sexta-feira, 20 de março de 2009

Algumas considerações em torno da Família



Segundo Donald Meltzer (1988), «uma família serve para gerar amor, promover a esperança e conter a tristeza. E crescer é compreender que a melhor maneira de transformar o mundo é transformarmo-nos a nós próprios».
Esta formulação ainda que reducionista, é muito sugestiva porque foca aspectos essenciais no que concerne ao desenvolvimento psíquico, nomeadamente à associação entre o crescimento psicológico e a compreensão de que qualquer mudança pretendida nos outros é indissociável duma mudança interna. Remetendo ainda, para a importância de no contexto familiar termos a possibilidade de experimentar e aprender a gerir de forma saudável os diversos tipos de afectos e sentimentos.
Para a nossa compreensão da dinâmica das transacções familiares foram decisivos os contributos trazidos à Psicologia pela Teoria Geral dos Sistemas (L.V. Bertallanfy) e pela Teoria Eco - Sistémica da Comunicação (G. Bateson e investigadores de Palo Alto).
Neste sentido, autores como Salvador Minuchin, Maurício Andolfi, Mara Palazzoli entre outros, foram decisivos para que a família passasse a ser perspectivada de uma forma sistémica, e a clarificar a forma como se estabelecem os processos que contribuem ou não para um desenvolvimento normativo do ponto de vista psicológico.
Sendo a família o núcleo de referência afectivo - comunicacional por excelência, é considerada como uma rede complexa de relações e emoções na qual se passam sentimentos e comportamentos que não são passíveis de ser pensados com os instrumentos criados para o estudo dos indivíduos isolados.
Cada família é um todo, com características próprias (diferentes das dos subsistemas/partes), e cada elemento/subsistema individual desempenha múltiplos papéis. Exemplo: Um elemento que é pai (sub – sistema parental), é também filho (sub – sistema filial) e eventualmente irmão (sub – sistema fraternal), marido (sub – sistema conjugal), etc.
Há uma mudança de paradigma: passa-se da causalidade linear à causalidade circular, ou seja, numa situação em que o sistema familiar está ter dificuldades, o sintoma não é perspectivado como consequência (efeito) de algo (causa) que terá ocorrido no passado, mas como decorrente de algo que está a funcionar mal no «aqui e agora», ou seja, no presente da comunicação familiar.
Não se pretende com isto negar a interioridade de cada ser humano, mas sim realçar que mesmo as características individuais surgem e desenvolvem-se na e pela relação com os outros.
São também analisadas as interacções comunicativas que se processa com o contexto (escolar, social, etc.) em que a família está inserida.
O objectivo das intervenções sistémicas realizadas no contexto de terapia familiar, será ajudar a família a encontrar padrões de comunicação mais funcionais.
Houve uma mudança enorme no conceito de família, antigamente a maioria dos casamentos terminava com a morte de um dos cônjuges, actualmente grande parte das uniões acaba em separação, sendo muito usual, as famílias reconstruídas, as mono - parentais, etc.
Num sentido mais alargado, que ultrapassa o de família biológica cujas relações são de consanguinidade, pode considerar-se como família, o conjunto de pessoas que se encontram ligadas por laços afectivos, ou seja, que estabeleceram e mantêm entre si relações significativas, quer sejam sentidas, grosso modo, como positivas ou como negativas.
Consideramos importante referir as fases mais marcantes do ciclo de vida de uma família, salvaguardando as devidas adaptações às novas formas existentes:
-Casal sem filhos, caracteriza-se pela vida em comum (constituição do subsistema conjugal),
-Família com filhos pequenos (até a idade pré-escolar, 3 anos), caracteriza-se pelo nascimento e adaptação inerente a novas funções (constituição dos subsistemas parental e filial e se houver mais do que um filho, do subsistema fraternal);
-Família com filhos em idade pré-escolar (até 6 anos),
-Família com filhos em idade escolar (até adolescência, cerca dos 13 anos),
-Família com adolescentes (aproximadamente dos 13 anos aos 20 anos),
-Família com adultos jovens (a sair de casa),
-Família na meia – idade (entre a saída do último filho e a reforma),
-Família idosa (da reforma à morte de um dos elementos do casal).
Quer as fases usuais/normativas quer as acidentais/não previstas implicam sempre mudança. É a forma como a família/as organizações reagem à mudança (estas implicam sempre a necessidade de encontrar novos equilíbrios) que nos permite avaliar da saúde/adequação dos sistemas.
O sistema familiar cumpre diversas funções, sendo as duas mais importantes:
-Fornecer um sentimento de continuidade, de pertença e protecção.
-Permitir a individualização, o crescimento e a realização pessoal dos seus membros.
As situações em que uma família pode estar a entrar num padrão comunicacional disfuncional são as seguintes:
-Quando há propensão em falar pelos outros, impossibilitando a expressão dos sentimentos próprios.
-Quando existe desqualificação das mensagens recebidas.
-Quando as comunicações são pouco claras ou ambíguas.
-Quando se verificam mensagens contraditórias (ex. double-bind).
-Quando se constata uma fraca individuação dos pais em relação aos próprios pais.
-Quando os filhos têm que ocupar-se sistematicamente dos problemas ou tarefas dos pais (Parentificação).
-Quando existe uma relação distante entre o casal.
-Quando a relação de um dos pais é mais próxima com um filho do que com o cônjuge ou outro/s adulto/s.
-Quando as fases do ciclo vital provocam crises que afectam toda a família.
-Quando as necessidades de autonomização, ou de segurança e protecção não são reconhecidas ou satisfeitas.
-Quando há rigidificação de regras de funcionamento, ou seja, quando existe a luta pela manutenção de um determinado estado de coisas a qualquer preço, independentemente das mudanças surgidas (Exemplo: na adolescência de um dos elementos).
Nas comunicações da parte dos mais velhos para com os mais novos ou em relação a estes é muito comum ouvirmos expressões do género: «Eu quero o melhor para ti», «Eu só quero o teu bem», e neste sentido, parece-me que existem questões essenciais a que temos que dar resposta como pais/educadores:
-Será possível desejar o melhor para os filhos sem desejar o melhor para si?
-Será que o melhor para os filhos será forçosamente o que é melhor para os pais?
-O que achamos melhor para os filhos será semelhante/diferente do que achamos para nós?
-Em que medida o que desejamos para os nossos filhos é semelhante/diferente do que os nossos pais desejaram para nós?
-Em que medida, os filhos/jovens não tem que reflectir/opinar/determinar sobre o que será melhor para o seu futuro, já que terão que ser eles a empenhar-se no presente para que seja possível concretizá-lo?
E nós, pais e educadores? Não deveríamos cultivar e sermos nós próprios, um modelo de procura permanente na nossa própria vida, da felicidade e da concretização de projectos significativos?
Termino citando R. Pausch (2008), «Na minha opinião, a função de um pai é encorajar os filhos a desenvolver uma alegria perante a vida e instigá-los a seguirem os seus próprios sonhos. O melhor que podemos fazer é ajudá-los a desenvolver um conjunto pessoal de ferramentas para essa tarefa».

Maria de Fátima Saldanha Vieira
(Psicóloga)


Nota: Este documento teve por base parte do material usado no suporte informático, elaborado para a palestra «Eu quero o melhor para o meu filho/a minha filha», realizada a 27 de Novembro de 2008 e dirigida aos Encarregados de Educação e Directores de Turma do 10ºano.
Alguma bibliografia consultada:
Andolfi, M. (1981), A Terapia Familiar, Lisboa, Ed. Veja Universidade.
Andolfi, M. (1983), Por detrás da máscara familiar, Porto Alegre, Editora Artes Médicas.
Bettelheim, Bruno (1987), Bons Pais. O sucesso na educação dos filhos, Lisboa, Bertrand Editora.
Ferry, Luc (2007), Famílias amo – vos, Lisboa, Círculo de Leitores/Temas e Debates.
Gameiro, J. (1994), Quem sai aos seus…, Porto, Editora Afrontamento.
Minuchin, S. (1980), Família: Funcionamento e Tratamento, Porto Alegre, Editora Artes Médicas
Pereira, Maria da Graça (2007), Psicologia da Saúde Familiar: aspectos teóricos e investigação, Lisboa, Climepsi Editores.
Sampaio, D.; Gameiro, J. (1985), A Terapia Familiar, Porto, Editora Afrontamento.
Sampaio, D. (2006), Lavrar o Mar. Um novo olhar sobre o relacionamento entre pais e filhos, Lisboa, Caminho.
Pausch, Randy (2008), A Última Aula, Lisboa, Editorial Presença.
Relvas, Ana Paula (2000), Por detrás do Espelho. Da Teoria à Terapia com a Família, Coimbra, Quarteto.
Watzlawick, P. et al. (1967), Pragmática da Comunicação Humana, São Paulo, Editora Cultrix.
Skynner, R.; Cleese, J. (1983), Famílias…e como sobre (viver) com elas, Porto, Edições Afrontamento.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Passatempos Matemáticos




Do livro
MISCELÂNEA DE PASSATEMPOS MATEMÁTICOS





Desafie a parte matemática de seu cérebro com estes problemas baseados em números, que vão testar as suas habilidades de raciocínio e de probabilidade. Para resolvê-los, você vai precisar de um papel, uma caneta, de paciência e de um cérebro lógico.




A – O armazém do meu bairro está oferecendo um desconto de 5% no pagamento à vista, 10% para fregueses antigos e 20% em dias de liquidação. Para economizar o máximo de dinheiro, por que ordem devo usar os descontos?





B – Três turistas entram num bar no Rio de Janeiro e pedem bebidas e o prato especial do dia, mas o bar tinha somente sacos de batata frita para oferecer. O primeiro turista comeu 1/3 do número total de sacos, o segundo turista comeu 1/3 do que restou e o terceiro turista comeu 1/3 do que restou por fim. Sobraram finalmente oito sacos de batata frita. Quantos sacos de batata frita havia no bar quando eles chegaram?



C – Um homem entre 50 e 70 anos, que tem muitos netos, disse: “Cada um dos meus filhos tem tantos filhos quanto irmãos, e juntando a quantidade de filhos que tenho com a de netos dá exactamente a minha idade.” Qual é a idade do homem e quantos netos ele tem?





D – Alan ganhou US$ 300 num caça-níqueis em Las Vegas e, com isso, saiu de lá com uma quantia em dinheiro cinco vezes maior do que se tivesse perdido US$ 300. Quanto Alan tinha antes de ganhar os US$ 300?





E – Frederico e Marcos marcaram 12 runs no jogo de críquete da semana passada e ambos foram eliminados por Mateus. Anteriormente as suas médias eram números inteiros. A média de pontos de Frederico diminuiu um run e a de Marcos aumentou um run. Frederico foi eliminado sete vezes e Marcos, oito. Quais são as suas novas médias?





F – Num saco, há dez bolas de sinuca – cinco pretas e cinco vermelhas. Qual é a chance de retirarmos três bolas vermelhas e quatro bolas pretas?





G – Perguntei ao meu filho quantos selos ele tinha. Respondeu: “O número, se dividido por dois, deixará resto um. Se dividido por três, deixará resto dois. Se dividido por quatro, deixará resto três. Se dividido por cinco, deixará resto quatro. Dividido por seis, resto cinco; por sete, resto seis; por oito, resto sete; por nove, resto oito; por dez, resto nove.” Quantos selos o garoto tinha?





H – A lotaria usa os números de 1 a 20. Para ganhar, você tem de acertar os seis números sorteados aleatoriamente por uma máquina lotérica. Quantas combinações possíveis de 6 números ganhadores existem?





I – Usando um punhado de estacas, um fazendeiro percebeu que poderia construir um cercado simples no formato quadrado, dois quadrados adjacentes do mesmo tamanho ou três quadrados adjacentes do mesmo tamanho. A distância entre cada estaca deveria ser a mesma em cada caso. Qual é o menor número de estacas que ele poderia usar?





J – Fomos visitados por extraterrestres. Alguns tinham quatro olhos. Alguns tinham seis olhos. Alguns tinham oito olhos. Alguns tinham doze olhos. Havia um número igual de cada tipo de criatura. O número total de olhos na sala era 5.220. Quantas criaturas nos visitaram?





Cultive o espírito matemático e desafie as suas capacidades antes de espreitar as soluções.



A – Não faz diferença. Um pedido tem um desconto total de 31,6%, não importando a escolha. B – 27. C – O homem tem 64 anos e tem 56 netos. D – US$ 450,00. E – A média de Fred é 19 e a de Marcos é 4. F – 5/12. G – 2.519. H – 38.760. I – 48. J – 696





No site: http://www.selecoes.com.br/revista/2421/Passatempos-Matematicos.html#topo

sexta-feira, 13 de março de 2009

Querida Vanessa,


Funchal, 8 de Janeiro 2009

Querida Vanessa,

Estou a escrever-te para dizer o quanto te amo. Escrevo-te porque, na minha opinião, consigo expressar-me melhor assim. Escrevo-te porque não posso estar contigo.
Imagina que te escrevo em voz baixa, porque quando queremos exprimir algum sentimento, dizemo-lo em voz baixa. Assim, parece ser dito de uma maneira mais profunda, parece ter outro significado. Escrevo-te numa bela tarde de Inverno, tal e qual aquela em que presenciamos o sol que se escondia lentamente por trás do horizonte enquanto nós, eternos apaixonados, ficávamos ali abraçados a contemplar aquele maravilhoso momento e a desejar que nunca tivesse fim.
Sei que estamos longe um do outro, há um imenso oceano a separar-nos e parece que o destino está contra nós, mas, Vanessa, tu sabes que o nosso amor é verdadeiro e não vão ser uns tantos quilómetros de distância e o maroto do destino que vão fazer com que deixe de ser. Nada nem ninguém alguma vez conseguirá destrui-lo. Sei que existem aqueles dias difíceis em que nos apetece atirar para o lixo uma vida de recordações, na esperança que ao fazê-lo a dor desapareça e nos esqueçamos de tudo, e desistir, pura e simplesmente desistir de nós. Eu sei que existem dias assim, mas quando eles aparecerem tenta lembrar-te de todos os momentos que passámos juntos. Lembra-te de quando deitavas a cabeça no meu ombro e ficávamos assim abraçados durante horas; lembra-te de quando me abraçaste como se nunca me quisesses largar; lembra-te de quando prometemos passar o resto das nossas vidas juntos; lembra-te de quantas vezes te lembrei num dia que te amo; lembra-te de quando te sussurrei ao ouvido que és tudo para mim; lembra-te de quando te disse no silêncio de um olhar que não posso viver sem ti. Relembra, relembra e relembra tudo de novo. E, se ainda não for suficiente, fica um pouco em silêncio e conseguirás sentir-me dentro de ti.
Existem ainda aqueles dias em que me questiono, agora quando acordas de manhã e não estou a teu lado, se é em mim que pensas.
Nos finais do ano passado, estava sentada naquele banco de jardim, onde passámos algumas das nossas tardes juntos, também a escrever para ti. Não estava sozinho, estava acompanhado da mulher da minha vida. Sentia-me inteiramente feliz e seguro. Contente com a felicidade de todos os segundos passados ao teu lado. Tu olhavas-me como se fosse o homem da tua vida, aquele, aquele com quem sempre sonhaste e que queres passar o resto da tua vida. Sentia-me dono do mundo.
Apesar de hoje não estar naquele mesmo banco de jardim e estar a quilómetros de distância, ainda te sinto aqui, sentada a meu lado como naquele dia, com o pescoço apoiado no meu ombro. E, são pequenos gestos como estes, olhares e o silêncio, que me roubam as palavras.
Poderia escrever-te um livro para tentar exprimir com meia dúzia de letrinhas o que sinto por ti, mas não chegaria nem perto do que realmente sinto, não existem palavras para o explicar, quanto mais escrevo parece que mais fica por dizer.
Sem saber o que mais dizer, despeço-me de ti, lembrando-te mais uma vez que te amo. Um beijo,

Nuno.



P.S. Tenho saudades tuas.

Mariana Nunes, 10º42

Ao sabor das memórias



Olhei pela janela o azul do mar, o céu e as diversas cores que cobriam a cidade. Fiquei ali por um momento a pensar naquelas palavras que havias pronunciado, tentando que aquela paisagem me acalmasse de alguma forma. Agarrei na minha bolsa e fui até à porta. Toquei na fechadura e antes de abri-la, baixei a cabeça e respirei fundo, tentando acalmar a dor. Em seguida abri a porta e caminhei sem saber para onde ia.
Atravessei a cidade, passei por lugares onde costumávamos passar um bocado das nossas tardes juntos. Até nos conseguia ver nesses mesmos lugares ou até mesmo de mão dada a andar por aquelas ruas. Continuei a caminhar sem saber onde ia, sendo perseguida por todos essas sombras das memórias...
Via as pessoas andarem de um lado para outro, muito apressadas e até tentava perceber se o sorriso meio escondido que algumas delas levava no rosto seria de dor ou felicidade. Mas, deixei de me importar com tudo isto quando me deparo com um dos tais locais onde passámos um bocado de tarde juntos, o jardim. Quando me deparei com ele, parei e fiquei ali a admirá-lo. As recordações passavam na minha cabeça a uma grande velocidade. Soube logo que era aquele o lugar onde precisava estar. Silencioso, relaxante, calmo...
Caminhei em direcção às escadas. Via idosos felizes sentados nos bancos a namoriscar e a dar pequenas gargalhadas, como jovens, felizes. De outro lado via um casal com um filho, ainda bebé, felizes também.
Cheguei ao banco onde nos tínhamos sentado quando lá estivemos. Estava vazio, não havia lá ninguém sentado. Sentei-me, pousei a bolsa ao meu lado. De repente as memórias haviam ficado ainda mais intensas, passavam ainda mais rápido e faziam-me estremecer por dentro. Comecei a recordar todos aqueles momentos que passámos juntos, os pequenos gestos de amor... Tudo! E os sinais de dor iam-se manifestando no meu rosto.
Naquele momento tudo fazia sentido, menos o facto de ter de estar longe de ti. Sei que há uma força estranha que me faz correr para ti... De um momento para outro deu-me uma vontade imensa de sair dali gritando, para dizer a todo o mundo que te amo, mas o medo empurrava-me para baixo. O medo de me magoar de novo, medo de voltar a sentir o que estou sentindo, medo do tamanho do meu amor, medo! O que faria com que perdesse esse medo? Um simples gesto de amor, um olhar bem profundo, uma palavra com tanto significado, um toque no momento exacto, um sorriso aconchega dor, algum gesto, alguma coisa, algum sinal de mudança!
Permaneci sentada acompanhada daquelas memórias. Memórias de um tempo em que fui feliz. Por momentos até podia sentir-te ao meu lado, mesmo junto a mim, a me dar pequenos beijinhos deliciosos, como há um ano atrás, naquele mesmo banco de jardim.
Mas agora volto ao presente e ainda tento compreender o porquê de tanto ódio, raiva. Porque é que continuas a viver no passado? Deixa-o onde está, o que importa é apenas o presente e o futuro, o passado já foi. Guarda, recorda e trás contigo somente o que é bom, o resto deixa onde está. Não deixes o passado quebrar o que de melhor tens.
Já é quase de noite e ainda aqui estou sentada sozinha. Permaneço em silêncio, aconchegada ao calor das memórias, já que nada mais me aquece e não posso fazer delas o meu presente.


Mariana Nunes, 10º42

quinta-feira, 12 de março de 2009

Emigração na 1ª Pessoa


Eu vou falar um pouco das grandes alterações que normalmente acontecem quando começamos a viver fora da nossa terra natal. Eu posso dizer que é muito difícil viver fora da nossa, porque não conhecemos o país e as pessoas. Muitas vezes não somos bem vindos, no sentido de sermos diferentes do que os habitantes dessa localidade, por isso, as pessoas começam a comportar-se mal connosco e a nos aborrecer constantemente.Essas pessoas nem imaginam que é muito difícil começar a estudar, trabalhar e, ainda, aprender a língua daquele país. É sobretudo muito difícil encontrar o vocabulário para podermos falar, explicar aquilo que queremos dizer, explicar ainda que vamos viver para outros países porque não temos outras hipóteses e que temos de fazer por isso, que não é voluntário, mas a causa da emigração é não termos possibilidades de viver, estudar e trabalhar nos nossos países.Somos todos iguais e acho que não é preciso sermos maus uns com as pessoas que vêm de fora, só porque eles vêm estudar e trabalhar na terra dos outros, pelo contrário, nós temos de ajudar e dar uma mão para os emigrantes poderem ter uma vida normal, em comunidade com os outros.


Alina Dianova, 10º 12



A minha experiência de emigração foi diferente da maior parte das pessoas, uma vez que eu já conhecia a Madeira, por o meu pai ser madeirense e termos vindo cá de férias antes do regresso definitivo.O dia em que cá cheguei foi realmente estranho, porque eu já sabia que era de vez e que vínhamos para ficar e isso mudaria a minha vida por completo. Implicaria começar de novo, aprender uma nova língua e fazer novos amigos, ter uma casa nova, entre outras novidades. Uma das dificuldades que tive de enfrentar foi a adaptação à escola, visto que eu não sabia escrever Português e falá-lo, contudo, isso foi melhorando com o tempo e aquilo que mais custa foi ter deixado a minha família, as minhas primas, a minha avó e os meus tios. Todavia, não é que eu não goste da Madeira, até a considero um local agradável.Contudo, ainda penso em voltar à Venezuela, porque tenho saudades daquela terra.


Andrea Gonçalves, 12º 10


Sair do seu país de origem e criar o seu novo lar num país estrangeiro é o que nós chamamos emigração.
Existem várias razões que nos levam a tomar a decisão de mudar radicalmente as nossas vidas, como, por exemplo, o facto de irmos ao encontro de algo melhor, que nos dê esperança para uma que não conseguimos atingir na nossa terra.
Outro dos factores que levam as pessoas a emigrar é a questão financeira, a procura por um local onde os filhos possam crescer melhor, algo que o país de onde somos oriundos não nos pode oferecer.
A minha mudança para a Madeira foi a mais difícil que alguma vez aconteceu na minha vida. Sentia-me sozinha e não estava habituada ao sistema educativo, que tinha por base uma língua diferente, o Português, e essa foi a parte que tornou mais difícil a minha adaptação. Contudo, com o passar do tempo, fui-me habituando à comunicação escrita e oral neste idioma.
Em conclusão, a emigração não é fácil e nem significa que conseguimos sempre atingir aquilo que consideramos que possa ser possível num país estrangeiro. Contudo, por vezes, é no país estrangeiro que conseguimos realizar os nossos sonhos.

Débora Abreu, 12º 50
Foto: Micaela Martins

segunda-feira, 9 de março de 2009

Construção de Materiais Didácticos com Recurso às TIC- HOTPOTATOES



A acção de formação “Construção de Materiais Didácticos com Recurso às TIC- HOTPOTATOES” foi desenhada para abordar a temática das Tecnologias de Informação eComunicação em contexto escolar.
O grupo de estágio de informática orientado pela Prof. Patrícia Dinis procura introduzir avertente de formação contínua permitindo criar novas condições de trabalho, maisconsentâneas com o mundo em que vivemos.
É consensual a noção de que actualmente todo o sistema educativo se encontradireccionado para o aluno. Esta visão constitui uma mudança acentuada face a épocashistóricas precedentes, nomeadamente a que antecedeu o 25 de Abril de 1974 com o regimesalazarista. Neste sentido, a relação que se estabelece entre professores e estudantes (quenão é unidireccional) assume um cariz fulcral para o processo de aprendizagem e, por issomesmo, deve cada docente ter como principal objectivo procurar responder de forma isenta àsnecessidades específicas de cada aluno.
Na RAM (Região Autónoma da Madeira) diversas instituições de ensino, públicas eprivadas, utilizam as TIC para disponibilizar conteúdos disciplinares e avaliações virtuais queauxiliam os alunos, perante a prática comum de uso de métodos tradicionais de ensino. Essasavaliações virtuais complementam as práticas de avaliação dos professores e permitem aosalunos terem acesso a informações sobre o seu processo de aprendizagem. Procura-se, dealgum modo, que os discentes se sintam mais atraídos e interessados a aprender os assuntosleccionados em cada disciplina.
Um sistema de avaliação virtual é composto de uma interface com o aluno e um sistemade pesquisa e avaliação, onde o professor fica responsável por inserir o conhecimento sobreum determinado assunto. O aluno é, então, avaliado de acordo com a base de conhecimentosexistente e um retorno é enviado tanto ao aluno, como ao professor.
Hot Potatoes é um conjunto de cinco ferramentas de autor, desenvolvidas pela equipa daUniversity of Victoria CALL Laboratory Research and Development, que possibilitam aelaboração de vários tipos básicos de exercícios interactivos utilizando páginas Web. O registodo programa é necessário para obter a “chave de registo” tornando-a assim a sua aplicaçãogratuita.

Estes módulos possibilitam a criação de exercícios interactivos para a Web compatíveiscom todas as versões dos browers/navegadores Internet Explorer e Netscape e com asplataformas Windows ou Macintosh. Duas das ferramentas, JMath e JMix, produzem exercíciosque permitem clicar-arrastar-soltar, usando o rato, mas que funcionam apenas nas versõesmais recentes dos navegadores (IE 5.0 e Netscape 6 ou superiores). O programa aceita caracteres portugueses e pode ser completamente configurado para a nossa língua, assimcomo quase todos os aspectos da interface (cores, tipo de letra, etc.).
A “potatoe”, que é novidade na versão 6 do programa, refere-se ao aplicativo TheMasher. Este aplicativo tem como funcionalidade criar e ligar grandes unidades de materiais com os exercícios construídos pelas outras “potatoes”.
Para trabalhar com este programa, tudo o que precisamos saber é onde temos decolocar os dados (textos, questões, respostas, imagens, etc.), pois as ferramentas criarão,automaticamente, a respectiva página Web. Se pretender, o professor poderá enviar a páginaou páginas criadas para o servidor, de forma a serem utilizadas pelos alunos, via Internet.

Iustração 1:



Ferramenta Hot Potatoes (v6.2)Embora os exercícios sejam construídos usando Javascript, não é necessário nenhumconhecimento sobre esta linguagem de programação. Tudo o que se precisa saber é introduziros dados (textos, questões, respostas, etc.) e os programas criarão, automaticamente, arespectiva página web. Desta forma, basta enviar a página criada para o servidor e esta estaráapta a ser utilizada pelos alunos via internet. Os programas são feitos de forma a que, quasetodos os aspectos das páginas possam ser personalizados (na opção Configuração).

Os exercícios podem ser configurados em vários itens, tais como: título, mensagem deauxílio para os alunos, conteúdo das mensagens exibidas após o aluno acertar ou errar algumaquestão, configurações de aparência da página, configuração da visualização das questões,temporizador para leitura do texto, entre outros. Para a criação de exercícios devem serseguidas três etapas:
Entrada de Dados: O professor insere as questões, respostas e feedback dentreoutras informações específicas da questão.
Ajuste da Configuração: Configuração de instruções para os alunos, títulos parabotões de navegação, etc.
Criação da Página Web: Exportação do exercício para o formatoWeb.
Nas configurações de saída do Hot Potatoes as funcionalidades do CGI permitem enviaro resultado por e-mail. Assim, quando o aluno aceder aos exercícios ele deve colocar a suaidentificação. Quando acabar os exercícios, a identificação do aluno, o título do exercício, oresultado e o tempo de início e fim será enviado através de um script CGI um e-mail contendoessas informações.
A informação sobre a configuração é um conjunto de fragmentos de texto que inclui asinstruções para realizar o exercício, os textos dos botões de navegação e os vínculos (links) adeterminadas URLS e que não variam muito nos diferentes exercícios. Por exemplo, exercícioscriados no Hot Potatoes podem ser incluídos botões com o texto "Verificar" que servem paraque o(a) aluno(a) possa corrigir suas respostas. O texto "Verificar" não muda de um exercíciopara outro. Por isso é necessário salvá-lo com os dados. Além disso, pode ser que hajanecessidade de modificar tais textos (por exemplo, se forem criados questionários em outroidioma).
Além do que já foi exposto, este software é compatível com as normas SCORM(Shareable Content Object Reference Model), ou seja, as actividades produzidas podem serintegradas em plataformas de formação (Moodle, Dokeos).
Existem outras ferramentas de exercícios interactivos semelhantes ao Hot Potatoes a titulo deexemplo, deixamos aqui algumas sugestões:
Site oficial do Hot Potatoes
Site oficial do WebQuestion
WebQuestion é um software gratuito para uso em instituições educacionais, versão final 2.0, é um programa que, à semelhança do Hot Potatoes, permite a concepção de exercícios interactivos. Não é tão popular, nem completo como o Hot Potatoes, mas tem algumas características que o recomendam: é extremamente simples de usar, dispõe de um assistente simples para a concepção do teste e permite a utilização de vários tipos de pergunta (escolha múltipla, resposta simples e verdadeiro/falso) no mesmo questionário. O programa foi desenvolvido pela Clever Software, empresa que, no presente, já não existe. Contudo, pode descarregá-lo a partir do Centro de Recursos Online (EduTeca) do Centro de Competência da Beira Interior. Também aí poderemos encontrar o ficheiro de tradução da interface.
Site oficial do Ardora
Ardora é um software livre que permite a criação e realização de actividades interactivas, mais precisamente na concepção de exercícios. Este programa foi criado por José Manuel Bouzán Matanza, sendo a sua aplicação gratuita desde que usado em contexto educativo ou, de uma forma pessoal e sem fins lucrativos. Podemos encontrar Ardora, actualmente, na versão 4.1. Este programa é formado por um conjunto de aplicações informáticas que servem para realizar diversos tipos de actividades educativas, tais como: quebra-cabeças, associações, exercícios com texto, sons e imagens, palavras cruzadas, entre muitas outras.
Site oficial do Quiz
FaberDisponível em: http://www.lucagalli.net/en/
QuizFaber, de Galli, é um software do tipo freeware, excepto para uso comercial. Se desejar usar este software para finalidades comerciais necessita da autorização do autor deste software, Luca Galli. O programa QuizFaber actualmente na versão 2.10.1 permite criar, com facilidade e rapidez, exercícios interactivos num documento hipertexto (página HTML) com um «motor» escrito em Javascript. Toda esta funcionalidade é controlada de uma maneira automática. O utilizador não necessita de ter conhecimentos de HTML, ou de Javascript. Na escolha do browser ter em conta que o QuizFaber produz um conjunto de páginas de HTML unidas por hiperligações. Os exercícios interactivos podem ser visualizados em todos os browsers que suportam janelas (frames) e a linguagem JavaScript (por exemplo, Netscape Navigator, versão 2.0 e Microsoft Internet Explorer, versão 3.0). Além disso para colocações personalizadas de layouts no HTML é necessário um browser que suporte folhas de estilo CSS (por exemplo, Microsoft Internet Explorer, versão 4.0).

domingo, 8 de março de 2009

Teclado para loiras (Keyboard for Blondes)



Uma empresa norte-americana (www.keyboardforblondes.com ) criou um periférico para loiras: um teclado para loiras. O produto chamado Keyboard for Blondes é cor-de-rosa e faz piadas com os nomes das teclas, clique na imagem para ver, com o intuito de facilitar o uso do periférico.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Nasceste antes de 1986?



Então lê isto...
Se não... lê na mesma....

Esta merece!!!!!

Deliciem-se...

Nascidos antes de 1986.
De acordo com os reguladores e burocratas de hoje, todos nós que crescemos nos anos 60, 70 e princípios de 80, não devíamos ter sobrevivido até hoje, porque as nossas caminhas de bebé eram pintadas com cores bonitas,em tinta à base de chumbo que nós muitas vezes lambíamos e mordíamos.

Não tínhamos frascos de medicamentos com tampas 'à prova de crianças', ou fechos nos armários e podíamos brincar com as panelas.

Quando andávamos de bicicleta, não usávamos capacetes.

Quando éramos pequenos viajávamos em carros sem cintos e airbags, viajar à frente era um bónus.

Bebíamos água da mangueira do jardim e não da garrafa e sabia bem.

Comíamos batatas fritas, pão com manteiga e bebíamos gasosa com açúcar, mas nunca engordávamos porque estávamos sempre a brincar lá fora.

Partilhávamos garrafas e copos com os amigos e nunca morremos disso.

Passávamos horas a fazer carrinhos de rolamentos e depois andávamos a grande velocidade pelo monte abaixo, para só depois nos lembrarmos que esquecemos de montar uns travões.

Depois de acabarmos num silvado aprendíamos.

Saíamos de casa de manhã e brincávamos o dia todo, desde que estivéssemos em casa antes de escurecer.

Estávamos incontactáveis e ninguém se importava com isso.

Não tínhamos Play Station, X Box.

Nada de 40 canais de televisão, filmes de vídeo, home cinema, telemóveis, computadores, DVD, Chat na Internet.

Tínhamos amigos - se os quiséssemos encontrar íamos à rua.

Jogávamos ao elástico e à barra e a bola até doía!

Caíamos das árvores, cortávamo-nos, e até partíamos ossos mas sempre sem processos em tribunal.

Havia lutas com punhos mas sem sermos processados.

Batíamos às portas de vizinhos e fugíamos e tínhamos mesmo medo de sermos apanhados.

Íamos a pé para casa dos amigos.

Acreditem ou não íamos a pé para a escola;

Não esperávamos que a mamã ou o papá nos levassem.

Criávamos jogos com paus e bolas.

Se infringíssemos a lei era impensável os nossos pais nos safarem.

Eles estavam do lado da lei.

Esta geração produziu os melhores inventores e desenrascados de sempre.

Os últimos 50 anos têm sido uma explosão de inovação e ideias novas.

Tínhamos liberdade, fracasso, sucesso e responsabilidade e aprendemos a lidar com tudo.

És um deles?

Parabéns!

Para todos os outros que não têm a idade suficiente , pensei que gostassem de ler acerca de nós.

Isto, meus amigos é surpreendentemente medonho... E talvez ponha um sorriso nos vossos lábios.

A maioria dos estudantes que estão hoje nas universidades nasceu em 1986, ou depois. Chamam-se jovens.

Nunca ouviram 'we are the world' e uptown girl conhecem de westlife e não de Billy Joel.

Nunca ouviram falar de Rick Astley, Banarama ou Belinda Carlisle, entre muitos outros.

Para eles sempre houve uma só Alemanha e um só Vietname.

A SIDA sempre existiu.

Os CD's sempre existiram.

O Michael Jackson sempre foi branco.

Para eles o John Travolta sempre foi redondo e não conseguem imaginar que aquele gordo tivesse sido um deus da dança.

Acreditam que Missão impossível e Anjos de Charlie são filmes do ano passado.

Não conseguem imaginar a vida sem computadores.

Não acreditam que houve televisão a preto e branco.

Hospital Conde Ferreira - O teste da banheira



Durante a visita a um hospital psiquiátrico, um dos visitantes perguntou ao director:

- Qual é o critério pelo qual vocês decidem quem precisa ser hospitalizado aqui?
Respondeu o director:
- Nós enchemos uma banheira com água e oferecemos ao doente uma colher, um copo e um balde e pedimos que a esvazie. De acordo com a forma que ele decida realizar a missão, nós decidimos se o hospitalizamos ou não.
- Entendi - disse o visitante - uma pessoa normal usaria o balde, que é maior que o copo e a colher.
- Não - respondeu o director - uma pessoa normal tiraria a tampa do ralo. O que o senhor prefere? Quarto particular ou enfermaria?

Dedicado a todos os meus amigos que escolheram o balde...