segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Onde param os nossos finalistas - 90 alunos colocados na Área da Saúde.





Dos 731 alunos que apresentaram candidatura, 548 alunos foram colocados no ensino superior público, isto é, 75% dos nossos alunos atingiram os seus objectivos.

A área da Saúde continua a destacar-se de entre as outras pelo número expressivo de alunos que conseguimos colocar. A Medicina lidera o número de colocados com 55 alunos, como podemos analisar na tabela seguinte.

Curso ---------------------- Totais (1.ª e 2.ª fases)
Medicina ------------------- 41
Enfermagem --------------- 35
Ciclo Básico de Medicina ---- 14
Total ----------------------- 90

As Universidades que acolheram estes alunos de Medicina foram várias, de entre as quais se destacam:
Universidade de Lisboa – Faculdade de Medicina (13 vagas);
Universidade de Coimbra – Faculdade de Medicina (8 vagas);
Universidade do Porto – Faculdade de Medicina (7 vagas).

A Universidade da Madeira continua a ser a instituição que maior número de alunos oriundos da Jaime Moniz recebe, precisamente 188. Convém referenciar que a UMa oferece um leque diversificado de Cursos, como são exemplo: Ciclo Básico de Medicina; Enfermagem; Engenharia Civil; Gestão. Se analisarmos o panorama a nível nacional facilmente constatamos que as principais cidades universitárias recebem alunos nossos.

No tema da colocação dos nossos alunos interessa, mais do que saber quantos alunos colocamos, apurar a opção em que estes foram colocados para aferir o seu grau de satisfação/realização. Assim vejamos que, dos 548 alunos colocados, 88% obteve colocação na 1.ª fase e destes 56% foi colocado na 1.ª opção e 23% na 2.ª opção.

Quanto à panóplia de cursos escolhidos pelos nossos alunos, para além dos já referidos, distinguimos ainda Educação Básica, Direito, Economia, Serviço Social, Engenharia Electrotécnica, Psicologia, Bioquímica, Desporto, Sociologia e Arquitectura.

A todos os nossos agora ex-alunos o sincero desejo de felicidades e realização de todas as suas ambições profissionais e pessoais.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Editorial



Quem fomos?
Quem somos? Que objectivos norteiam o caminho que trilhamos?
Quem vislumbramos ser?

A comemorar os 170 anos da nossa instituição, o terceiro número da revista “O Lyceu” continua a dar voz a testemunhas ilustres de um passado recente. Figuras incontornáveis da política, da educação, da literatura, da música, da investigação e do jornalismo, que passaram pelos bancos do Liceu, pintam uma aguarela de memórias, onde a saudade de um tempo de estudo e de companheirismo é o sentimento primordial. São “malandrices de adolescentes”, “o inesquecível primeiro amor”, “risos e zangas, gargalhadas e choros” ou “uma certa indisciplina q.b.” que partilham connosco, do mesmo modo que, gratos aos seus professores, nos ensinam, no presente, o valor do “mérito, do trabalho, da disciplina e do respeito pelos outros.”
Na actualidade, a nossa escola é um espaço criativo e criador de múltiplos eventos, onde a aliança entre tradição e mo-dernidade irrompe não só nas salas de aula, mas também em múltiplas conferências, sessões literárias, acções de formação, visitas de estudo, torneios desportivos, exposições artísticas, Semana dos Clubes e Projectos, Festival de Teatro, entre outros.
De olhos postos no futuro, “O Lyceu” procura reflectir, nas palavras do seu Director, “a Escola filha do seu tempo” que, face aos novos desafios que cada época impõe, almeja, invariavelmente, “ser um instrumento de valorização e de di-gnificação humana.”

A Equipa Editorial

Entrevista com Dr. Jorge Moreira


Jorge Moreira de Sousa
Presidente do Conselho Executivo da ESJM

Numa altura em que se comemoram os 170 anos do Liceu / Escola Secundária Jaime Moniz fomos ouvir o Presidente do Conselho Executivo, Dr. Jorge Moreira, sobre aquilo que podemos esperar para a nossa Escola, no futuro.


O Lyceu – Antes do 25 de Abril de 1974, a Escola e tudo o que se encontrava legislado sobre a Educação apontavam para um determinado “modelo” de País. Hoje em dia, ao analisarmos esses documentos, muitas vezes produto de intervenções avulsas, não compreendemos o perfil do Portugal que se quer.
A Escola/Educação actual alinha com aquilo que se pretende do Portugal futuro?

Jorge Moreira – O modelo educativo actual encontra-se em conformidade com o regime democrático, que tem como matriz referencial educar para a cidadania, para os valores do pluralismo, da tolerância e da liberdade. No entanto, a escola actual, influenciada por algumas correntes pedagógicas, não tem incentivado os jovens à cultura do mérito, do rigor, da exigência e da excelência, pilares fundamentais para uma educação de sucesso.


O Lyceu – A Escola Secundária de Jaime Moniz, face aos actuais mode-los de gestão, vai continuar com o mesmo modelo de gestão intermédia?

Jorge Moreira – Depende de a Região Autónoma da Madeira alterar ou não o actual modelo de gestão escolar. De qualquer forma, é necessário agilizar e melhorar a qualidade do desempenho de alguns órgãos de gestão intermédia, porque constituem o cerne e o suporte para a nossa instituição adquirir patamares de elevada qualidade. A prestação de serviços de qualidade passa, necessariamente, por uma gestão intermédia competente e exigente.

O Lyceu – As escolas vão poder adaptar os seus próprios modelos de gestão. Que modelo preconiza para a Jaime Moniz do futuro?

Jorge Moreira – Um modelo que procure conciliar duas formas de actuação: uma que assenta no rigor, na disciplina e na autoridade e uma outra que estimula a comunidade educativa para uma cultura de incentivo, de confiança e de estímulo à iniciativa e à inovação.


O Lyceu – Considera a hipótese de se recandidatar à Presidência do Conselho Executivo?

Jorge Moreira – Ainda estou a meio de um mandato e julgo ser cedo para pensar numa recandidatura. Tudo tem o seu tempo. Contudo, estarei sempre disponível para estar ao serviço da minha Escola no sentido de a engrandecer, de a tornar numa Escola de referência, ao serviço dos nossos jovens e ao serviço da Região.


O Lyceu – Um professor não é um gestor. Concorda com a entrada de gestores na gestão da Escola?

Jorge Moreira – Concordo com uma gestão profissionalizada que tenha como referência docentes muito bem preparados e qualificados para o exercício das funções, seja pela formação ou pela experiência na administração e gestão escolar, e que tenha capacidade de liderança. Defendo uma gestão que observe o primado dos critérios de natureza pedagógica sobre os critérios de natureza administrativa.


O Lyceu – A Escola tem cumprido objectivos: aumentou a taxa de aproveitamento; foi ao encontro dos pais, através da criação de escolas a tempo inteiro. E na perspectiva dos alunos? Perante a mudança social pulsante que o nosso século atravessa, a Escola pretende acompanhar e gerir este processo?

Jorge Moreira – Podemos afirmar que a Escola é filha do seu tempo, isto é, está sujeita às regras da temporalidade, às conjunturas económico-sociais e políticas, aos valores e às regras, às modas das diversas gerações. Deverá estar ao serviço de uma política educativa sufragada pela vontade democrática, de forma a dar resposta aos diversos desafios que cada época impõe, ser um instrumento de valo-rização e dignificação da pessoa humana.


O Lyceu – A Escola chama a si “Qualidade e Tradição”. Perante as exigências actuais, o Sr. Director admite a existência de, pelo menos, 50% de cursos tecnológicos na Jaime Moniz?

Jorge Moreira – O Projecto Educativo aprovado e em vigor defende uma matriz baseada na formação dos nossos jovens para os cursos de prosseguimento de estudos para o ensino superior e, de forma supletiva, em cursos de cariz tecnológico e profissional. Temos uma tradição que aponta para cursos de matriz superior e ajusta-se perfeitamente à nossa cultura organizacional, aos nossos recursos humanos e materiais.


O Lyceu – A efectivar-se a escolaridade obrigatória até ao 12º ano, a nossa Escola está pronta para receber um maior número de alunos?

Jorge Moreira – Certamente que temos que estar preparados, como todas as escolas de Região, para ultrapassar quaisquer desafios que nos são colocados. A escolaridade obrigatória de 12 anos significa que estamos a dar mais um passo de gigante no sentido de melhor qualificar os nossos recursos humanos e, assim, dar cumprimento aos desafios que a modernidade nos coloca.


O Lyceu – Está satisfeito com a situação actual da Escola Secundária Jaime Moniz? O que melhorar ou mudar?
Professores?
Funcionários?
Alunos?
Instalações?

Jorge Moreira – Posso dizer que temos que ser inconformistas e nunca estar satisfeitos com uma determinada situação. Temos que exigir e procurar sempre mais e melhor, ser ambiciosos. Claro que temos uma escola de qualidade, com excelentes profissionais e com muito bons alunos. No entanto temos que fazer um esforço, a todos os níveis, para melhorarmos o nosso desempenho cada dia que passa, procurarmos melhores soluções e maiores níveis de exigência e de qualidade, temos que implementar novas práticas, novas tecnologias.


O Lyceu – A Escola apostou na implementação de fechaduras electró-nicas. Quais os aspectos positivos desta medida?
Há alguma ligação entre fechadura electrónica e sucesso dos alunos?

Jorge Moreira – Apenas pode ser um indício de abertura às novas tecnologias. Pode ser um sinal que a Escola incide nas práticas de automação. O Professor deixa de estar depende de um funcionário e torna-se mais autónomo, mais responsável. Esta medida, como outras que estão a ser aplicadas, nomeadamente a implementação do sumário digital, por si só, podem dizer muito pouco, mas apontam para uma mudança de paradigma, de mentalidade e de atitude que, a médio prazo, irão produzir efeitos muito importantes, permitindo libertar os professores e funcionários para outras tarefas, diminuindo as funções meramente burocrático-administrativas e aumentando a produtividade e a qualidade dos processos de ensino-aprendizagem.



O Lyceu – Uma Escola desta dimensão não deveria fornecer diversos serviços à Sociedade e rentabilizar os seus próprios recursos humanos, incentivando um processo de auto-proficiência na Informática, no Desporto, na Literatura, no ensino das Línguas, na Formação pluridisciplinar …?

Jorge Moreira – A interacção Escola-Sociedade civil deve ser cada vez mais aprofundada. Porém a prestação de serviço à sociedade esbarra com preceitos e normas que enquadram o Estatuto da Carreira Docente.


O Lyceu – Considera a possibilidade de alargar as parcerias com outras entidades da sociedade madeirense? Quais? Porquê?

Jorge Moreira – A Escola Secundária Jaime Moniz sempre se pautou por ter iniciativas inovadoras em várias vertentes. A Escola tem como primeiro objectivo servir os seus clientes (alunos) e prestar-lhes um serviço de qualidade a que têm direito. Qualquer parceria que enri-queça o serviço prestado pela Escola é sempre bem vinda.


O Lyceu – O que pensa o Sr. Director fazer, a curto prazo, para desenvolver as TIC na Educação de uma forma integrada?

Jorge Moreira – Neste momento, a Escola encontra-se numa fase de estabilização a este nível e espera-se aproveitar mais e melhor os recursos humanos existentes. Assim aproveita todas as oportunidades ao nível de aquisição de equipamentos que os programas regionais permitem e assim como a hipótese de formação disponível, esperando optimizar e desenvolver as TIC para benefício dos alunos e comunidade educativa.


O Lyceu – Este ano, muitos professores, em especial os de AP, reclamaram a lentidão de acesso à Internet. Foi uma reclamação que chegou ao Conselho Pedagógico. Para quando a resolução do problema, uma vez que durante este ano lectivo a utilização das TIC foi um factor limitativo no trabalho desenvolvido com os alunos nas salas de aula?

Jorge Moreira – Estamos a estudar as configurações e arquitectura para encontrar uma solução alternativa à existente (rede Rei XXI). Após estar completo este estudo vamos pedir à tutela as necessárias autori-zações administrativas para implementar um novo acesso mais célere e eficaz.






O Lyceu – Hoje sabemos que o e-learning é uma mais-valia no processo de aprendizagem do aluno. Para quando a disponibilização de uma plataforma de e-learning para utilização dos nossos professores, alunos e funcionários? Por que motivo não utilizar o Moodle, por exemplo, uma vez que é uma plataforma gratuita? O que podemos esperar neste sentido?

Jorge Moreira – Após uma primeira experiência com a Dra. Maria Antónia Brito e tendo estabilizado o Prodesis, será utilizada a rede interna para disponibilizar a plataforma moodle em rede. No que concerne ao e-learning temos ainda que privilegiar o ensino presencial, não descurando o recurso às novas tecnologias, como percursoras de um novo paradigma de escola.


O Lyceu – A Direcção da Escola Secundária Jaime Moniz pretende ter um papel activo na avaliação dos professores?

Jorge Moreira – O Conselho Executivo não pode extrapolar das suas competências previstas na lei vigente. O Decreto Legislativo Regional atribui ao Conselho Executivo um conjunto de competências que estão devidamente especificadas. Tem um papel de parceria com outras entidades da escola, de modo a permitir uma avaliação mais adequada e ajustada ao perfil e ao desempenho de cada professor.


O Lyceu – Como idealiza uma avaliação de professores o mais justa possível?

Jorge Moreira – Uma avaliação que se baseie numa análise correcta e completa nas competências do professor, quer ao nível da sala de aula, quer ao nível do desempenho de cargos ou outras tarefas que lhe são cometidas. Deve ser discutida e pensada, por cada escola, tendo por base um normativo quadro, mas com o objectivo muito claro de ser, acima de tudo, um instrumento formativo e não punitivo e de ser um estímulo ao bom desempenho e um incentivo às boas práticas que devem ser generalizadas a toda a comunidade escolar.

XXIX Encontro de Teatro na Escola


O Moniz participa no XXIX Encontro de Teatro na Escola

Entre os dias 9 e 12 de Abril de 2008, o Clube de Teatro “O Moniz -Carlos Varela”, participou no XXIX Encontro de Teatro na Escola, que se realizou em Vila Real de Santo António, tendo apresentado a peça RTX 78/24, de António Gedeão.

Partimos da Madeira bem cedo, chovia imenso lá fora. A viagem correu bem, chegámos a Lisboa num ápice e, logo no mesmo instante, pusemo- -nos a caminho do Algarve. Vila Real de Santo António teimava em não aparecer. Após quase cinco horas de viagem, chegámos à cidade. Estávamos cansados, molhados, com fome. Exaustos, se é que me entendem. Fomos conhecer a nossa “Residencial Villa Marquez”, para mim uma autêntica casinha de bonecas e, de seguida, a escola que organizou o encontro, Escola Básica 2/3 D. José I. Descansámos por algumas horas e, mais tarde, jantámos no refeitório com tantos outros alunos, de tantas outras escolas. E assim foi o primeiro dia. Os outros quatro? Passaram a correr! Foram os ateliês de formação, as peças de teatro, os debates, os passeios. Foram as pessoas, os grupos, as pronúncias de que eu tanto gosto! A troca de experiências, a partilha de emoções, a paixão comum pela arte de representar! Os almoços e os jantares com todas as brincadeiras, canções e histórias a que têm direito. Momentos para recordar por muito tempo, não tenho dúvidas. Por fim, voltámos à nossa ilha, deixando para trás cinco dias memoráveis. Hoje, ficam as saudades.

Bítia Vieira - 12º 6

Testemunhos do Liceu: David Pinto Correia




Espaço multicultural mas, sobretudo, testemunha do processo de socialização e de vida, a Escola assume um papel incontornável na vida de todos nós. Revivemo-lo nas conversas do quotidiano, actualizando episódios pitorescos, eternizando espaços, personagens e modos de aprender e ensinar…É da escola que temos cada vez mais saudade, passado o tempo do estudo e da alegre camaradagem, o que nos faz sentir, como o poeta, “raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!”O Liceu orgulha-se de ser esse espaço extraordinário de vivências e emoções de milhares de estudantes madeirenses. Quem são? Que recordam?

Nome: João David Pinto Correia
Idade: 68 Anos
Profissão: Professor Universitário (Universidade de Lisboa – Faculdade de Letras)
Área de formação: Letras / Humanidades


O Lyceu – Diz-se Liceu, vem a saudade. Que importância teve o Liceu na sua vida?
David Pinto Correia – Antes de mais, gostava de reconhecer que estas respostas foram elaboradas de modo muito espontâneo, como uma quase evocação imediata do que ainda ficou desses todos anos de Liceu (sete anos); são, portanto, breves notas que deveriam merecer mais reflexão… No entanto, devo acrescentar que quis desenvolver as duas primeiras questões, reservando-me o direito de ser muito sucinto em relação às duas últimas. Do facto peço perdão.
Transitando da Escola Primária (a minha foi a de S. Gonçalo, com professores excepcionais, principalmente o Prof. Mendes), o Liceu foi naturalmente outro mundo: aulas diferentes, com seis tempos lectivos diários, vários docentes, instalações muito boas. A princípio um pouco confuso com a mudança, logo me fui habituando e foi no Liceu de Jaime Moniz que passei esses sete anos lectivos.
Em primeiro lugar, creio que foi aí que tive pouco a pouco a aprendizagem da camaradagem e da amizade. Os colegas e amigos do Liceu ficaram, de facto, para toda a vida; claro que nos lembramos principalmente dos do sétimo ano, em que éramos finalistas e, ao tempo, quase todos seguiam para o Continente. Mas esses que chegavam ao fim dos estudos do secundário, com alguns mais que vinham de fora (de outros estabelecimentos de ensino ou mesmo de outras partes do território nacional) eram, e se não tinham perdido nalgum ano, quase os mesmos do 1º ano (das diferentes turmas). Deste modo, podemos lá de tempos a tempos juntar-nos ainda em convívio, mormente em jantares de Natal ou de comemoração de uma data importante (como no ano passado, a de 50 anos de fim do curso liceal).
Depois, penso nos meus professores, avalio-os após tantos anos: há aqueles que nos marcaram pelo saber e capacidade pedagógica, há também outros (é evidente que os anteriormente referidos podem estar incluídos neste grupo) que nos revelaram a grandeza humana e simpatia, há ainda todos aqueles a que faltavam capacidade pedagógica, mas tentavam cumprir uns com esforço, outros mais desajeitadamente, a sua tarefa de docentes. Lembro, como grandes mestres ou como docentes que muito me influenciaram, o Dr. Joaquim Lufinha, de Português (a quem devo muita da minha formação), meu professor durante cinco anos, e, já no 3º Ciclo, o Dr. Emanuel Paulo Ramos, meu grande tutor no estudo da Literatura Portuguesa, o Dr. Clementino de Sousa, de Ciências Naturais (homem difícil, mas pedagogicamente admirável), o Dr. Fonseca, a Dra. Judite e a Dra. Conceição, estes de Matemática, mas também a Dra. Maria Ângela, de Desenho e Trabalhos Manuais (disciplinas em que não tinha nenhuma dificuldade e sempre com notas bastante razoáveis), assim como, já mais no 2º ciclo, a Dra. Helena Pires de Lima, de Inglês, o Dr. Canedo, de Ciências, o Dr. Saraiva, que nos dava aulas bem práticas de Física e Química, e, já no 3º Ciclo, o Dr. Cardeal, que me formou muito rigorosamente em Latim e Grego (não esquecendo não as lições, mas a avaliação dos meus exames de sétimo ano, a Dra. Margarida Morna), o Dr. Figueiredo (e fico espantado por ele nos ter leccionado Filosofia e Organização Política e Administrativa da Nação, com um rigor extraordinário, o que, na última dessas disciplinas, me levou a tirar 19,8 no exame final do 7º), o Dr. Horácio Bento de Gouveia, em Geografia e em Filosofia (nesta disciplina, só durante um ano), ou a Dra. Eulália de Sousa, em Francês (no Preparatório), ou a Dra. Adelaide Saraiva, em Francês, no 3º Ciclo, e, por outras razões, bem vivas na minha memória, o Dr. Figueira César (eu era aluno do afamado 4º C).
Gostava também de mencionar professores que, não tendo missão considerada de co-nhecimentos fundamentais, me tornaram diferente e me orientaram no sentido de uma mais completa formação humana: são eles os professores de Religião e Moral, na altura o Padre Manuel Ferreira Cabral, mais tarde Arcebispo de Braga, e o Padre Mata, que teve profunda influência em muitos dos jovens dos anos 50, sobretudo através da Juventude Escolar Católica e das Conferências de S. Vicente de Paulo; de Canto Coral, entre eles o nosso “Capitão” e o Cónego Agostinho Gonçalves, que teve a iniciativa do Orfeão do Liceu (lembro-me da nossa récita no átrio-museu, com, entre outras composições, o «Va pensiero” de Verdi); e de Educação Física, com a ginástica e jogos, com o Dr. Santos Lã e, depois, o Prof. Ferreira. A todos eles devo muito, quase tudo em determinados aspectos…
Curiosamente, também poderia falar dos castiços funcionários que nos orientavam pelos corredores e pátios (o Sr. Plácido, por exemplo, com o seu famoso chaveiro em cima das nossas cabeças…).

O Lyceu – O que mais o marcou durante os anos de frequência do Liceu? (pessoas, espaços, ambientes, etc…)
David Pinto Correia – Serei o mais resumido possível. E obrigado por me ter sido suge-rido um quase plano.
Quanto a pessoas: muitas delas já ficaram enumeradas na resposta anterior. No entanto, gostaria de ressaltar algumas que tiveram uma grande importância na minha formação, não só em preferência da minha futura actividade científica e académica, mas também humanista. Na escolha da minha carreira, e principalmente para a minha profissão de professor universitário e, de certo modo, escritor, quero salientar não só os professores Dr. Lufinha e Dr. Paulo Ramos, mas também o acompanhamento sempre prestado pela esposa, Dra. Marília Ramos; no entanto, não esqueço as conversas, por vezes nos corredores, sobre estes assuntos das “Letras”, com os Drs. Horácio Bento de Gouveia, Carlos Lélis, Margarida Morna e Alfredo Nóbrega. Na sensibilidade à pedagogia, alguns destes agora citados, mas também, na condução das aulas, os Drs. Clementino de Sousa e Helena Pires de Lima. Noutro plano, há que reconhecer a influência profunda dos Padres (na altura) Ferreira Cabral e Mata.
Espaços: foram as salas de aula no rés-do-chão da ala oriental do Liceu, junto do pátio dos rapazes: todas aquelas salas de impecável aspecto (pelo menos na altura e creio que ainda o mantêm) e os agradáveis intervalos e mesmo os tempos livres (alguns devi-dos às compreensíveis faltas dos professores): tempo de jogos, brincadeiras, tropelias mesmo, importantes para os adolescentes que éramos. Mas também a sala de Ciências Naturais, nas aulas do Dr. Clementino, com os desenhos e esquemas que ele escrevia no quadro, o contacto com o esqueleto, a observação nos microscópios (e daí data o meu interesse por este grande campo, que vai dos animais às plantas; até a mineralogia me fascinava). No campo das Ciências, também as nossas aulas nos laboratórios de Física e Química, para acompanharmos as experiências (era já um ensino prático na medida do possível, com os instrumentos da altura, mas sempre gratificantes…).
As aulas de Português, com a leitura de alguns clássicos sempre me seduziram, desde os textos dos compêndios e antologias (então, eram os “aprovados como livros únicos”) e, depois, a descoberta de obras como O Bobo, Lendas e Narrativas, Auto da Alma e outros, mas sobretudo Os Lusíadas e a Lírica, de Camões. Quanto a Os Lusíadas, o docente, o já mencionado Dr. Lufinha, pôde com muita competência levar-nos a compreender o poema e motivar-nos para a sua leitura nas partes que teríamos de ler e convencer-nos de que uma tarefa que muitos criticam, como fastidiosa, a divisão de orações, foi maneira magnífica de vir a descobrir o sentido mais profundo da obra. Fiquei-lhe muito grato…Sobretudo pela forma como soube tornar a tarefa aceitável e mesmo fascinante.
Memórias há que posso registar como parte da minha experiência que, talvez para muitos hoje seja considerada como indisciplina, e só para discriminar algumas, penso em certas aulas em que havia infracções, que actualmente penso foram exageradas, no entanto importantes para a nossa / nossa afirmação. Cito as que se passavam na Turma 4º C, com grandes incorrecções, de carácter indisciplinado, e que nos ficaram como momentos centrais da nossa vivência. Hoje, com as experiências e situações outras que vejo estampadas em jornais e televisão, considero tais momentos como significativos: as brincadeiras que, por vezes, roçavam o desrespeito pelo professor constituíam situações negativas sem dúvida, por isso sancionadas, mas, por outro lado, humanas, até porque o docente em causa, de Inglês, embora protestando, as consentia e mesmo quase as provocava.
E que dizer, neste contexto, das nossas idas à mercearia do outro lado da rua, para beber uma laranjada ou munirmo-nos de feijões, arroz, grão, etc., para as «malandrices» de adolescentes com sangue na guelra, sobretudo quando, na transição para o pátio dos maiores, víamos o nosso estatuto melhorado, já como jovens mais crescidos.
Um aspecto gostaria de salientar: não podia haver no nosso código de conduta qualquer tolerância para as denúncias: aquele que as fazia era um “queixinhas”. Hoje, parece que a denúncia, a queixa se tornaram quase obrigatórias. A minha geração não as suportava, nem ainda as suporta (principalmente da parte dos “bufos”) e ai daquele que se atrevesse a fazê-las.
Até as actividades de canto, de exercícios físicos no estádio, nos campos de futebol ou de basquetebol, ficaram na saudade de um aluno como eu.
E, a propósito, lembro que fui um aluno médio, senão medíocre durante os primeiros anos: no entanto, no momento de reagir para aumentar o rendimento lá estava eu a tentar recuperar com coragem, estudo… Quase ia perdendo o 2º ano, quando me faltavam notas para completar a soma dos 19 valores globais nos três períodos; como exemplo, o Dr. Clementino deu-me em Ciências Naturais, 10 no 1º período, 7 no 2º, e trabalhei para o 12 do 3º. E verifiquei como um docente exigente como ele foi sério e íntegro. Pouco a pouco, fui melhorando; no entanto, tive dificuldades na Matemática no 2º ciclo. A docente, a Drª Conceição, deu-me negativas no 1º e 2º período, mas, com esforço, consegui ultrapassar a dificuldade. Tendo sido dispensado em Letras, com 16, tive da fazer provas orais nas Ciências, e o grande problema era Matemática; consegui e a professora, muito exigente e que não era para brincadeiras, foi mesmo, com algum receio meu, a minha examinadora na prova oral dessa disciplina; apertou-me quanto pôde e va-lorizou-me com um 16. Confessou-me ela no final das provas, já cá fora, e, visto que regressava a Lisboa, que o meu percurso seria uma das suas melhores recordações do Liceu. Muito grato lhe fiquei por esse sincero cumprimento.
No 3º ciclo, já foi tudo bem encaminhado: consegui das melhores notas, porque estudei muito (diziam que eu era mesmo um dos “marrões”), tendo conseguido a melhor classificação do 7º ano com a melhor média de 17,6 ou 17,7, o que me levou a ter o 1º prémio do Liceu e da Câmara Municipal do Funchal. Foi recompensa do trabalho, mas também a resposta ao excelente trabalho dos meus professores. Foi sobretudo um dos melhores convites a prosseguir no Superior.
Mais duas breves notas: a gratidão para com o casal dos excelentes professores Paulo Ramos (marido e mulher), que, sabendo que eu ia para Filologia Românica, puseram ao meu dispor a sua magnífica biblioteca, recebendo-me em sua casa e incentivando-me à pesquisa pessoal; e, recuando no tempo, também todo o meu reconhecimento pela Dra. Maria Augusta Drummond, a primeira mulher licenciada da Madeira em universidades portuguesas, embora em Farmácia, senhora admirável de saber e enorme pedagoga, minha vizinha no Ribeiro Seco, S. Gonçalo, que, com explicações em várias disciplinas, me possibilitou (a mim e a outros meus colegas) um melhoramento e sucesso contínuo em matérias que nos eram mais difíceis.

O Lyceu – Como vê a Educação hoje?
David Pinto Correia – Repetindo o lugar-comum, a Educação é o fundamento do Cidadão e do Homem. Creio que, nos meus tempos de Liceu, e não querendo dizer que na época é que estava tudo bem, houve programas, agentes e meios que, para a prática de conhecimento e de pedagogia então possíveis, confluíram numa acertada adequação para a formação dos jovens.
O que pode chocar-me hoje em dia é o contínuo experimentalismo que, neste campo, se verifica desde há anos: uma incrível preocupação com a tecnocracia, com tudo orientado por decretos-leis, com regulamentos e instruções, com tudo formatado por uma burocracia desumanizada. Não posso deixar de reconhecer que a Educação terá de exigir a colaboração da Escola, da Família e da Sociedade…

O Lyceu – Na sua opinião, de que modo as novas tecnologias são uma mais-valia para a aprendizagem do aluno?
David Pinto Correia – São, sem dúvida, uma mais-valia, como auxiliares da aprendizagem, mas, nesta questão, será necessário encontrar um equilíbrio: não só o computador, mas também a biblioteca; não só a calculadora, mas ainda a tabuada; não só o jogo ou o divertimento ao serviço do conhecimento, mas também o esforço e a exigência do trabalho intelectual.
Na minha opinião, a Educação deve conjugar instrução (com literacia inclusive) e civismo (cidadania inclusive), com liberdade e responsabilidade. As novas tecnologias têm de ser integradas nesta vasta concepção.

Testemunhos do Liceu: Mónica Teixeira


Espaço multicultural mas, sobretudo, testemunha do processo de socialização e de vida, a Escola assume um papel incontornável na vida de todos nós. Revivemo-lo nas conversas do quotidiano, actualizando episódios pitorescos, eternizando espaços, personagens e modos de aprender e ensinar…É da escola que temos cada vez mais saudade, passado o tempo do estudo e da alegre camaradagem, o que nos faz sentir, como o poeta, “raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!”O Liceu orgulha-se de ser esse espaço extraordinário de vivências e emoções de milhares de estudantes madeirenses. Quem são? Que recordam?

Nome: Mónica Teixeira
Idade: 60 Anos
Profissão: Docente e Investigadora do Arquivo Regional da Madeira (Secção de Espólios de Autores da Madeira).
Área de formação: Licenciatura em Filologia Românica; Mestrado em Literaturas Comparadas – Portuguesa e Francesa, com a tese: «Cabral do Nascimento, a Palavra da Confidência e a Herança do Simbolismo Francês», e Doutoramento em Literaturas Contemporâneas, com a tese: «As Tendências da Literatura na Ilha da Madeira – séculos XIX e XX».


O Lyceu – Diz-se Liceu, vem a saudade. Que importância teve o Liceu na sua vida?
Mónica Teixeira – O Liceu foi tudo na minha vida. Fiz aqui o exame de admissão da Escola Primária para o Ensino Secundário e ainda consigo ver-me, com o meu melhor vestido, os melhores sapatos que tinha e um laço na cabeça, pronta para fazer o meu primeiro exame. É que, naquela altura, fazer um exame era um evento grandioso para a Escola e para a família.
Sinto ainda muito carinho pela Dra. Margarida Morna, que me colocou questões de interpretação sobre um texto que referia as andorinhas. Ela pediu-me que lesse o texto e foi colocando as suas perguntas, sempre de forma agradável. Lembro-me de ela me ter perguntado o que eram para mim as andorinhas e que eu respondi que eram a Primavera. Ora, ela ficou deliciada com a minha resposta, como se tivesse sido um verdadeiro fenómeno, aquela menina a entrar pelos caminhos da simbologia.
Tive tanta pena de os meus pais não me terem deixado estudar no Liceu depois de ter passado no exame, mas este era um meio muito grande e eles temiam por mim.
Contudo, no meu 10º Ano, tive a oportunidade de vir para a escola na qual gostaria mesmo de estar.
Este foi um grande espaço. Mudou a minha vida e condicionou toda a minha formação social.
As saudades do Liceu são as da minha infância e da minha juventude, porque foi aqui que elas se formaram. Foi aqui que, além de todos os conhecimentos adquiridos, aprendi a respeitar e a amar as pessoas. E tive muitos dissabores como todos os jovens, mas aprendi a conhecer os sentimentos, o amor, a amizade e a desilusão.
Foi aqui também que aprendi que havia um espaço maior do que a Ilha, o Continente, de onde saiu a minha formação. Contudo, na ilha, está preso o meu espírito.

O Lyceu – O que mais o marcou durante os anos de frequência do Liceu? (pessoas, espaços, ambientes, etc…)

Mónica Teixeira – Pessoas… foram tantas as que passaram pela minha vida.
Já referi a Dra. Margarida Morna. Evoco ainda o Dr. Emanuel Paulo Ramos, que teve um papel fundamental na minha formação, visto ter descoberto em mim a vocação para a Literatura e que me obrigou a explorar essa vertente que, eu, na imaturidade da minha juventude, julgava que não tinha importância.
Foi ele que me ensinou a ler Os Lusíadas e os tornou aliciantes a ponto de eu gostar da retórica e da sintaxe latina, que marcaram a minha formação académica.
Penso que foi a pessoa que mais me marcou e que, sem querer, me conduziu ao rumo que eu tomei.
Prova da sua importância é o facto de eu ter tido 16 valores no exame de 7º Ano de Português, que foi a nota mais alta da Escola, na altura.
A esposa, a Dra. Marília, também contribuiu para esse meu gosto pela Literatura e o Dr. Louro, que estava ligado à dramatização e ia representando na própria sala de aula, lendo expressivamente os textos, de modo que, aos poucos, nos foi aproximando da leitura.
É por esse motivo, pela dedicação, pelo profissionalismo, pelo humanismo dessas pessoas, que muitos querem ser alunos do Liceu e muitos professores querem leccionar cá.
Há que ver também que esta instituição tem uma história escrita por muitas pessoas ligadas à Política, à Investigação, à Medicina, à Economia e às mais diversas áreas, na Ilha da Madeira e no Continente.

O Lyceu – Como vê a Educação hoje?
Mónica Teixeira – Vejo a Educação de hoje com muita preocupação, preocupação pelos alunos e pelos professores.
Não sei porque é que isto está a acontecer. Há psicólogos, sociólogos e uma panóplia de profissionais que se debruçam sobre estas questões, mas há que entender que a Escola não é tão complicada quanto as pessoas estão a representá-la.
Como defende o Professor Lobo Antunes, os professores são pessoas vocacionadas e não vêm para o Ensino sem vocação, porque esses, se realmente o fazem, acabam por sair desta área.
É necessário que se perceba que o professor é aquele que vai abrir as portas aos alunos para áreas diversas, fomentar em si “competências transversais” à disciplina que ele lecciona.
Por isso, não se pode encaixar os professores em padrões, esperar que estejam todos formatados para o mesmo. Há que haver orientações, é natural, contudo, é importante não cairmos num exagero.
Muito daquilo que a Escola é se deve ao professor, que transmite os conhecimentos e os valores, o empenho, o espírito de ajuda ao aluno. Quando este percebe que o professor não tem essa componete humana, além de uma boa formação científica, desinteressa-se.
Há que haver um entendimento entre ambas as partes, em conciliação com o Ministério. Os professores têm de mostrar que trabalham. As orientações rígidas do Ministério deixam de ter lugar. Assim, os professores menos competentes têm de prestar provas de melhoramento pedagógico-didáctico.
Em suma, há que encontrar o sistema educativo mais válido para os professores dos nossos dias.

O Lyceu – Na sua opinião, de que modo as novas tecnologias são uma mais valia para a aprendizagem do aluno?
Mónica Teixeira – Acho que é mesmo uma mais valia.
Na era em que vivemos, é impensável que a Escola não esteja ligada a essa área.
Hoje em dia, é impossível viver sem computador, por isso, acho que a Escola deveria tirar horas, dentro do horário do professor, para o formar nessa área.
O próprio Ministério de Educação deveria decidir que o horário dos docentes contemplasse um espaço para formação, que seria obrigatório, no âmbito das novas tecnologias, de modo a que todos aprendessem a utilizá-las e os que já soubessem pudessem actualizar-se.
E digo que esta deveria ser uma componente obrigatória porque há muitas pessoas, muitas colegas minhas, que são renitentes em relação às novas tecnologias, à Informática.
Hoje em dia, mesmo na vida prática, nas coisas mais banais, como pagar contas, fazer o IRS, a Internet e o computador são fundamentais.
Aceder às novas tecnologias é ter tudo em casa.

Tesmunhos do Liceu: Ana Margarida Falcão


Espaço multicultural mas, sobretudo, testemunha do processo de socialização e de vida, a Escola assume um papel incontornável na vida de todos nós. Revivemo-lo nas conversas do quotidiano, actualizando episódios pitorescos, eternizando espaços, personagens e modos de aprender e ensinar…É da escola que temos cada vez mais saudade, passado o tempo do estudo e da alegre camaradagem, o que nos faz sentir, como o poeta, “raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!”O Liceu orgulha-se de ser esse espaço extraordinário de vivências e emoções de milhares de estudantes madeirenses. Quem são? Que recordam?

Nome: Ana Margarida Falcão
Idade: 59 Anos
Profissão: Professora
Área de Formação: Letras



O Lyceu – Diz-se Liceu, vem a saudade. Que importância teve o Liceu na sua vida?

Ana Margarida Falcão – O Liceu foi a minha segunda família. Ali aprendi a equacionar as minhas experiências, os meus afectos e os meus pensamentos, não só em função de um alargamento do mundo vivencial mas também através de um reconhecimento mais lato da aprendizagem e de uma perspectivação amplificada dos outros.


O Lyceu – O que mais o marcou durante os anos de frequência do Liceu? (pessoas, espaços, ambientes, etc…)

Ana Margarida Falcão – Foi nas velhas salas, nos amplos corredores, nos aconchegantes pátios e nos quase secretos jardins do Liceu que desenvolvi aprendizagem de saberes mas também – e sobretudo – aprendizagem da descoberta do crescimento do corpo e de sentimentos novos e desconhecidos, como as amizades que ficam para sempre a atravessar-nos a vida ou o inesquecível primeiro amor.
Nessa época, os professores eram, na sua quase totalidade, admirados e respeitados pela sua competência e saber, mas seria injusto deixar de referir a Drª Elisabete Vieira da Luz, que me fez descobri Sebastião da Gama, a poesia, o diário literário e o gosto de escrever; ou ainda o Dr. Carlos Lélis, que tantas portas entreabertas deixou, nas suas aulas, para que os alunos mais tarde as pudessem abrir e explorar os caminhos a que levavam; ou ainda o Dr. Louro que connosco transformava o teatro numa realidade vivida tanto na aula como no palco do ginásio.


O Lyceu – Como vê a Educação hoje?

Ana Margarida Falcão – A solidariedade e a justiça eram parâmetros inquestionáveis que ofereciam aos alunos um sentido ético do comportamento. Por entre risos e zangas, gargalhadas e choros, ilusões e desilusões, egoismos e altruismos, sucessos e insucessos, essa verticalidade atravessava a nossa vida liceal e acompanhava-nos, indelével, pela vida fora. Também a dimensão cultural da arte era valorizada em actividades que não eram só receptivas mas também produtoras, ao contrário do que hoje frequentemente se julga acerca desse tempo. Sempre pensei e senti que estes parâmetros haviam sido o melhor legado educacional que recebi, por isso os desejo fervorosamente presentes nas directrizes educacionais de hoje.


O Lyceu – Na sua opinião, de que modo as novas tecnologias são uma mais-valia para a aprendizagem do aluno?

Ana Margarida Falcão – Li algures que o homem de hoje não constrói a modernidade: ele vive na, da e pela modernidade. As novas tecnologias fazem parte dessa natural e inevitável modernidade. O que importa é não admitir que se falhou a «revolução cultural» e continuar a lutar por ela. No seio de um povo que não tenha educação e cultura não pode sobreviver a democracia.

Testemunhos do Liceu: Alberto João Jardim


Espaço multicultural mas, sobretudo, testemunha do processo de socialização e de vida, a Escola assume um papel incontornável na vida de todos nós. Revivemo-lo nas conversas do quotidiano, actualizando episódios pitorescos, eternizando espaços, personagens e modos de aprender e ensinar…É da escola que temos cada vez mais saudade, passado o tempo do estudo e da alegre camaradagem, o que nos faz sentir, como o poeta, “raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!”O Liceu orgulha-se de ser esse espaço extraordinário de vivências e emoções de milhares de estudantes madeirenses. Quem são? Que recordam?

Nome: Alberto João Cardoso Gonçalves Jardim
Idade: 65 Anos
Profissão: Funcionário Público: Presidente do Governo Regional da Madeira
Área de formação: Licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra


O Lyceu – Diz-se Liceu, vem a saudade. Que importância teve o Liceu na sua vida?

Albeto João Jardim – Contribuiu decisivamente para a formação nos Princípios e Valores que professo, bem como estruturou os alicerces da minha permanente construção cultural ao longo da vida. Foi berço das amizades perenes.


O Lyceu – O que mais o marcou durante os anos de frequência do Liceu? (pessoas, espaços, ambientes, etc…)

Albeto João Jardim – Tive o privilégio de ser aluno de grandes Mestres que me marcaram, não apenas no aspecto do Conhecimento, mas sobretudo nas grandes opções de vida. De resto, foram sete anos vividos com intensa Alegria, experiências inolvidáveis… e uma certa indisciplina q.b.


O Lyceu – Como vê a Educação hoje?

Albeto João Jardim – É a causa principal do actual impasse nacional. Não incentiva hábitos de trabalho, pouca exigência científica e cultural, falta de reconhecimento do Mérito, nada de Valores intrínsecos ao Povo Português, desconhecimento da Disciplina como valor democrático, inexistência de articulação com o mercado de Emprego. É pena, porque a Região Autónoma tem Professores capazes mas que a legislação colonial impede.


O Lyceu – Na sua opinião, de que modo as novas tecnologias são uma mais-valia para a aprendizagem do aluno?

Albeto João Jardim – São decisivas, mas têm que ser complementadas com um esforço de Formação ética, cívica e cultural dos Alunos. A próxima mudança de ciclo económico no arquipélago exigirá mais investimento privado, bem como uma posta prioritária nas Novas Tecnologias, no Turismo e nos Serviços. Considerando que, à partida, a Região Autónoma está penalizada pela exígua dimensão do mercado, pela dependência energética, pela absoluta dependência dos transportes externos, pela densidade populacional tripla dos Açores e do Continente, pela orografia que reduz a exploração das fracas potencialidades apenas a um terço do território insular e pela falta de poder legislativo adequado às circunstâncias, será preciso dar conteúdo profícuo e prático à palavra-chavão “Inovação”.

Testemunhos do Liceu: Raimundo Quintal


Espaço multicultural mas, sobretudo, testemunha do processo de socialização e de vida, a Escola assume um papel incontornável na vida de todos nós. Revivemo-lo nas conversas do quotidiano, actualizando episódios pitorescos, eternizando espaços, personagens e modos de aprender e ensinar…É da escola que temos cada vez mais saudade, passado o tempo do estudo e da alegre camaradagem, o que nos faz sentir, como o poeta, “raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!”O Liceu orgulha-se de ser esse espaço extraordinário de vivências e emoções de milhares de estudantes madeirenses. Quem são? Que recordam?


Nome: José Raimundo Gomes Quintal
Idade: 53 Anos
Profissão: Geógrafo e Investigador
Área de formação: Geografia


O Lyceu – Diz-se Liceu, vem a saudade. Que importância teve o Liceu na sua vida?

Raimundo Quintal – É evidente que o Liceu teve grande importância na minha vida, foi onde passei a minha adolescência, onde encontrei pessoas que foram marcantes na minha formação, como a Dr.ª Ângela de Matos, que foi minha professora durante quatro anos e foi decisiva na minha opção por esta área. Esta foi uma professora muito vanguardista, pois, na altura, já ensinava ecogeografia, antes mesmo de esse conceito exis-tir.
Aqui, nesta escola, muito mais importante do que os programas eram os professores, que nos ensinaram a encontrar um trilho para percorrermos. Foram alguns deles, a Dr.ª Ângela de Matos, já referida, a Drª. Eugénia Bonito e a Dr.ª Sara Cabral Fernandes.


O Lyceu – O que mais o marcou durante os anos de frequência do Liceu? (pessoas, espaços, ambientes, etc…)

Raimundo Quintal – O que mais me marcou, relativamente à época, foi o espírito de solidariedade, a cooperação que havia entre alunos, para superar as dificuldades da altura.
Quando queríamos, por exemplo, organizar um baile, não tínhamos acesso a subsídios. Nós éramos os responsáveis por rentabilizar os nossos próprios meios, por administrar os exíguos recursos financeiros. O que, de certa forma, nos dava uma noção mais clara da realidade.
Outro aspecto é o facto de as turmas, na altura, serem só masculinas ou femininas, o que não permitia o relacionamento homem – mulher, que é um factor importante na adolescência. Era como se houvesse duas escolas dentro da Escola.
Apesar das adversidades, se compararmos os dias de então com os de hoje, éramos muito solidários; agora, há uma forte concorrência pelas notas. Na altura, havia essa vantagem.


O Lyceu – Como vê a Educação hoje?

Raimundo Quintal – Vejo-a com optimismo moderado. A escola de hoje já não tem a função que tinha quando eu era aluno, a de fonte exclusiva de conhecimento. Com os meios de informação agora disponíveis, nomeadamente a T.V. e a Internet, à escola, fica reservado um papel diferente, o de ajudar a seleccionar a informação.


O Lyceu – Na sua opinião, de que modo as novas tecnologias são uma mais-valia para a aprendizagem do aluno?

Raimundo Quintal – Hoje, um aluno tem a possibilidade de recolher, com despesa reduzida, um manancial de informação que lhe permite compreender o Mundo, como a minha geração não conseguiu.
Contudo, há que olhar para as novas tecnologias não como um manancial para “copiar e colar”, mas como fonte de conhecimento e é necessário que sejamos críticos face à informação que elas difundem e que saibamos aproveitá-la e recriá-la.

Testemunhos do Liceu: Miguel Albuquerque


Espaço multicultural mas, sobretudo, testemunha do processo de socialização e de vida, a Escola assume um papel incontornável na vida de todos nós. Revivemo-lo nas conversas do quotidiano, actualizando episódios pitorescos, eternizando espaços, personagens e modos de aprender e ensinar…É da escola que temos cada vez mais saudade, passado o tempo do estudo e da alegre camaradagem, o que nos faz sentir, como o poeta, “raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!”O Liceu orgulha-se de ser esse espaço extraordinário de vivências e emoções de milhares de estudantes madeirenses. Quem são? Que recordam?

Nome: Miguel Filipe Machado de Albuquerque
Idade: 47 anos
Profissão: Advogado
Área de formação: Licenciado em Direito


O Lyceu – Diz-se Liceu, vem a saudade. Que importância teve o Liceu na sua vida?
Miguel Albuquerque – Uma grande importância. Sobretudo a nível dos valores da disciplina e da convivência, que enriquecem a nossa personalidade ao longo da vida.

O Lyceu – O que mais o marcou durante os anos de frequência do Liceu? (pessoas, espaços, ambientes, etc…)
Miguel Albuquerque –Indiscutivelmente as pessoas. Os colegas e os professores.

O Lyceu – Como vê a Educação hoje?
Miguel Albuquerque – Com algum cepticismo. Mas também com alguma esperança. A autoridade dos professores tem de ser rapidamente restabelecida. O mérito, o trabalho, a disciplina, o respeito pelos outros e o civismo são alicerces essenciais de um bom sistema de educação.

O Lyceu – Na sua opinião, de que modo as novas tecnologias são uma mais-valia para a aprendizagem do aluno?
Miguel Albuquerque – São uma mais valia. Mas não devem ser um instrumento de facilitismo ou de denegação da memória e do raciocínio.