recursos e meios para darem uma resposta».
Contudo, defende que «deveria haver recursos humanos vocacionados para a área social». «O Governo nunca foi muito sensível a esta questão. Só fez uma campanha (a alertar os portugueses que pensam emigrar), que foi positiva, mas não resolve o problema», afirmou.
Carlos Gonçalves considera ainda que o Governo deve reconhecer que há cada vez mais portugueses a ir para o estrangeiro à procura de trabalho, apesar de admitir com isso que «talvez o país não esteja tão bem como querem dar a entender».
De acordo com o deputado, no ano passado chegaram oito mil portugueses ao Luxemburgo e 10 mil à Suíça.
Quem mais procura trabalho no estrangeiro são jovens à procura do primeiro emprego, pessoas com 40 ou mais anos que ficaram desempregadas e não têm qualificações profissionais e famílias endividadas, que deixam de poder pagar os créditos e não têm outra alternativa senão emigrar, segundo Carlos Gonçalves.
O deputado disse ainda à Lusa que pediu ao Governo para aproveitar a presidência portuguesa da União Europeia, no segundo semestre de 2007, para levantar o problema da exploração de trabalhadores na Europa.
«São cidadãos europeus e não lhes estão a ser garantidos os seus direitos», afirmou Carlos Gonçalves, sublinhando que esse problema não se põe apenas com trabalhadores portugueses.”
In IOL PORTUGAL DIÁRIO 20/04/2009 - “Portugueses “quase na miséria” no Reino Unido”.

Em Março passado tive o grato prazer de, nesta Escola Jaime Moniz, me dirigir a um auditório quase pleno de Professores e Alunos, para uma comunicação sob o tema “Tráfico de Seres Humanos – Uma perspectiva em Portugal”, apresentação essa que me deu muito prazer em mostrar e que, pelos comentários que tiveram a gentileza de lhe fazer, provocou saudável e criativa polémica, assim como profícuas trocas de impressões, entre Docentes e Discentes e no seio dos próprios grupos profissionais.
No rescaldo dessa mesma minha participação cívica e cultural foi-me dado a conhecer que alguns, espero que poucos alunos haviam abandonado a sua carreira de estudantes, ou pelo menos a teriam suspendido, devido às dificuldades económicas que a nossa economia regional e nacional tem vindo a sofrer e dos inevitáveis reflexos dessa mesma crise no plano das famílias e dos indivíduos em si, com as consequências daí advindas, entre as quais nos importa aqui realçar o já anteriormente dito abandono escolar.
Compreendemos perfeitamente que tal possa acontecer mas, na sequência da nossa citada intervenção, muito gostaríamos agora de dar o nosso contributo, desta vez, por escrito e uma vez mais a convite de membros do Corpo Docente sobre, não as consequências para o plano de estudos prosseguido e abandonado pelos alunos que desertam da Escola, mas dos eventuais proveitos e também das quase certas menos valias, na vida presente de estudantes e na sua vida futura de cidadãos inseridos na economia.
Quanto ao abandono escolar, melhor do que eu, os Professores e os Alunos, como profissionais conscientes estão conscientes que uma saída prematura, mais configura um abandono quase definitivo do plano de estudos, com correspondência numa futura actividade profissional, uma vez que se sabe que a cada ano perdido e não recuperado, corresponde um valor matematicamente possível de quantificar, de menos valia perdida ou arduamente recuperado em actividade profissional, não alicerçada em currículo académico adequado.
Mas essa não é de modo algum a nossa intenção hoje e aqui mas sim, valendo-nos da nossa experiência profissional, alertar os nossos eventuais leitores para os riscos, alguns deles de natureza até física e moral, que correm ao abandonar, a meio do percurso um projecto e ao abraçarem outro, para eles desconhecido, tutelados por alguém ou alguns cujo objectivo essencial é a maximização do lucro, usando as pessoas de que dispõem como máquinas, ou ferramentas ou mesmo animais, inseridos num projecto de exploração maciço e criminoso.
Os riscos são muitos e os proventos, esses serão alguns ou nenhuns, como tivemos ocasião de apresentar e de nada adianta avançar com raciocínios desculpabilizantes do género de que é mão-de-obra jovem, não formada ou imperfeitamente adequada às funções que se lhe exige, porque esse é muitas vezes o argumento base de jornadas de exploração, risco físico e moral e de inenarráveis sofrimentos, frustrações e amarguras, sofridas muitas vezes solitariamente, longe de qualquer protecção ou aconchego, seja ele familiar ou de grupo.
Por gerações, para o Havai, passando pelas chamadas “West Indias”, como aqui se designavam, o Brasil, África do Sul, Venezuela, Austrália, Angola, os Madeirenses emigraram em grupo ou individualmente, para aplicarem o seu saber, a sua inenarrável vontade de trabalhar e vencer, muitas vezes, quase sempre chamados por aqueles que haviam partido antes e que tão bem quanto mal os integravam, protegiam ou enquadravam em esquemas produtivos, que já mal ou bem dominavam, servindo de almofada para uma mudança radical.
Mais tarde e durante algum tempo partiram da Madeira, para as chamadas Ilhas do Canal – Jersey, Guernsey, Alderney e Sark, muitos jovens Portugueses, e tive ocasião de ver que em muitos dos aviões quase só partiam jovens mulheres, as quais se deslocavam em grupo para a prossecução de actividades ligadas ao sector agrícola ou actividades de hotelaria, desenvolvidas em período sazonal, em que se partia em Abril e se regressava em Novembro e, tal como a formiga, se amealhava no Verão para se gastar no Inverno.
Posteriormente, e após a entrada de Portugal na União Europeia, muitos dos nossos concidadãos começaram a deslocar-se para o Reino Unido, a França, a Suíça, Luxemburgo e Holanda e concomitantemente foram perdendo a sua apetência pela imigração definitiva para os destinos tradicionais, num movimento que suavemente se foi transformando num reforço da emigração sazonal e enfraquecimento dos destinos mais tradicionais, fruto da menor atractividade desses mesmos destinos, por razões políticas, económicas ou até de moda.
Hoje e é esse o tema essencial deste nosso trabalho é mais o destino sazonal, transformado muitas vezes quimericamente num destino definitivo que abordamos, fazendo lembrar que as quimeras, se por um lado, tal como as paixões, são muito motivantes, são também por vezes intoxicantes e obnibiliadoras da realidade, deixando o, chamemos-Lhe, apaixonado, desmunido de recursos, protecção e capacidade de defesa face à adversidade, para a qual não estava de forma alguma preparado e que fantasiosamente não esperava.
Assim importa, primeiro do que tudo avaliar de forma criteriosa, responsável, fria e objectiva se os eventuais proventos, benefícios e mais-valias correspondem na pior hipótese à situação que se deixa, sabendo nós que a fase curricular e de estudos deve ser vista como uma fase essencial de investimento pessoal, não visível, aparentemente não produtiva ou pelo menos não remível em dinheiro ou valores fiduciário, mas essencial como currículo, a qual jamais deve ser vista como “perdida”, mas sim sempre e muito mais como “ganha”.
Deve-se depois, como salvaguarda e protecção pessoal física e moral, verificar se a proposta é sólida, profissionalmente inatacável e com potencial de futuro, quer no aspecto profissional, quer no aspecto de valorização do activo, muitas vezes o único que nesse momento possuímos, que é a nossa força de trabalho e a nossa mais-valia potencial, ou seja, aquilo que nos interessa a nós mas e muito mais interessa ao “outro”, numa perspectiva de valorização constante e crescente das nossas capacidades em gerar recursos e valor.
Será também essencial, na nossa perspectiva, que a saída não seja um reconhecimento implícito e explicito de falência do projecto que abandonamos, com a quebra dos laços que fomos granjeando ao longo do nosso percurso anterior, nomeadamente da família e do grupo social em que nos inserimos, incluindo a própria escola que rejeitamos, mas que o façamos de uma forma clara, transparente e substancial, de maneira a que para nós próprios tal saída, seja construtiva, valorizadora e pessoal e profissionalmente geradora de mais potencial.
Importa que nos socorramos com o máximo de informação possível e que dessa mesma informação façamos partilha, pelo menos com os nossos familiares e amigos, para que a mesma possa ser um capital repartido, partilhado e mutuamente securizante e jamais partir como que fugido, sem deixar rasto ou traço e que, e se mesmo assim o fizermos, tenhamos consciência de que partimos ainda mais sós e desprotegidos, não permitindo aqueles que nos gostam a possibilidade de intervir, para eventualmente nos proteger.
Existem múltiplos recursos de informação e há que os usar de forma responsável e criteriosa, em nosso benefício, proveito e protecção. A própria família e amigos conhecem, de experiência própria ou induzida, casos anteriores de sucesso e também de insucesso, devendo nós ter consciência de que a vergonha, o orgulho e a vaidade muitas vezes levam ao escamotear das realidades e que algumas das informações recebidas estão muitas e quantas vezes feridas de fantasia, na melhor das hipóteses e na pior, de maldade e inveja.
Importa também cruzar as informações recebidas com a protecção que as Instâncias Estatais e Regionais nos podem proporcionar, que no primeiro caso são os Departamento do Ministério do Trabalho e do Ministério dos Negócios Estrangeiros ou as Instâncias Comunitárias mas que mais próximo de nós e de mais fácil e profícuo acesso temos a Secretaria Regional dos Recursos Humanos e o seu Centro do Emigrante ou mesmo a Direcção Regional do Trabalho ou ainda na Região, os próprios Sindicatos e até as Organizações Religiosas.
Idealmente e já que somos jovens e desejamos legítima e compreensivelmente ganhar dinheiro e autonomia, sugerimos que o momento de abandonar a escola seja postergado, que se cumpram os currículos, se termine pelo menos o ano lectivo, de forma a que se não aparente sairmos vencidos, nos auto afastemos da nossa comunidade de origem, não permitindo aos nossos amigos e “amigos” que nos julguem sistematicamente por defeito e que nos não empurrem para soluções que, apenas aparentemente, parecem vantajosas.
Finalmente a Internet é hoje uma ferramenta extraordinária de informação e validação de conhecimentos e os jovens melhor do que ninguém a sabe utilizar, para o melhor e para o pior e que no âmbito desta problemático os “links” que deixamos, poderão ser úteis numa fase inicial de prospecção e segurança das propostas que nos são apresentadas, na condição essencial de que as mesmas devem ser trabalhadas, não em regime fechado mas sim em regime suficientemente partilhado e confiante. “Duas cabeças pensam melhor do que uma”.
Sítios web que recomendamos:
http://www.uma.pt
http://www.portugal.gov.pt
http://www.sef.pt
http://www.iefp.pt
http://www.igt.pt
www.youtube.com – emigrante português
http://rjms.blogspot.com/2008/06/emigrantes.html
http://www.srrh-recursoshumanos.pt

José Felisberto de Gouveia Almeida