sexta-feira, 4 de abril de 2008

Testemunhos do Liceu: Salomé Teixeira


Espaço multicultural mas, sobretudo, testemunha do processo de socialização e de vida, a Escola assume um papel incontornável na vida de todos nós. Revivemo-lo nas conversas do quotidiano, actualizando episódios pitorescos, eternizando espaços, personagens e modos de aprender e ensinar…É da escola que temos cada vez mais saudade, passado o tempo do estudo e da alegre camaradagem, o que nos faz sentir, como o poeta, “raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!”O Liceu orgulha-se de ser esse espaço extraordinário de vivências e emoções de milhares de estudantes madeirenses. Quem são? Que recordam?




Nome: Salomé Teixeira
Idade: 47
Profissão: Enfermeira
Área de formação: Enfermagem e Saúde Comunitária




O Lyceu – Diz-se Liceu, vem a saudade. Que importância teve o Liceu na sua vida?

Salomé Teixeira – Andei no Liceu no 7º Ano, em 1974; depois, mudei para o antigo se-minário, onde mais tarde se fixou a Escola Bartolomeu e, um ano após, voltei ao Liceu.A Escola foi importante na minha formação, uma vez que foi lá que eu adquiri as bases e a oportunidade de continuar a estudar.Na altura, aqui na Região, havia o Magistério e a Enfermagem e eu decidi enveredar pela segunda opção.


O Lyceu – O que mais o marcou durante os anos de frequência do Liceu? (pessoas, espaços, ambientes, etc…)

Salomé Teixeira – Recordo alguns professores e principalmente os colegas, por quem ainda passo e que reconheço. Relativamente aos professores, tive muito bons professores e ganhei uma formação de base muito boa. É curioso que eu ainda recorde muitos dos conhecimentos que me foram transmitidos e, quando ajudo os meus filhos a estudar, verifico que ainda sou capaz. Naturalmente, que consigo ajudá-los mais nas disciplinas de Matemática, Ciências e Física e Química.Lembro-me de uma aula de Português em que um colega meu decidiu fazer uma pequena fogueira dentro da sala… Enfim, também havia alguns alunos mais traquinas na altura, embora os professores normalmente se impusessem mais, tivessem mais autoridade.Como eu era mais reservada, considerava aquelas travessuras um pouco excessivas.

O Lyceu – Como vê a Educação hoje?

Salomé Teixeira – Penso que, naquela altura, havia mais respeito pelos professores, que impunham realmente a sua autoridade. O método de ensino de então era muito expositivo e, embora considere importante que adquiramos conhecimentos, prefiro os métodos actuais, que defendem que o aluno encontre as respostas e que permite que a aula seja também um esforço dele, a sua participação.Há até disciplinas novas que incentivam à criação de projectos, como a Área Projecto e o Estudo Acompanhado, o que, quanto a mim, facilita muito mais a aprendizagem.Em meu entender, a participação é muito importante e eu, infelizmente, só a tive no curso; se bem que também fui uma aluna introvertida. Até ao secundário, eram poucos os trabalhos de grupo e a participação na aula. Hoje em dia, os alunos são postos em contacto com outras instituições e ganham uma maior destreza, na comunicação, no contacto com a realidade laboral e até na realização dos projectos.

O Lyceu – Na sua opinião, de que modo as novas tecnologias são uma mais valia para a aprendizagem do aluno?

Salomé Teixeira – Na minha opinião, as novas tecnologias facilitam e muito a aprendizagem, porque a informação fica mais próxima das pessoas.Quando não existiam, os alunos tinham de ir aos livros e, às vezes, não tinham acesso aos mesmos, ou porque havia só um exemplar ou porque não existia de todo nas bi-bliotecas.A Internet, por exemplo, ajuda os alunos a adquirir mais informação, contudo, obriga-os a seleccionarem aquilo que interessa e a avaliarem a sua utilidade e veracidade. O que, muitas vezes, exige a ajuda de outra pessoa, nomeadamente o professor.Creio, portanto, que estas obrigam também a uma maior vigilância da parte dos educadores, pais e professores, que devem orientar os filhos ou alunos no sentido daquilo que interessa e desviá-los de influências negativas, que o acesso às novas tecnologias também pode gerar.Ou seja, as novas tecnologias facilitam a aprendizagem do aluno, porém obrigam a uma maior atenção da parte do educador.

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